O senhor Mario Jorge Lobo Zagalo é inteligente, competente e
honesto. Até aqui, tudo bem.
O senhor Mario Jorge Lobo Zagalo, se fosse um cidadão inglês
(bochechas vermelhas para tanto, já as tem), seria condecorado por Sua Majestade e se
chamaria Sir Mario George Wolf Zacock. Um afônico Sir Wolf Zacock (ele deve saber que
cock tem um outro significado em inglês).
Único tetra-campeão do mundo, Sir Wolf Zacock tinha tudo para ir
cuidar da vida dele e deixar nós (e o mundo) em paz. Mas ele tem um plano na vida: quer
ser penta-campeão do mundo. Nós também.
Mas podem vocês ter certeza que aqui no Uruguai ele já está sendo
alcunhado por toda a imprensa internacional de o único "penta", no outro
sentido.
E isso, porque Zagallo (que agora colocou mais um "L" no
sobrenome) só diz uma coisa em todas as entrevistas que dá, sejam elas coletivas ou
exclusivas, sejam para jornais do Brasil, sejam (principalmente) para os 2.711 jornalistas
credenciados estrangeiros:
- Sou o único tetra-campeão do mundo. Não tenho que provar mais
nada a ninguém.
Fala isso diariamente. Acho grave essas afirmações.
Se não tem que provar mais nada a ninguém, não deveria estar no
comando da seleção. Porque a seleção sim, que que provar a cada hora, a cada dia, a
cada competição, que é a melhor do mundo. Aqui, em Atlanta ou na França.
Sir Wolf Zacock recebe um alto salário "para não provar
nada"? De onde vem o dinheiro da CBF? Dos clubes. E o dinheiro dos clubes? Das
rendas. E as rendas? Do nosso bolso. Portanto, Sir Wolf, quem está pagando somos nós. E
o senhor está a nos desrespeitar. Term um centavinho aí no seu olerite que é meu.
O senhor não precisa ir para Paris tentar ser penta. Já é,
senhor,infelizmente, um super penta.
Para mim e todos os correspondentes estrangeiros que estão aqui.
Todos comentam, incrédulos e indignados, a sua arrogância e não entende como a CBF
deixa no cargo alguém que não cansa de dizer que é o único tetragalo do mundo: em duas
copas, como jogador, era o formiguinha de um ataque que tinha Garrincha, Didi, Vavá,
Pelé (Amarildo, em 62) e ele. Em 70, como técnico, existe aquela eterna dúvida que não
cabe aqui analisar. E em 94, o Brasil não foi campeão. Não ganhou nada. Foram os outros
que perderam.
Eu dizia que os colegas internacionais não entendem como a CBF
deixa esse homem no cargo, já que ele "não tem que provar nada". Tentei
explicar para eles o que significa a palavra "penta" no Brasil. Logo um deles
entendeu:
- Ah, si, "pelotudo". Zagalo és un "pelotudo",
por supuesto!
Deixa disso, Zagalo. Prove para você mesmo e para nós todos sua
eterna competência. Seja penta, nunca "penta".
Ou então mude o discurso, tetragalo, antes de se transformar num
tetraplégico da bola e da razão.
PS - Esta crônica foi escrita antes do jogo Brasil e Estados
Unidos. Que a gente deve ter ganho, por supuesto.
Recado ao Maranhão:
A entrevista do Ghiggia foi mostrada em dois debates de televisão,
aqui do Uruguai. No canal 4 e no 10. Não citaram o meu nome, mas sim o nome do jornal,
com destaque, que é o que vale (arght!).
O joelho (assim como o amor) está melhor.
prata