E SE A GENTE GANHAR A GUERRA

FICHA TÉCNICA

CRÍTICA

CRÍTICA

 

Toda noite a meia-noite
Apresentação

BODO—Gente, precisa fazer um artigo para o programa.

MARCIA—Olha, eu estou morrendo de sono, eu queria dizer que...

CELSO—Péra um pouco. Renato, a fazenda chegou?

RENATO—Não, precisa alguém passar lá na estrada de Cotia.

PRATA—Esta carta é endereçada prá quem?

MARCIA—Tem que ser uma carta bem badalativa; para os caras darem tudo.

YOLANDA—Olha gente, eu vou embora. tão me esperando.

PRATA—Péra um pouco, e a Hebe?

PAULO—Já mandei um recado pru Travesso,

MARTINI—Quem que mandou o Canal 5 filmar aqui, hoje?

CELSO—Foi o Prata.

PRATA—Mandou o que?

RENATO—Gente, aqui eu acho melhor o plissado.

REGINA—Nem pensar. A minha gravidez.

PARREIRAS—Aí depende do cenário. Vai mudar o cenário no segundo ato, Celso?

CELSO—Vai.

PRATA—Como, vai? Tem que ser o mesmo.

BODO—Gente, e o artigo?

ACAIABE—O Prata disse que vai escrever.

PRATA—Eu? Tenho que fazer esta carta. Três dias que não durmo.

SYLVIO—Fica no Piolin todo dia. Vai dormir às quatro.

PRATA—Não é nada disso. E os convites, já foram feitos?

RENATO—Este negócio de camuflar na hora da guerra, vai ser com galho sêco?

PARREIRAS—Nem pensar. Tem que trocar os galhos todo dia.

MARCIA—Viu o que você foi arrumar, Prata?

PRATA—Gente a carta é endereçada a quem?

CELSO—E a música, já ficou pronta?

PARREIRAS—Precisa ver os plásticos para o cenário.

REGINA—Quem ficou de ver isso foi o Renato.

RENATO—Não. Eu fiquei costurando. Foi o Martini. .

MARTINI—Pô, gente, eu trabalho o dia todo. Foi o Sylvio.

SYLVIO—Eu? Eu não estou sabendo de nada.

PARREIRAS—São vinte e cinco metros quadrados.

MARCIA—Eu falei com o Toquinho e ele disse....

CELSO—Arrumaram estúdio para a gravação?

COSTUREIRA—Posso ir embora?

MARTINI—Acabou o vestido da Yolanda?

COSTUREIRA—Acabou o brocado.

RENATO—Martini, eu preciso de cem cruzeiros.

MARTINI—Te dei duzentos ontem

MARCIA—Esta foto está boa.

CELSO—Gente, vamos organizar.

BODO—E o artigo para o programa.

PRATA—Não tem artigo.

BODO—Quanto é que vocês vão cobrar?

REGINA—Depende.

BODO—Precisa ter um artigo.

IARA—Prata, você vai demorar?

PRATA—Vou te levar. Dá licença, gente.

CELSO—.Prata, acaba de escrever a carta.

PRATA—Que carta?

IARA—Eu vou sozinha.

PARREIRAS—E os tapetes, chegaram.

CELSO—Telefonou para o Waldemar?

SYLVIO—Olha a foto do Paraná. Chegou agora.

REGINA—Por falar em Paraná, e os mapas?

ACAIABE—Passo lá amanhã. As fotos precisa pegar na Fotótica.

BODO—A foto do Renato não está boa. Vai ficar ruim. A do Prata está escura.

YOLANDA—Ainda tem café?

PAULO—Acabou. Gente amanhã não dá para ensair. Tenho filmagens com o Pelé.

CELSO—Ai, meu Deus.

PRATA—Atenciosamente é com cê?

MARCIA—Prata, a sua calça está rasgada. Você tá de cueca vermelha.

IARA—Tchau, bem.

CELSO—Fica aí que não acabou.

REGINA—Sylvio, e os cartazes?

SYLVIO—Vou falar com o Samuca, segunda.

CELSO—Segunda. Gente, a gente tá pra estrear.

PARREIRAS—Teve problemas com o fotolito.

MARTINI—O dinheiro do Banco está acabando.

MARCIA—Saiu a verba?

MARTINI —Só um pouco.

RENATO —Ai, espetei o dedo com a agulha.

MIRIAM— Prata, escreve uma peça pra mim? De favela, bem bonitinha. Escreve, nêga ?

PRATA—Nêga é a vó. Escrevo. Depois a gente vê isso.

SYLVIO—Cadê a Bia.

PARREIRAS—Não veio aqui, não?

CELSO—Telefonou para o Prata, que, para variar, não estava.

PARREIRAS—Que que ela queria com você?

PRATA—Sei lá, Parreiras.

BODO—Faz um currículo de todo mundo. Pega bem, pacas.

CELSO—Se a gravação não sair amanhã a gente não estréia nunca mais.

