Orou, vai orar a puta que o
pariu! Padre é para ver se a gente está vivo ou morto, chega mais perto, pegue na minha
mão, vamos. Pegue, desgraçado. Aquele choro mais longe eu reconheço, é de minha irmã
mais nova. Coitada, gostava muito de mim e eu fui morrer. Morrer uma merda, estou vivo.
Minha mãe, mãe tem um sexto-sentido. Estou começando a entender o que aconteceu. Foi um
ataque de catalepsia. Minha avó era epilética, e devo ter herdado isto. E nunca me
falaram nada. Aquela vez que eu desmaiei na estação, deve ter sido isto, e o puto do
médico disse que foi estafa. Estafa tem a mulher dele, que dá para to do mundo. Minhas
funções vitais ficaram paralizadas por algumas horas e eles não tiveram dúvidas, me
jogaram no caixão. Eu sei que tem muita gente que me considerava "a vergonha da
família", eu e o meu pai. Meu pai tinha razão para beber, só de aguentar a beatice
da minha mãe deveria ter até estátua na praça da República. Até você, Deus, tomaria
seus pileques...
Este negócio de catalepsia deve ter sido ocasionado por alguma
lesão cerebral. Devo ter caído quando estava bêbado. Merda de azar... Que horas são?
Estou com uma fome infernal. E o pior é que nunca vi dar comida para defuntos. Defunto
não sente fome, não sente frio... Frio, não sente frio, por isso que me colocaram este
terno fino, de linho, o único que eu tinha aqui em Campinas. E este puta frio; se pelo
menos eu tremesse um pouco, alguém perceberia que eu estou vivíssimo,
Estou fazendo um esfôrço
danado para lembrar-me de alguma coisa sobre este raio de catalepsia. O pior é se eu
ficar assim o tempo todo, logo, logo fecham este troço e lá vou eu com flores e velas,
diretinho para o inferno. Isto, se existir mesmo inferno. Pelo menos, encontrarei com
grandes artistas de Hollywood e aquela minha prima que iniciou a minha perdição pelos
campos até então inexplorados do sexo. Tenho certeza que foi para o inferno, embora para
mim tenha sido um anjo. Chamava-se Solange; a puta. Veja voc, eu, que sempre detestei
velório, agora, num velório, e o pior: o meu! Aliás deveria ter até um certo orgulho,
pois está concorridíssimo. Muitas vozes desconhecidas e choro nem se fala. Tem gente que
não diz nada, só chora e choro para mim até então desconhecido. Como aquela velha que
entrou aqui há pouco e começou a falar do netinho dela que "imagine, dona Lêda,
morreu dum desastre horrível,horrível, ainda na semana passada, no Pacaembu, lá em São
Paulo. E guiava bem..." Não tenho a menor idéia de quem seja. Raio, e este
mosquito, não tinha mais nada para fazer? Olha aí, bem no meio do meu nariz. Meu Deus
que coceira! Que aflição, bem que poderia dar um espirrinho à toa. Agora foi para a
boca, anda devagarinho, coçando, incomodando, percebe que não reajo, toma conta da
situação, diverte-se, deve ter até defecado. Sai, filho da puta, vai andar na bunda da
sua mãe, se é que mosquito tem mãe. Dever ter sim, ainda outro dia surpreendi dois
mosquitos, em longo ato sexual anal, dentro do meu umbigo. Não sei bem se era anal, mas
me pareceu isto, E agora o meu umbigo está cheio de flores. E que cheiro horrível de
flores. Sai, mosquito desgraçado! Será que não tem aqui uma só alma que zele pelo meu
bem estar? Isto já está me dando mal estar. Como dizia São Boaventura: "olho em
tôrno de mim e vejo-me cercado de amor". Bela aventura...
Não, meu amor, não
pode ser... é mentira ... digam que é mentira! ... Meu anjo, não pode ser! Eu te amo, e
agora... meu Deus, leva-me com ele ...Não, não pode ser, meu amorzinho... meu
coelhinho,por que que foi beber tanto? Mentira, ele está vivo. Não pode morrer. Ai...
quero morrer também! Meu amor... meu bem... Bem! Ajuda, gente, ajuda, gente...
Coitada da Marisa! Ia dar o
fora nela hoje, se é que hoje é o dia que estou pensando que seja. Uma vez em Curitiba,
uma moça ficou anos desmaiada. Pode ser que comigo tenha sido o mesmo; não, não é
possível, já disseram aí que estiveram comigo na se mana passada.
