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JAMES LINS (O PLAYBOY QUE (NÃO) DEU CERTO)

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A história que vocês vão ler agora, começou a ser narrada pelo jornalista e escritor Mario Prata, a partir de novembro de 93, nas páginas do jornal O Estado de S. Paulo, em forma de folhetim (três vezes por semana, 36 capítulos), assim que eu fui — injustamente — condenado a 32 anos de cadeia. Com o passar dos primeiros capítulos, fui notando que o escritor e jornalista estava a me explorar. Sim, visitava-me no Carandiru, gravava umas besteiras que eu dizia e saía de lá todo historiador. Publicava e ganhava um polpudo salário.

Pouco a pouco fui percebendo que eu mesmo poderia escrever a minha própria vida. Foi quando reivindiquei junto à alta cúpula do jornal o direito de, eu mesmo, vir a escrever a minha desdita. As minhas memórias. Ganhei a causa. Apesar de ser péssimo na colocação das virgulas, tive o apoio — e agora agradeço publicamente — do igualmente condenado Professor Ulysses que muito me ajudou.

 O que você vai ler a seguir é apenas uma parte da minha vida. Recentemente estive em Hollywood — fui ver a Copa — e vendi a minha verdadeira história para a Paramount. Portanto, para saber toda a verdade sobre a minha vida, o meu crime, as minhas mulheres e, principalmente, as minhas chantagens, aguarde o filme. Será estrelado pelo Robert Redford. Eu queria o Paul Newman, mas ele está, realmente, acabado para desenvolver o meu porte.

 Quando assumi a escrita deste livro, cheguei a esboçar um pequeno prolegômenos — que, aliás, está lá no meio do livro — mas agora o Mario Prata, que é irmão do Leonel Prata, dono, junto com a Ana Luiza, da Cartaz Editorial, preferiu convocar um amigo deles (Reinaldo Moraes) para prefaciar esta obra. Provavelmente choverão loas e mais loas ao aldrabão do Mario Prata. Mas o arguto leitor ou a arguta leitora (sou mais lido por mulheres) saberá perceber quais são os bons capítulos. Os escritos por ele ou os escritos por mim. Os leitores do Estadão já decidiram. Recebi muito mais cartas do que ele, durante a publicação desta então minissérie, no último verão. Numa coisa o Mario Prata está certo: eu comi primeiro!