PURGATÓRIO: UMA DIVINA COMÉDIA

FICHA TÉCNICA

CRÍTICA

CRÍTICA

 

COMO É "PURGATÓRIO"
FOLHA DA TARDE, 18/05/84
JAIRO ARCO E FLECHA

 

"Purgatório" parte do princípio de que os conceitos de céu, inferno e purgatório — minuciosamente descritos em forma artística, entre outros autores, por Dante e Gil Vicente — vem mudando muito. Assim como os conceitos de prazer e pecado.

A peça de Mario Prata debruça-se sobre essas questões e, por meio das peripécias de um grupo de personagens vivendo no Brasil contemporâneo, sugere algumas respostas.

Dante (não o Alighieri) é um bancário, casado com Gemma. Classe média típico. Ao começar a peça chega a notícia de que uma antiga namorada, Beatriz, exilada desde 1968, está voltando ao Brasil. Mas ela morre num desastre aéreo.

Velada e enterrada a jovem, Dante começa a receber cartas de Beatriz, vindas do purgatório, nas quais ela exalta as delícias do lugar. Mais: Beatriz se manifesta — somente para Dante — pelo rádio e pela TV.

Inevitavelmente, Dante é rotulado de louco e perde o emprego. Mas a essa altura a única coisa que lhe interessa é deixar este mundo e partir para o Purgatório, onde se encontram, segundo Beatriz, todas as pessoas interessantes: James Dean Marilyn Monroe, Leila Diniz, Teotônio Vilela, Tiradentes, Ché Guevara.

"Quis discutir com o texto o que é o pecado hoje e o que é o prazer" diz Mario Prata: "Até onde podemos ir? Viva o prazer".