A história que vocês vão ler agora,
começou a ser narrada pelo jornalista e escritor Mario Prata, a partir de novembro de 93,
nas páginas do jornal O Estado de S. Paulo, em forma de folhetim (três vezes por semana,
36 capítulos), assim que eu fui injustamente condenado a 32 anos de cadeia.
Com o passar dos primeiros capítulos, fui notando que o escritor e jornalista estava a me
explorar. Sim, visitava-me no Carandiru, gravava umas besteiras que eu dizia e saía de
lá todo historiador. Publicava e ganhava um polpudo salário.
Pouco a pouco fui
percebendo que eu mesmo poderia escrever a minha própria vida. Foi quando reivindiquei
junto à alta cúpula do jornal o direito de, eu mesmo, vir a escrever a minha desdita. As
minhas memórias. Ganhei a causa. Apesar de ser péssimo na colocação das virgulas, tive
o apoio e agora agradeço publicamente do igualmente condenado Professor
Ulysses que muito me ajudou.
O que você vai ler a seguir é apenas uma parte da minha
vida. Recentemente estive em Hollywood fui ver a Copa e vendi a minha
verdadeira história para a Paramount. Portanto, para saber toda a verdade sobre a minha
vida, o meu crime, as minhas mulheres e, principalmente, as minhas chantagens, aguarde o
filme. Será estrelado pelo Robert Redford. Eu queria o Paul Newman, mas ele está,
realmente, acabado para desenvolver o meu porte.
Quando assumi a escrita deste livro,
cheguei a esboçar um pequeno prolegômenos que, aliás, está lá no meio do livro
mas agora o Mario Prata, que é irmão do Leonel Prata, dono, junto com a Ana
Luiza, da Cartaz Editorial, preferiu convocar um amigo deles (Reinaldo Moraes) para
prefaciar esta obra. Provavelmente choverão loas e mais loas ao aldrabão do Mario Prata.
Mas o arguto leitor ou a arguta leitora (sou mais lido por mulheres) saberá perceber
quais são os bons capítulos. Os escritos por ele ou os escritos por mim. Os leitores do
Estadão já decidiram. Recebi muito mais cartas do que ele, durante a publicação desta
então minissérie, no último verão. Numa coisa o Mario Prata está certo: eu comi
primeiro!