SYLVIO—Que dia eu marco o ensaio para a censura?

PAULO—Ih, mais essa.

MARTINI—Paulo, a Nicette taí.

PAULO—Oi bem, vem cá.

NICETTE—Acho que vai dar um espetáculo muito bom.

YOLANDA—O Acaiabe não foi buscar o café

REGINA—Hoje que eu entendi a Vilma. Acho que vou fazer direitinho.

MARCIA—E a barriga, como vai?

REGINA—Tá mexendo. Não é lindo?

MARCIA— Falar em barriga, Prata, você passou no Vereda?

PRATA— Falar nisso o Clóvis vai dirigir uma peça lá.

PAULO—Lá?

CELSO—Lá onde?

MARTINI—Viu a barriga do Vereda?

PRATA—Jogaram fora.

MARCIA—E as armas?

PRATA—Tem uma.

CELSO—Quando é que o Jarbas acaba o cenário?

SYLVIO—Amanhã.

CELSO—Faz quinze amanhã, amanhã. Assim eu não ensaio mais. Tô cum fome.

REGINA—Acho que eu vou embora.

PRATA—A lara te leva.

MARTINI—Gente, a Jandira conhece uma camareira.

CELSO—Quanto que ela cobra?

JANDIRA—Barateira.

RENATO—Esta bandeja de café tá boa?

MARTINI—Quanto custou?

RENATO—Nove contos

MARTINI —Nove contos? Você está louco?

CELSO—Quantos telefones faltam?

ACAIABE—Oito. E os interfones?

JANDIRA—O Prata podia escrever uma peça mais simples, hein?

PRATA—O Celso que fica inventando coisa. Até agora não sei o ele vai fazer com uma perna de manequim.

PARREIRAS—Freud explica.

BODO—E o artigo para o programa?

PRATA—Não vai ter artigo. O meu trabalho está no palco e não no papel.

CELSO—Falou o intelectual. Cadê a carta?

PRATA—Tô acabando.

REGINA—Tem que badalar.

SYLVIO—Vocês viram os tijolinhos?

MARCIA—Uma graça.

CELSO—Prata, fala com o Vinicius, amanhã.

ACAIABE—O bar já fechou, não tem mais café.

YOLANDA—Tem água ai?

MARTINI —Gente, dia trinta tem que pagar o teatro.

CELSO—Precisava lembrar isso logo agora?

PAULO—Afinal, estréia dia 24?

CELSO—Que que você acha?

BODO—Tem que ter um artigo no programa.

CELSO—A gente faz, pronto!

BODO—Em três vias


TODA NOITE A MEIA-NOITE

 

BODO—Gente, precisa fazer um artigo para o programa.

MARCIA—Olha, eu estou morrendo de sono, eu queria dizer que...

CELSO—Péra um pouco. Renato, a fazenda chegou?

RENATO—Não, precisa alguém passar lá na estrada de Cotia.

PRATA—Esta carta é endereçada prá quem?

MARCIA—Tem que ser uma carta bem badalativa; para os caras darem tudo.

YOLANDA—Olha gente, eu vou embora. tão me esperando.

PRATA—Péra um pouco, e a Hebe?

PAULO—Já mandei um recado pru Travesso,

MARTINI—Quem que mandou o Canal 5 filmar aqui, hoje?

CELSO—Foi o Prata.

PRATA—Mandou o que?

RENATO—Gente, aqui eu acho melhor o plissado.

REGINA—Nem pensar. A minha gravidez.

PARREIRAS—Aí depende do cenário. Vai mudar o cenário no segundo ato, Celso?

CELSO—Vai.

PRATA—Como, vai? Tem que ser o mesmo.

BODO—Gente, e o artigo?

ACAIABE—O Prata disse que vai escrever.

PRATA—Eu? Tenho que fazer esta carta. Três dias que não durmo.

SYLVIO—Fica no Piolin todo dia. Vai dormir às quatro.

PRATA—Não é nada disso. E os convites, já foram feitos?

RENATO—Este negócio de camuflar na hora da guerra, vai ser com galho sêco?

PARREIRAS—Nem pensar. Tem que trocar os galhos todo dia.

MARCIA—Viu o que você foi arrumar, Prata?

PRATA—Gente a carta é endereçada a quem?

CELSO—E a música, já ficou pronta?

PARREIRAS—Precisa ver os plásticos para o cenário.

REGINA—Quem ficou de ver isso foi o Renato.

RENATO—Não. Eu fiquei costurando. Foi o Martini. .

MARTINI—Pô, gente, eu trabalho o dia todo. Foi o Sylvio.

SYLVIO—Eu? Eu não estou sabendo de nada.

PARREIRAS—São vinte e cinco metros quadrados.

MARCIA—Eu falei com o Toquinho e ele disse....

CELSO—Arrumaram estúdio para a gravação?

COSTUREIRA—Posso ir embora?

MARTINI—Acabou o vestido da Yolanda?

COSTUREIRA—Acabou o brocado.