Minha filha, reze,
minha filha, reze pela salvação da alma de seu namorado. Foi o destino, vontade de
Deus... Era um bom cristão. Fui seu confessor na infância. Reze, minha filha .. Dona
Carmela, por favar, leve a Marisa para a cozinha. Está muito chocada. E providencie o
cafezinho Precisamos ficar aqui a noite toda. A senhora viu, a pobre mãe do rapaz está
em estado de choque desde que chegou o corpo. É, gente... ,não podemos fazer nada. O dia de todos um dia chega, mais dias, menos
dias. Precisamos estar preparados. Que Deus o tenha na Santa Paz!
Agora eu melembro, quando
se volta do estado·cataléptico ao normal, fica-se de cinco a quinze mintos, assim
paralizado como eu estou; depois, recobra-se todos os músculos do corpo. Não preciso me
apavorar tanto, logo estarei apto a mandar todos à merda, pular a janela e sair de terno
por aí à procura do primeiro bar e da primeira mulher. Pensando bem, e muito
sadicamente, até que é interessante assistir ao próprio velório. Mas que sadismo...
Enfim, agora é a minha vez de me divertir. Vamos lá... ficarei aqui nesta posicão
defuntífera até quando bem me convier. Depois, tomarei as medidas necessárias. Creio
que dormir não vou mesmo, além do mais não tenho sono algum, pois dormi até demais, e
para alguns, o sono eterno.
II
Meu filhinho, você
não sabe como eu gostava de você! mas o que é isto? Esta é a dona da garaparia
de São Paulo! Era um dos melhores fregueses, sempre alegre, com boas estórias
engatilhadas, divertia todos os fregueses!
E pôs-se a chorar
violentamente, entre sussurros como "Deus o tenha" ou "como a vida é
ingrata" Para mim esta velha é uma surpresa. Nunca conversei muito com ela, sempre
achei que deveria ser uma velhinha encardida. E olha aí, veio ao meu velório e chora...
Veio de São Paulo a Campinas, e nem tenho mais dúvidas que estou mesmo em Campinas, e
muito menos dentro de um caixão, e no meu próprio velório.
Obrigado, não tem bolachinha?
Café, padre?
Que horas sai o entêrro? Às dez? Acho que então vou dar um
pulinho lá em casa e depois volto. A Nair ficou sozinha, sabe como é, criança pequena
em casa...
É como disse
Richepin, francês da Academia, por volta de mil e novecentos: "só há um meio de
não temer a morte, é deseja-la".
Esta não, o poeta
cinquentão tá aí. Bom amigo, para dizer a verdade. Pena que seja tão bicha como é!
Só falta o fresco resolver me beijar, e aí eu vou dar o maior escândalo do mundo. Vai
ficar igual à estória da Branca de Neve. Recebeu o beijo do Príncipe Encantado e voltou
a viver. Lindo. Ei, espere aí, estou começando a mexer. Sim, viva Nossa Senhora do Ó!
Mexi o dedo! Não sou mais dedo duro (horrível). De agora em diante, eu mesmo vou dirigir
meu velório. Isto dá até novela, com o Sérgio Cardoso fazendo o morto. Os danados me
tiraram o relógio, e o meu pinto está do lado direito onde nunca conseguiu ficar até
hoje. Quem me vestiu, logicamente, não deve ter tido a idéia: "e o pinto domorto,
para que lado fica"? Sempre para a esquerda, meu bom amigo. E o filho da puta deu
este nó que está me sufocando a garganta. Ah! se eu pego este sacana...
Nunca vi gostar de sorvete como ele...
Coitado, é o Mané da Sorveteria da Esquina. Velho bom, veio aqui.
Deve ter deixado a sorveteria com a dona Precília, sua mulher, que gosta de um bom
palavrão. Juro, Mané, vou chupar muito sorvete ainda, e de morango, aquele que só você
mesmo sabe fazer.
Caiu como um corpo morto cai...
Não pudemos fazer nada. Grande amigo, meio louco, mas bom no copo e com mulher. Cara de
pau ao extremo. Batia papo com todo mundo. Se o enterro fosse em São Paulo, todo mundo
ia, desde o Faria Lima até aquele mendigo da São João. Acho que ele escorregou e caiu.
Não pudemos fazer nada. Morreu na hora. Amigo taí. Citava sempre Confúcio: "Sê
solícito com teus amigos". Estamos aqui, colega. Vamos com você até a última
morada.
