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BUSCANDO O SEU MINDINHO

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APRESENTAÇÃO

 

 


Prata:

Acabo de ler o seu dedo em aura de prazer e beatitude.

É um autêntico almanaque, transforma­do em forma estética. Pura autofagia li­terária (refiro-me às tuas próprias sinop­ses e livros e peças e crônicas que auto­devoras alegremente) de mistura com pirataria honestíssima e consciente.

A montagem desse material todo na moviola eletrônica do teu computador, valendo-se da história originalíssima do Mindinho, da mulher dele, dos seus an­tepassados e de seu malfadado e au­sente dedo mindinho, que vai costuran­do os elementos esparsos da narrativa, resultou num livro íntegro, surpreenden­te, lúdico até a alma, combinação de todos os gêneros - um circo literário, enfim. Da dispersão, em vez do caos, nasceu o Buscando o seu Mindinho.

É tudo muito simpático. Sobretudo, como já disse e volto a dizer, a inclusão gene­rosa do talento dos amigos, conhecidos e parentes, com o devido crédito. Você partiu prum cubismo pós-moderno. Não se vê mais aqui o antigo jardineiro que poda e apara os jardins bagunçados da realidade até transformá-los em ficção. Tu colhes agora árvores e flores direta­mente de muitos jardins, de variadas épocas e lugares, para construir um jardim totalmente diverso e idiossincrático, on­de cada exemplar, preservado em sua autenticidade, é a semente de uma no­va história - de um novo jardim. (Aliás, você já vinha fazendo isso há tempos; mais do que um estilo, trata-se de um modo de construção literária.) Buscando o seu Mindinho é um romance feito de muitos romances.

0 conto safado do Germano é a coisa mais engraçada e pornográfica, a um só tempo, que já li. A historieta do garoto seguindo aquela bunda de mulher na procissão medieval portuguesa é demais. Melhor frase do livro (by Mindinho), sín­tese da relação conjugal: "É difícil viver sem, alguém te enchendo o saco."

Mais não digo. Se dissesse, teria de re­petir todas as palavras que já estão la­vradas em ata literária no teu almana­que. Agora é com os leitores, que têm aqui a chance de ouro de desamadure­cer um pouco e se tornar um pouco mo­leques como tu. Com uma vantagem adi­cional: Buscando o seu Mindinho é livro que não acaba nunca.

Reinaldo Moraes