RENATO—Martini, eu preciso de cem cruzeiros.

MARTINI—Te dei duzentos ontem

MARCIA—Esta foto está boa.

CELSO—Gente, vamos organizar.

BODO—E o artigo para o programa.

PRATA—Não tem artigo.

BODO—Quanto é que vocês vão cobrar?

REGINA—Depende.

BODO—Precisa ter um artigo.

IARA—Prata, você vai demorar?

PRATA—Vou te levar. Dá licença, gente.

CELSO—.Prata, acaba de escrever a carta.

PRATA—Que carta?

IARA—Eu vou sozinha.

PARREIRAS—E os tapetes, chegaram.

CELSO—Telefonou para o Waldemar?

SYLVIO—Olha a foto do Paraná. Chegou agora.

REGINA—Por falar em Paraná, e os mapas?

ACAIABE—Passo lá amanhã. As fotos precisa pegar na Fotótica.

BODO—A foto do Renato não está boa. Vai ficar ruim. A do Prata está escura.

YOLANDA—Ainda tem café?

PAULO—Acabou. Gente amanhã não dá para ensair. Tenho filmagens com o Pelé.

CELSO—Ai, meu Deus.

PRATA—Atenciosamente é com cê?

MARCIA—Prata, a sua calça está rasgada. Você tá de cueca vermelha.

IARA—Tchau, bem.

CELSO—Fica aí que não acabou.

REGINA—Sylvio, e os cartazes?

SYLVIO—Vou falar com o Samuca, segunda.

CELSO—Segunda. Gente, a gente tá pra estrear.

PARREIRAS—Teve problemas com o fotolito.

MARTINI—O dinheiro do Banco está acabando.

MARCIA—Saiu a verba?

MARTINI —Só um pouco.

RENATO —Ai, espetei o dedo com a agulha.

MIRIAM— Prata, escreve uma peça pra mim? De favela, bem bonitinha. Escreve, nêga ?

PRATA—Nêga é a vó. Escrevo. Depois a gente vê isso.

SYLVIO—Cadê a Bia.

PARREIRAS—Não veio aqui, não?

CELSO—Telefonou para o Prata, que, para variar, não estava.

PARREIRAS—Que que ela queria com você?

PRATA—Sei lá, Parreiras.

BODO—Faz um currículo de todo mundo. Pega bem, pacas.

CELSO—Se a gravação não sair amanhã a gente não estréia nunca mais.

SYLVIO—Que dia eu marco o ensaio para a censura?

PAULO—Ih, mais essa.

MARTINI—Paulo, a Nicette taí.

PAULO—Oi bem, vem cá.

NICETTE—Acho que vai dar um espetáculo muito bom.

YOLANDA—O Acaiabe não foi buscar o café

REGINA—Hoje que eu entendi a Vilma. Acho que vou fazer direitinho.

MARCIA—E a barriga, como vai?

REGINA—Tá mexendo. Não é lindo?

MARCIA— Falar em barriga, Prata, você passou no Vereda?

PRATA— Falar nisso o Clóvis vai dirigir uma peça lá.

PAULO—Lá?

CELSO—Lá onde?

MARTINI—Viu a barriga do Vereda?

PRATA—Jogaram fora.

MARCIA—E as armas?

PRATA—Tem uma.

CELSO—Quando é que o Jarbas acaba o cenário?

SYLVIO—Amanhã.

CELSO—Faz quinze amanhã, amanhã. Assim eu não ensaio mais. Tô cum fome.

REGINA—Acho que eu vou embora.

PRATA—A lara te leva.

MARTINI—Gente, a Jandira conhece uma camareira.

CELSO—Quanto que ela cobra?

JANDIRA—Barateira.

RENATO—Esta bandeja de café tá boa?

MARTINI—Quanto custou?

RENATO—Nove contos

MARTINI —Nove contos? Você está louco?

CELSO—Quantos telefones faltam?

ACAIABE—Oito. E os interfones?

JANDIRA—O Prata podia escrever uma peça mais simples, hein?

PRATA—O Celso que fica inventando coisa. Até agora não sei o ele vai fazer com uma perna de manequim.

PARREIRAS—Freud explica.

BODO—E o artigo para o programa?

PRATA—Não vai ter artigo. O meu trabalho está no palco e não no papel.

CELSO—Falou o intelectual. Cadê a carta?

PRATA—Tô acabando.

REGINA—Tem que badalar.

SYLVIO—Vocês viram os tijolinhos?

MARCIA—Uma graça.

CELSO—Prata, fala com o Vinicius, amanhã.

ACAIABE—O bar já fechou, não tem mais café.

YOLANDA—Tem água ai?

MARTINI —Gente, dia trinta tem que pagar o teatro.

CELSO—Precisava lembrar isso logo agora?

PAULO—Afinal, estréia dia 24?

CELSO—Que que você acha?

BODO—Tem que ter um artigo no programa.

CELSO—A gente faz, pronto!

BODO—Em três vias