São Paulo - Ele se esforçou e
conseguiu. No sábado, ele dizia que “Paris é uma bela cidade para ser
penta”. Primeiro, foi a Copa América de 95, no Uruguai. No ano seguinte, foi
bi, perdendo a Olimpíada feito um bobo. Achei que ele ia se mancar. Tri, no
Torneio da França, tetra lá nos Estados Unidos (sempre perdendo para os donos
da casa) e ontem foi a consagração. Cinco não-títulos em três anos. Ele
merece. Ele é penta! Hoje, dia 13, deve acordar feliz.
Três dias atrás, sei lá porque, bateu
alguma coisa na minha cabeça e resolvi voltar ao Brasil. Tinha alguma coisa no
ar de Paris além do cheiro de Gauloise. Não conseguia explicar nem para mim
nem para ninguém. Voltei. E ontem, sozinho, no meu apartamento, comendo
McDonald’s, já prevendo o pior, já sabendo que o homem era o técnico mais
perdedor que o Brasil já conhecera
em tão curto espaço de tempo, vi o Zagallo atuar muito bem como pegador de bola, como gandula.
Tem seu lado bom, essa goleada. Com a
queda do bastilho, muita coisa deve mudar no futebol brasileiro. Zagallo agia no
“nosso” comando como um velho militar de pijamas que teimava em não ir para
a reserva, achando que a redentora de 64 ainda vigorava no Brasil. Ele nunca
saiu dos anos 70. Teimoso, gostava de torturar a todos nós, jornalistas,
torcedores e donas de casa. Nunca ouviu ninguém. Dizem que é surdo. Zico, que
vergonha!, não passou de um inspetor de gramado. Nós, jornalistas, tivemos
mesmo que engolir o homem. E você, triste como eu, também. Engolir com óculos
e tudo.
Perdemos a copa. Mas não foi da
Argentina que perdemos, nem da Inglaterra, nem da Itália, nem da Alemanha, nem
do Uruguai. Perdemos de uma França (com dez!) que chegou até o jogo de ontem
capengando. Um time que ganhou do Paraguai (Paraguai!) na prorrogação. Um time
que ganhou da Itália nos pênaltis. Um time de um craque só. E, com um craque
só e um craque a menos, nos goleou. Merecidamente.
Perdemos a copa com os melhores
jogadores do mundo. Só que, na mão e na cabeça dele, não sabem jogar o feijão
com arroz de sempre. Parecia que jogavam com medo do velho major, com receio de
terminarem seus dias presos na caserna da cbf.
Da onde saiu esse milico penta campeão?
De uma contusão do Canhoteiro, em 58. Ganhou a posição e o Didi, o Zito, o
Pelé, o Garrincha, o Vavá, o Djalma Santos, o Belini, o Newton Santos
dividiram o copa de 58 e 62 com ele. Em 70, dizem, os jogadores resolviam,
dentro do campo, mudar os esquemas. Gerson, Pelé, Rivelino, Tostão, Brito,
Jairzinho, Clodoaldo. Impossível não ser campeão do mundo com eles.
Como era impossível não ser campeão
do mundo com Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo, Dunga, Denilson, Cafu, Juninho,
Raí, Marcio Santos, e tantos
outros.
Ele conseguiu.