A última morada está longe, companheiro.
Obrigado por ter vindo. Fico contente de ter morrido ao lado de vocês. No duro mesmo.
Embora a família deva ter ficado chacadíssima por ter morrido em virtude de um bebum dos
diabos. Imagino até a desculpa que deram para os vizinhos: "leucemia". Imagine,
meu filho morrer na sarjeta. Por falar nisto, ainda estou com um gosto horrível na boca.
Será que ninguém dos presentes tem Halitol? E a bunda? Assadíssima! Sei lá desde que
hora estou com a bunda nesta tábua dura Os caras das agências funerárias deveriam tomar
mais cuidado com os mortos. São pagos para isto. Pelo menos uma almofadinha na altura da
bunda, ora essa! A cabeça, está bem colocada, não tenho o que reclamar. Por falar em
bunda, agora sim estou com vontade de peidar. E desta vez farei tudo para que não seja
alto. Ninguém vai suspeitar de mim, e alguém levará a culpa para casa: "é
diabólico peidar num velório".
Como falou Ghika, poeta rumeno: "se julgas finda a tua
vidá é porque ainda não a iniciaste".
Desta vez o poeta falou certo: "ainda
não a iniciaste". Lógico, muito lógico e verdadeiro,que eu não esteja morto.
Estou vivo. Tenho que ter isto sempre em mente, pois num ambiente deste, numa choradeira
desta, não é nada difícil eu me convencer que de fato morri. Lembre-se sempre: você
está vivo! Eu estou vivo. Tu
estás vivo. Ele está vivo. Pelocuparia.
Quem está morta é esta velharada chata que pinga as lágrimas no meu bigode ruivo. Agora
é o padre dizendo coisas em latim e as beatas respondendo.
... seculorum, amém.
Quando era ainda menino foi à igreja e ficou rezando um tempão. Pediu a Deus um
coelhinho em cima da sua cama e depois foi para casa procurar o tal coelhinho na sua
caminha. Voltou chorando para a igreja e me procurou: "padre, como é que a gente faz
para fazer milagre"?
Ó veado, isto é coisa que
se conte na minha frente? Limite-se a dizer suas orações e preces. E que sejam breves.
Prá mim, este cara era veado. Nunca me enganou!
Desgraçado, não sei quem
é, mas se estivesse vivo, tenho certeza que ele não teria coragem nem de pensar nisto.
Imagine, eu, o bom, o maior pegador de mulheres do bairro, veado! Vai ver que foi ele que
colocou o meu pinto do lado errado. Deve ser algum amigo de infância. Pentelhão, isto
sim! Puxa vida, esta minha avó é chata mesmo, está incomodando todo mundo, nem no meu
velório vai me deixar em paz? Porra de velha, porque não entra num estado de choque
também? Aliás, a hora que eu resolver me levantar desta merda, imagino o choque que ela
vai levar. Depois vai atribuir o milagre a São Jerônimo, seu padrinho, conselheiro, e se
aparecesse aqui pela terra, até mesmo daria para ele. Faz de tudo este Santo. Olha lá,
quer dar café para todo mundo, lavar tudo, tomar conta. Veio lá de Brasilia para o meu
enterro. Quem foi o desgraçado que a avisou? Sou capaz de apostar com quem quiser que o
café está frio e com muito açúcar. Sempre foi ótima nesta tipo de café. Quero cair
morto durinho se for mentira.
Bebeto, não pode ser! ih... é aquela prostituta da José
Getúlio Não pode ser... Olha Sandra, era muito magro, como você pode observar
pela silhueta, mas bom de cama, o danado. Sempre inventava alguma novidade. E olha que
para ser novidade para mim, tem que ser coisas das oropas, nu mínimo. Na verdade, não
era de dar muito dinheiro, ainda me lembro como se fosse hoje, o dia que...
Cuidado Neusa, olha a velha entrando!
Isto vai dar um bolo! Deixa a
Marisa ver! Que rolo, meu Deus. Só falta a minha avó sair e ela começar a me alisar, eu
não vou agüentar, não. Esta mulher é fogo. Eu sempre pifava antes dela. Muita carne
para mim. Ai, não disse, veja se tem cabimento, burilando um morto, será que não tem
mais nada para fazer, e ninguém na sala? Bonito vai ser se estas flores começarem a se
levantar ali pela altura do pinto, vai ser um corre-corre danado. Dá manchete para
"Notícias Populares": "Cadáver Tarado em Campinas".
