Este livro do Mario Prata é a versão muitíssimo bem-humorada do impacto
que ele sentiu ao tentar fazer-se entender e também ao tentar entender seus
interlocutores através da nossa "mesma" lingua. Profissional da palavra,
telenovelista de primeira, ficcionista de vanguarda e cronista dos costumes (além de
atleta de bares e botequins), ele registta aqui uma hilariante coleção de expressões
que foi descobrindo aos poucos nesta sua etapa no Portugal de hoje (pós-CEE).
É claro que ele, como muitos de nós, leu na escola os clássicos da literatura
portuguesa e, graças à influência do Movimento Modernista de 22, o permanentemente
atualíssimo Fernando Pessoa. Grande Pessoa.
Mas também é claro,
como ocorreu a muitos de nós, que viemos viver o quotidiano de
Portugal nestes últimos anos, que ninguém pensou previamente na evolução da lingua e
dos costumes que os portugueses adotaram desde aépoca "pessoana". Afinal,
sempre imaginamos saber tudo a respeito de "nossa" lingua oficial, o português.
" Se calhar", algumas interpretações serão, "p'rtanto", contestadas
pelos puristas "d'aquém-mar". Mas, cá como lá, estamos, "pois",
seguros de que "tudo resultará em águas de bacalhau", a curtir de modo
fraterno esta, mais uma, divertida piada. "Nomeadamente", a do brasileiro, ou a
do português.
Um pouco de "fita-cola", ou uns "agrafos", ou até mesmo uns
"pensos rápidos", para juntar os contextos e os costumes, garantirão nossa
permanente amizade apesar de diferenças "pontuais". Ainda bem. E
carinhosamente. É um belo povo e uma belissima nação GRANDA PORTUGAL.
Zulmira e Walmes Nogueira Galvão, que
(ainda) não voltaram.