O CORDÃO UMBILICAL

CRÍTICA

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CENA 13 (Gladys está se vestindo entra Didi da rua e fica olhando da porta do quarto) .

DIDI — Que zorra, vocês fizeram ontem quando chegaram, hein?

GLADYS — A festa do Siboney tava o maior barato. (Vai para o banheiro arrumar o cabelo, pois vai sair) E a festinha aí do lado?

DIDI — Sabe que tinha Cuba Libre mesmo? Mas me conta da festa do Siboney. Muita maconha, estes negócios? Tenho medo de fumar um dia e gostar e é evidente que é vício e faz mal a saúde.

GLADYS — Ontem ficou todo mundo pelado.

DIDI (Que estava caminhando para o seu quarto para levar a pasta de escola que entrou com ela, quando ouve o "pelado" volta rápido para perto de Gladys) —O que? Todo mundo? (Senta-se na privada e f ica observando Gladys se arrumar).

GLADYS — Todo mundo é modo de dizer. Uns vinte...

DIDI — Puxa, deve ter sido legal paca. Todo mundo excitado?

GLADYS — Que nada...

DIDI — Muita bicha né?

GLADYS — Quer dizer que basta você ver uma mulher nua para ficar todo excitado?

DIDI — Lógico, não sou bicha! Asdrúbal se assanha todo.

GLADYS (Indo para o quarto) — No cinema então é um problema .

DIDI (Seguindo-a) — Quando estou com a Dirce é muito chato. Tenho que ficar me eontorcendo todo na cadeira para ela não notar (Pausa) Gladys, escuta, o Marco; o Marco nao tá virando meio bicha, não?

GLADYS — Já teve suas experiênciazinhas. . .

DIDI — O Marco??? Me conta, me conta. Ele já deu?

GLADYS — Sei lá, Didi. Se deu ou não deu, não tem nada demais. Todo mundo dá. Didi. Olha, não dar é ser muito pra trás, viu?

DIDI — Então eu sou muito pra trás. Mas eu queria saber do Marco, me conta...

GLADYS — Pô, Didi, eu dou a dica você já quer saber de tudo?

DIDI — Que lástima... (Pausa) O Marco me andou dizendo que você está de caso com um domador de circo, é verdade?

GLADYS — Orlando Orfei. (Vai para a banheiro, se arrumar).

DIDI (Indo para o seu quarto) — É: daquele circo que tem o cartaz com o cara comendo um tigre?

GLADYS (Entrando no quarto dele) (Didi está folheando uma revista de mulheres nuas—Playboy) —È.

DIDI — Mas a troco de que ele te cantou?

GLADYS — Eu que cantei ele. Naquele dia que a gente foi assistir, quando vi o homem lá no meio da jaula, todo de branco, com um chicote na mão — acho chicote tão fálico... — e uma cadeira na outra, não resisti. Me deu uma vontade de ser leoa, que eu nem te conto. Voltei no dia seguinte...

DIDI — E depois fala da coitada da Katia. . .

GLADYS — A Katia cobra. No meu caso foi um gesto de amor...

DIDI (Lendo a revista) — Evidente que foi um gesto de amor... (Gladys entra) Gladys, preciso de um favorzão seu. Preciso dar uma urgentemente.

GLADYS — Pode deixar. Vou te arrumar uma mulher decente. Uma amiga minha.

DIDI — Precisa ser um dia que a Katia não esteja aí...

GLADYS — Você deve estar num atraso violento, hein Didi?

DIDI — Não, a Katia até que de vez em quando dá um jeitinho.

GLADYS — Deve ser um jeitinho meio complicado. Quase oito meses é fogo. . . (Pausa) Mas eu vou te apresentar a Iara. (Didi começa a folhear a revista mais apressadamente) Você vai ver o que é mulher. Dessas que pulam de cima do guarda-roupa. (Começa a sair e um spot incide em Didi). É linda, tem um seio maravilhoso, uma boca mais que sensual. . . Aquela perna lisinha, sem nenhuma celulite. Vinte anos, Didi. Ela faz de tudo, Didi. Coisas que você nunca imaginou. Já pensou Didi, você com ela aí nesta cama? A melhor mulher desta revista; só sua, Didi. Sabe o que ela vai fazer? Vai morder o seu umbigo, Didi; por dentro. E você nem vai pagar... Vai, Didi, vai. Vai, vai, vai, vai.

(Didi enquanto ela vai falando vai se excitando e, ou enrola a revista em velocidade cada vez maior ou folheia cada vez mais rápido até rasgá-la toda).