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Zagallo conseguiu: é penta

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o estado de s. paulo

13/06/98

 


São Paulo - Ele se esforçou e conseguiu. No sábado, ele dizia que “Paris é uma bela cidade para ser penta”. Primeiro, foi a Copa América de 95, no Uruguai. No ano seguinte, foi bi, perdendo a Olimpíada feito um bobo. Achei que ele ia se mancar. Tri, no Torneio da França, tetra lá nos Estados Unidos (sempre perdendo para os donos da casa) e ontem foi a consagração. Cinco não-títulos em três anos. Ele merece. Ele é penta! Hoje, dia 13, deve acordar feliz.

Três dias atrás, sei lá porque, bateu alguma coisa na minha cabeça e resolvi voltar ao Brasil. Tinha alguma coisa no ar de Paris além do cheiro de Gauloise. Não conseguia explicar nem para mim nem para ninguém. Voltei. E ontem, sozinho, no meu apartamento, comendo McDonald’s, já prevendo o pior, já sabendo que o homem era o técnico mais perdedor que o Brasil  já conhecera em tão curto espaço de tempo, vi o Zagallo atuar muito bem como  pegador de bola, como gandula.

Tem seu lado bom, essa goleada. Com a queda do bastilho, muita coisa deve mudar no futebol brasileiro. Zagallo agia no “nosso” comando como um velho militar de pijamas que teimava em não ir para a reserva, achando que a redentora de 64 ainda vigorava no Brasil. Ele nunca saiu dos anos 70. Teimoso, gostava de torturar a todos nós, jornalistas, torcedores e donas de casa. Nunca ouviu ninguém. Dizem que é surdo. Zico, que vergonha!, não passou de um inspetor de gramado. Nós, jornalistas, tivemos mesmo que engolir o homem. E você, triste como eu, também. Engolir com óculos e tudo.

Perdemos a copa. Mas não foi da Argentina que perdemos, nem da Inglaterra, nem da Itália, nem da Alemanha, nem do Uruguai. Perdemos de uma França (com dez!) que chegou até o jogo de ontem capengando. Um time que ganhou do Paraguai (Paraguai!) na prorrogação. Um time que ganhou da Itália nos pênaltis. Um time de um craque só. E, com um craque só e um craque a menos, nos goleou. Merecidamente.

Perdemos a copa com os melhores jogadores do mundo. Só que, na mão e na cabeça dele, não sabem jogar o feijão com arroz de sempre. Parecia que jogavam com medo do velho major, com receio de terminarem seus dias presos na caserna da cbf.

Da onde saiu esse milico penta campeão? De uma contusão do Canhoteiro, em 58. Ganhou a posição e o Didi, o Zito, o Pelé, o Garrincha, o Vavá, o Djalma Santos, o Belini, o Newton Santos dividiram o copa de 58 e 62 com ele. Em 70, dizem, os jogadores resolviam, dentro do campo, mudar os esquemas. Gerson, Pelé, Rivelino, Tostão, Brito, Jairzinho, Clodoaldo. Impossível não ser campeão do mundo com eles.

Como era impossível não ser campeão do mundo com Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo, Dunga, Denilson, Cafu, Juninho, Raí, Marcio Santos,  e tantos outros.

Ele conseguiu.