O CORDÃO UMBILICAL

CRÍTICA

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CENA 5
(Didi chega da rua assobiando e quando dá conta que as duas camas da casa estão ocupadas, vai acordar Marco).

DIDI (Com o Jornal dos Sports do dia, debaixo do braço) — Marco, ô Marco! Acorda, rapaz!

MARCO — Ahn... O que?

DIDI — Acorda. Sabe que horas são ? Olha só que sol. Tá a maior praia!

MARCO (Olha o despertador) —Ou são dez pras dez ou caiu um dos ponteiros...

DIDI — Você dorme, hein?

MARCO — Deixa eu dormir, vá.

DIDI — Dez horas. Levanta, senão na hora do almoço você não tem apetite nenhum.

MARCO — Didizinho, você viu a hora que eu cheguei? E eu lá tenho hora marcada para almoçar?

DIDI — Que hora?

MARCO — Que hora, o que?

DIDI — Que hora você chegou, pô.

MARCO — Sei lá... A velhota aí da frente já estava voltando da missa. Didi, te juro, eu quero dormir, viu?

DIDI — Escuta, é verdade que você largou mesmo a faculdade?

MARCO — Tá cansado de saber que é.

DIDI — Penãou bem? Olha lá rapaz! Sabe-se lá do futuro...

MARCO — Sei...

DIDI — O seu pai sabe? Disse o que?

MARCO — Sei lá, Didi. Se eu fosse me preocupar com o meu pai, deveria estar lá no Triângulo Mineiro marcando Zebú. Deixa eu dormir, deixa...

DIDI — Vai fazer, o que?

MARCO — Vou dormir, porra!

DIDI — Não, seu burro.

MARCO — Sei lá. Talvez estude português, dê aula no Mobral, qualquer negócio. E tem mais uma coisa: quem foi que te disse que eu estou preocupado com o meu futuro?

DIDI — Mas todo mundo está preocupado com o futuro. Eu estou com o meu. Os meus pais estão preocupados com o meu futuro. A Dirce, minha namorada, está preocupada com o meu futuro. Quer me explicar quem vai ser você sem um diploma? Vai viver do que, hein?