Neusinha, vamos embora
que estão começando a olhar feio para a gente. Olha a cara daquela velha, ali no fundo,
puta merda, sô!
Quem são, hein?
Sei não. Alguma
viração dele. Todo velório é este rolo. O pior é quando elas vêm com criancinhas no
colo, aí o negócio fica preto. Ainda bem que foram embora. Olha a namorada dele, está
chegando.
Ela não fala nada, coitada,
mas sinto o seu perfume. Fui eu quem dei. Veio da Argentina. Coisa boa, dia dos namorados!
Ela me deu um chaveiro que eu nunca usei, e não creio que esteja usando agora,muito
menos. Ela está balbuciando alguma coisa, coisas irracionais; espera aí: está falando o
nome do antigo namorado. Aí, sua traidora, eu bem que sempre desconfiei! Se traindo,
hein, danada? Vamos, suma daqui antes que eu levante e lhe dê um pontapé onde bem
merece. Credo, agora está gritando o nome dele! Que papelão estou fazendo, meus amigos
todos aí, sabem de toda a história. Pronto, morro corno! Meus amigos estão todos aí,
uns conversam com meu pai na sala, percebo bem. E o meu pai ainda não entrou aqui, ou, se
entrou, limitou-se a observar. Sim, meus amigos de bebedeiras, de colégio, ginásio,
pessoal da redação, estou lembrando as mil farras, as troca-trocas na infância, brincar
de médico com as irmãs, os primeiros artigos assinados nos jornais aqui da terrinha.
Como eu era inocente na infância, hoje não pestanejaria em enrabar uma a uma!
Esta é a voz do Sérgio. Faz
advocacia. O Caio, cujo primeiro filho vai ter o meu nome (foi um pacto na infância,
escrito com o próprio sangue, e o meu teria o dele. Teria não, terá.) Os dois Prados, o
Dade, bom num basquete e fim-de-noite e o Jarbinhas reclamando do sapato sujo. Bosco,
ex-seminarista, hoje malandro e dentista, ficando careca e de bigode. O Menezes com a
esposa, muito simpática, O Gutão, bruto e brigador. Nenê Verdade, mentiroso,doido por
um bom velório. Nunca foi meu amigo, é amigo do velório. Assim mesmo, benvindo, Nenê.
Professor Fauze e mais mil vozes conhecidas. Amigos daqui e de São Paulo. O pessoal daqui
e de São Paulo, sem contar os parentes. O pessoal da faculdade, muitos bicões. Aquele
que disse que eu era (sou,ou melhor, não sou) bicha, deve ser bicão. Os dois Jaymes, o
Pereira e a noiva, o Nassif, que mora em Jacareí, a Ondina, Ana Maria, Norminha, Antonio
Carlos, Susini. Quanta gente, minha gente! Quem está falando agora é o Jorge Sato,
conversando com o Júlio, que rasgou o pinto numa trepada genial, nas últimas férias, em
Serra Negra. Esta não, até o Alcyr... Minha irmã de vinte anos, Adelaide, com o
namorado, vêm vindo pa ra cá.
Adelaide, vamos ficar aqui na sala pois não tem ninguém
não tem é o que você pensa e podemos conversar com mais calma. Será que
você não compreende que se não tomar os anticoncepcionais, vai acabar ficando grávida?
E eu não posso casar. Não tenho nem emprego No jornal pagam uma merda!
Meu anjo, vamos deixar
esta conversa para outro dia? Tá? Afinal, não é todo dia que morre o irmão da gente E
vê se para de falar merda. Respeite pelo menos os mortos. E quanto às pilulas, você viu
o que o Papa disse?
Merda! Morto
não ouve.
É o que você pensa, seu
grandissíssimo filho da puta. Você eu juro que quero conversar depois, vai dar
anticoncepcionais para a mamãezinha, que está muito mais necessitada. Vou lhe provar
isto depois. Bate um papo com o Jonas, aquele advogado da Av. Brasil, bate. Este não
morre mais, pensei nele e ele está entrando com aquele vozeirão todo. Acha que só ele
tem o direito de falar grosso.
Hoje foi ele,
advogado, amanhã seremos nós. este é o padre.
Quod dii omen
avertant, ou seja, queira Deus que tal não aconteça.
E os dois crápulas
puseram-se a rir, aqui na minha cara. É, seu padre, um morto a mais, que falta faz, não
é mesmo? No Brasil tem tanta gente melhor que eu, que tanto faz estar vivo ou morto! O
padre:
Alguém disse: as
grandes elevações da alma não são possíveis a não ser na solidão e no silêncio.
deve ser por isso que o vigário faz tanta elevação.
