REVISTA
DE TEATRO
novembro e dezembro de 1972
JORNAL ARTES (Carlos
von Schmidt) Uma personagem excepcional que é Katia Porreta, uma
peça em que são focalizados vários problemas de ordem sociológica de primeira
grandeza, entre risadas, através de um humor vivo.
REGINA HELENA (A GAZETA)
Um diálogo vivo, atual. Uma carpintaria descompromissada com os esquemas tradicionais.
Bastante humor nos diálogos e nas situações. E um ótimo desempenho dos personagens,
revelando boa observação. O que mais nos impressionou nesta peça foi a capacidade do
autor de bem delinear os personagens.
SIMÃO JARDANOVKSI (Shopping News)
Finalmente a atual temporada nos dá um autor mais original. Desta vez, Mario Prata no seu
Cordão joga com quatro personagens, mas de uma maneira mais verdadeira, mostrando
situações vivas e não apenas tipos e discurseiras psicológicas. Mario Prata revelou
ser um autor de talento que soube usar a construção técnica para fazer um balé de
choques entre quatro pessoas que, além de sexo, pouco poderiam ter em comum. Seus tipos
são preciosos, acabados e as situações, ora cômicas, ora melancólicas, cheias de
humor e ternura.
ALIPIO ROCHA MARCELINO (O São
Paulo) A importância de O Cordão Umbilical reside principalmente no
sangue novo injetado por um jovem de talento, Mario Prata, o qual conseguiu ver uma
realidade imanente transposta fielmente à cena. Momentos de indramaticidade se
entrelaçam com cenas da mais genuína comicidade que até hoje não tínhamos tido a
ventura de ver no palco.
JEFFERSON DEL RIOS (Folha de
São Paulo ) Abrindo um hiato de descontração e bom humor no clima tenso
que caracteriza a nova dramaturgia brasileira, Mario Prata oferece em O Cordão Umbilical
a espontaneidade e a irreverência de uma juventude que está ai para o que der e vier,
apanhando a vida pelas pontas e dando o testemunho do seu tempo. Dono de uma linguagem
fluente, viva, carregada de uma vibração que se extravasa em contínuos trocadilhos e
achados humorísticos, o autor fez uma peça de risadas, mostrando sua gente, cinco
criaturas, quatro adultas e um feto que se manifesta no fim inesperadamente, dando um
tranco violento na platéia.
HILTON VIANA (Diário da Noite)
Uma nova fórmula de fazer teatro: Mario Prata, embora apresente personagens do dia-a-dia,
foge do lugar comum. Há coerência no que eles dizem e fazem.
SERGIO VIOTTI (O Estado de São
Paulo) A melhor qualidade de O Cordão Umbilical reside na vitalidade
descontraída do seu humor A peça não é apenas uma seqüência de situações
risíveis. Mais do que isto, com poucas situações, é uma peça de personagens
vivíssimos donos de um dom de falação que faria inveja a certos famosos personagens
irlandeses do teatro e do cinema, gente igual a gente que conhecemos, que dizem coisas
engraçadíssimas. Tudo que brota do relacionamento dos quatros personagens é de uma
graça cortante, picante, de quando em quando pesada, com realidade grudada nela.
PAULO LARA (Folha da Tarde)O
Cordão Umbilical é uma peça que pode ser chamada de quase cinematográfica.
VICTOR GARCIA
Exemplar. O texto é de uma unidade como eu nunca vi no teatro brasileiro. Esta é a
primeira peça a me entusiasmar de fato. De uma generosidade e simpatia impressionantes.
Faria sucesso em qualquer lugar dos mais sofisticados da Europa. Um texto muito puro.
JOSÉ MARCIO PENIDO (Revista
Veja) A ternura tem seus pudores. Mas Mario Prata não acredita nisto e
descarrega a sua nos quatro personagens de O Cordão Umbilical. E, como esta oferta é
tão grande quanto a procura, o público deixa o teatro recompensado. Com dignidade se
conta que o filho da prostituta Katia Porreta vai nascer. Didi, o estudante, e Marco, o
escritor reservarão espaço no varal para as fraldas do bebê. A atriz Gradys Regina
terá que decorar capítulos de novela em voz baixa para não acordá-lo. A mãe pedirá
um mês de licença na boate. Mas um dia terá que voltar. Ela e todos retomarão a
roda-viva. A peça apenas sugere esse dia em que o cordão umbilical do menino se
desprenderá dos quatro ventres. Mas é justamente aí, no presságio de um fato
corriqueiro, que a banalidade pode virar arte.
YAN MICHALSKI (Jornal do Brasil):
De todos os jovens autores que aparecem-na trilha de, Plínio Marcos, talvez nenhum tenha
afinidade tão profunda com o autor de Dois Perdidos, como Mario Prata: o mesmo dom de
observação, a mesma autenticidade na coleta de amostras representativas da vida como ela
é, a mesma linguagem saudavelmente desbocada, a mesma máscula ternura pelos personagens
que se debatem corajosamente em condições de extrema miséria. O talento do autor salta
aos olhos Os personagens são gente de carne e osso; seus anseios, suas hesitações e
suas frustrações levam o selo da autenticidade; sua mediocridade e falta de grandeza os
torna, nos melhores momentos da peça, quase patéticos; seu diálogo chega a ser
brilhante dentro de sua espontaneidade e crueza coloquial; e, sobretudo, o autor os
envolve num clima de ternura e compreensão que confere à peça um certo impacto
emocional. E esse impacto é sensivelmente valorizado pela visão crítico-humorística
que Mario Prata tem do pequeno mundo que coloca em cena.