O CORDÃO UMBILICAL

CRÍTICA

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CENA 6 ( Cena externa. Pode ser uma conversa telefônica).

MARCO — O filme não era um lixo?

GLADYS — Era, não. É um lixo. Uma pobreza. . .

MARCO — Então, porque fez? Tava dura, é? . .

GLADYS — É... Só que ainda não pagaram. Mas eu tive lá outro dia e o cara me garantiu que pagam depois da mixagem. Mas pagam sim. O Max é um cara bacana...

MARCO — Escuta, o cara que dirigiu o filme, é verdade que vocês estão de caso?

GLADYS — Que  foi que te disse isto? O que você tá pensando que eu sou?

MARCO — Nada... sabe, ontem eu jantei com a Leilah Assumpção e...

GLADYS (Cortando) — Quem?

MARCO — A Leilah, que escreveu "Fala Baixo Senão eu Grito".

GLADYS — Ah, aquela revista?

MARCO — Não, Gladys, aquela peça que a Marília Pera fez, pô.

GLADYS — Sei. Com o Vilaça.

MARCO — É e a Leilah me falou uma coisa incrível: para uma obra de arte sair perfeita, autor e diretor devem dormir juntos —, atriz com diretor, autor com atriz, ator com atriz, ator com ator...

GLADYS — Atriz com atriz...

MARCO — Contra-regra com bilheteira.

GLADYS — Divulgadora com crítico... (Pausa, riem) Estou sim.

MARCO — Tá o que?

GLADYS — De caso com o diretor.

MARCO — Ah, então é por isso que ele não te paga.

GLADYS — Não, ele não paga porque está sem dinheiro mesmo.

MARCO — Paga sim, Gladys. Pensa bem; ele paga em espécie. E você fica aí, dura paca. Já-já vai pedir para morar lá em casa.

GLADYS — Sabe? foi bom você tocar neste assunto. A Marlene, aquela menina que morava comigo. deu uma bacanal no apartamento as três da tarde, pode? Aí dona Filomena mandou a gente embora. Quando eu voltei das filmagens em Parati, estava de sandálias e escova de dentes em plena Barata Ribeiro. Aí o Siboney, aquela boneca, lembra?, me falou de você.

MARCO (Pausa) — Quanto tempo?

GLADYS — Quanto tempo o que? (Pausa) Ahn... eu vou ficar na sua casa? Uma semana, no máximo quinze dias! (Apagam se as luzes)