Mario Alberto Prata estréia, com alguns erros de ortografia mas com um
transbordante talento natural, na literatura. Uma literatura que ao mesmo tempo começa
já num nível de fluência extraordinária e peca por ser ainda um rascunho do que ele
pode fazer.
Tataraneto da obscenidade divertida e da fixação em defecação de Rabelais, é primo
distante de Stanislaw Ponte Preta na "gozação" dos tabus sacrossantos da
burguesia beata. Cria personagens com a facilidade de um escritor experimentado. Tem como
armas fundamentais a originalidade, a imaginação, a graça iconoclasta.
Como defeitos: a
pressa, o inacabado de seu estilo. Com afinco, poderá ser mais do que uma mera "promessa
literária" neste Brasil atualmente necessitado de Urubupungás de talento.
Mario Alberto Prata, se quiser, poderá ter um grande sucesso como autor vivo, inquieto,
inteligente, que ironiza até a si mesmo, sempre com muitos kws. de um talento bruto
imenso, que só lhe falta represar para tirar partido integral de sua avassaladora
facilidade de contar coisas.
Leo Gilson Ribeiro:
Jornal da Tarde / Revista Veja