Ex ore tue te judico,
ou seja, condeno-te por tua palavra.
Ainda bem que estão saindo e
foram discutir lá nos fundos, onde é o lugar conveniente para eles: nos fundos. Oras,
bolas, discussão metafísica por cima do meu corpo, não! Quer dizer que a minha irmã
anda dando para aquele rapazinho acanhado. Muito bem! Deixa a mãe dela saber. Ou mesmo a
dele. Deve estar lendo breviário de padre sob o corpo de algum macho.
Agora é o meu tio
explicando, não sei para quem, o rolo que deu para conseguir vaga no cemitério. E eu
sempre pensei que a gente teria um lugarzinho por lá, já reservado com antecipação.
Parece que o rolo foi na prefeitura, que não queria liberar não sei o quê, sem o
atestado de óbito.
Aí então eu disse
para o rapazinho: olha aqui, ô fresco, acha que eu estou querendo vaga no cemitério para
enterrar o quê? O cu da mãe?
Boa tio! Dá- lhe mesmo!
Estes burocráticos têm que entrar bem. Dá-lhe! Arranca-lhe os fundilhos! Meus amigos
estão entrando. Vamos ver os comentários dos meus grandes amigos, aqueles que sempre me
acompanharam em todas as horas.
Amigo bom... prá todas as horas. (Sérgio)
Bebia um pouco ... (Dade)
Puxou o pai, pô... (Jorge)
O primeiro da turma a ir. (Sérgio)
É...(quem foi?)
Pois é... (Bosco)
Nunca o vi brigar,
tava sempre de bom humor (Caio)
Também com este
corpinho, ia brigar com quem? (Julio)
Julio, isto é hora de gozar? (Luiz Carlos)
Inteligentíssimo... e incompreendido, o que é pior. (Dade)
Esquerdista, mas não radical. (Jayme)
Meu primeiro namorado... (Ana Maria ou Ondina)
Ele caiu, né mesmo? (outro Jayme)
Foi... bebeu muito. Ia acabar nisso, sempre avisei. (Dade)
Me devia dez contos. (Menezes).
Porra, Menezes, eu pago. (Gutão, e duvido que pague)
Que coisa, hein? Já
pensaram bem no que aconteceu? Morreu o nosso amigo... Morreu mesmo. É dificil de
acreditar! Ainda ontem na faculdade...(Norminha)
Gente, vamos sair que
está uma fumaceira dos diabos aqui dentro. (Jayme)
Saíram. Tem um que saiu
chorando, não sei qual. Parece que ficaram alguns. Outra vez o tal mosquito! Mais uma
coisa imprevista; estou louco para dar uma mijada. Deve ter sido a cerveja.
Mas, viu, Bosco, é o
que eu sempre digo: o Flávio não serve nem para a Ponte Preta, muito menos para o maior
time do mundo, o Curintia.
Sairam rindo, o Bosco e o
Luiz Carlos. Minha avó está entrando. Já reconheço pelos passos, é a que mais zanza
aqui na sala e o reumatismo lhe deu um pisar característico. Vem mais alguém com ela.
Que o Santíssímo se
apiede desta alma! Eu o preparei para a primeira comunhão.
Que vontade de mijar! É a
Irmã Blanche, Frei ra das mais beatas e chatas do reino cristão
A vida é assim mesmo,
dona Joana, temos que nos conformar. Nosso Senhor o quis, tenha em mente isto. Pobre
rapaz, e a mãe, conformada? Aquele tio de Cambuí vai chegar a que horas? Gosto muito
dele. Sujeito simples, mas de um coração que só Deus tinha igual, ou melhor, tem. Ó
meu Deus, tenha piedade desta alma pecadora, mas boa, leve-a ao seu reino, tenha piedade!
Rezarei este terço pela alma deste nosso irmão que agora já desvenda os mistérios que
ficam para nós, os pecadores, que ainda não fomos convocados por sua infinita sabedoria
e misericórdia. (que vontade de mijar). Vamos rezar um terço, dona Joana?
Não agüento mais. Preciso
mijar, estou estourando. Vou levantar. Preciso mijar, meu Deus.
Por favor, dona Joana,
onde ponho esta xícara de café?
Vou mijar nas calças:
Enfia no rabo!!!
Minha avó morreu do
coração, a freira morreu de vergonha e eu morri de rir...