RÊ
- Quem enxuga é pano de chão.
JUVENAL
- Então, vai enxugar o que?
RÊ
- (olha no relógio) Tá na hora da vodca dupla.
JUVENAL
- (servindo, com carinho, preocupado) Vai devagar, menina.
Rê dá um sorriso gostoso para ele. Ele retribui.
Mas ela está de pilequinho. Rê vai para a mesa. Rê fica sozinha
sentada na cadeira. Juvenal olhando terno para ela.
O ATOR II entra de Vendedora de Flores. A
Vendedora vai até Rê, que é a única freguesa.
VENDEDORA - Quer uma flor, amor?
RÊ
- (um pouco agressiva e triste) Eu não sou o amor de ninguém. E se
falar de novo te dou um beijo na boca. De língua!
Vendedora vai até Juvenal que dá um dinheiro para
ela e pega uma flor. Antes da Vendedora sair, ela vai até Rê e
coloca uma flor no cabelo dela. Vendedora sai. Juvenal vai com a
flor até ela. Pega na mão dela e coloca a flor entre os dedos
dela.
RÊ
- Quando eu era garota, sonhava com um Príncipe Encantado. Ele era
um vulto. Mas aí fui crescendo, crescendo...a imagem foi focando,
focando... até que quando eu percebi, as coisas não eram como eu
imaginava. (ela diz isto "focando" o Juvenal)
JUVENAL
- Fim de expediente. Bar fechando. Como é, Rê Bordosa? Vamos ao
mesmo motel de ontem?
Rê olha para ele. Não sabe se vai. Entra o Autor
(ATOR II), com uma pasta de desenhos. Senta-se e começa a roer
unhas. Ele está sempre roendo unhas.
JUVENAL
- Ele está nos desenhando juntos.
RÊ
- (Olhando com ternura para Juvenal) Como é mesmo o nome do motel?
Autor tem uma reação de quem descobriu alguma
coisa. Uma espécie de Eureca! A luz vai caindo enquanto o Autor dá
um sorriso nervoso e começa a fazer os seus rabiscos.