Prata
partiu da Divina Comédia, de Dante Alighieri, para narrar
a história de um bancário chamado Dante, casado com Gema,
amigo de um poeta chamado Virgílio, que recebe uma
mensagem de Paris, onde sua ex-amada Beatriz confessa que
está retornando ao Brasil.
O retorno é frustrado por um acidente e logo depois Dante recebe outra
mensagem da moça onde informa que O Purgatório é seu novo endereço.
"Nessa peça eu quero falar do pecado, do prazer, da culpa. Coloquei no
purgatório todos os personagens interessantes e apaixonantes, de Marilyn
Monroe a Teotônio Vilela, de James Dean a Flávio Márcio e até a orquestra
inteira de Glenn Miller. Para lá vão todos os que viveram com prazer na
Terra.
O Inferno é mais ou menos igual, só que no dia seguinte, após cada noite de
festa, as pessoas têm de acordar cedo, tomar engov e vestir ternos cinzentos
pra trabalhar. E o Céu também é muito chato: lá só tem japoneses, aquela
freirinha que cantava Dominique, o Pequeno Príncipe, o castíssimo São José:
Até Jesus Cristo prefere ficar no Purgatório, por causa das companhias
agradáveis."
Jornal da Tarde 13/01/84
Edmar Pereira