Dos Passos se cala. Fica esperando Tubaína
falar alguma coisa. Mas ele pega o embrulho como se fosse para
ir embora.
DOS PASSOS - Não, não vai embora, não!
Fique com a gente...
Tubaína olha em volta. Não tem ninguém.
DOS PASSOS - Fique com a gente. Gostei da
sua cara. Fez bem em se castrar. As mulheres não estão com
nada!
TUBAINA - Eu não me... (cai em si) Como
é que você sabe?
DOS PASSOS - Tava no bar. Me interessei.
Já disse: sou escritor! Posso escrever a sua vida! Posso ser
o seu biógrafo ambulante...
TUBAÍNA - Bobagem...
DOS PASSOS - Um homem assim como você...
é um grande personagem. Como é o seu nome?
TUBAÍNA - Pode me chamar de Tubaína.
DOS PASSOS - (ilumina-se) Já tenho até
o nome para a sua biografia: TUBAÍNA, O HERÓI SEM NENHUM
CARALHO!!!
Tubaína não entende e ameaça ir embora
de novo.
DOS PASSOS - Vai dormir aqui? Essa noite
você não pode ir dormir na nossa casa. Tivemos uns
probleminhas de - digamos - ordem política, digamos assim.
Mas, a partir de amanhã... Não podemos facilitar. Vamos
passar a noite aqui mesmo. Ou na praia. Pra ver o sol raiar,
nascer.
TUBAÍNA - Não estou nem um pouco
interessado em ver porra nenhuma de sol nascer!
DOS PASSOS - (segura o braço dele)
Vamos, homem: você é um Tubaina! E todo Tubaina gosta de ver
o sol nascer. Fiodor Dostoiévski!
Dos Passos sai arrastando ele.
DOS PASSOS - Deixa que eu carrego.
TUBAÍNA - Não. Fico sempre com ele. Não
posso me separar dele.
DOS PASSOS - Está certo. Eu compreendo
(vão caminhando) Sempre que eu posso, vejo o sol nascer. Faz
bem. É importante, sabe? Ver nascer um novo dia. Meu nome é
Dos Passos!
TUBAÍNA - (olhando Pilatos) Mas... pra
que um novo dia? Pra que?