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Viajando com Mario Prata

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Revista EMBRAER (recusado)

1999

 


vôo um – com marta rocha – anos 50

Marta Rocha, miss Brasil. Duas polegadas a mais. Mas, até hoje, nosso símbolo máximo de miss. E a Marta Rocha, quem diria, foi a Lins, interior de São Paulo.

Seu João Arantes, fazendeiro e mulherengo, ficou petrificado com a beleza da moça. Colocou uma coisa na cabeça. Tinha que pegar nela, encostar. Ela tinha ido para a cidade no DC-3 da Real Aerovias. Em cima da hora o seu João Arantes deu um jeito de conseguir uma passagem no vôo de volta.

No dia seguinte estava de volta. Tinha pegado nos seios dela.

- Mas como é que foi isso, seu João?

- Seguinte: o avião joga muito, você sabe. Então, eu fiquei o tempo todo andando pelo corredor, esperando uma chacoalhada boa quando eu estivesse perto da cadeira dela. Não deu outra, num solavanco daquele, eu cai em cima dela com uma mão em cada peito. E foi uma luta pra me tirarem dali.

vôo dois – com birigui – anos 60

Outro fazendeiro, tio meu, o coronel Prata, comprou umas terras lá em Rondônia. E um teco-teco. Fez um campinho e descia lá na fazenda. E tinha um índio - domesticado, como ele dizia – que, um dia, pediu para voar com ele. O coronel levou ele até Uberaba. Ele adorou. A partir daquele dia, toda viagem de avião, lá estava o Birigui.

Até que um dia, sobrevoando baixo, o coronel viu os destroços de um pequeno avião lá no solo. Coisa antiga, abandonada. O índio perguntou o que era aquilo.

- Aquilo lá é um avião que caiu.

Birigui abriu os olhos e a boca, estupefato:

- Isso cai?

Nunca mais andou de avião.

vôo três – com mr. stewart – anos 70

Uma confusão danada no embarque da Ponte-Aérea. Sei lá porque, um tal de Mr. Stewart tinha que embarcar primeiro. E o encarregado ficava gritando: Mr. Stewart! Mr. Stewart! E nada do cara aparecer. A plebe já irritada. Era no tempo da ditadura e americano tinha uma certa regalia.

De repente todo mundo que queria embarcar começou a gritar, em coro:

- Mr. Stewart! Mr. Stewart!

Até que o gringo apareceu e levou a maior vaia. Foi até chutado. E o subalterno e submisso encarregado, tentando explicar, em inglês:

- Sorry, that is a sculhambacion!

vôo quatro – com pelé – anos 80

Viajo muito pela ponte-aérea e, antes do avião levantar vôo, sempre dou uma geral procurando gente famosa: jogador de futebol, cantor, político, atriz. E sempre tem uns três ou quatro mais conhecidos do que eu. É que eu fico imaginando que, se o avião cair, o meu nome vai sair nas manchetes, no interior da matéria ou, em último caso  em "e outros".

Pois um dia dei uma geral e não tinha ninguém famoso no avião. Se caísse, eu era manchete de primeira página. Estava lá todo satisfeito com a minha morte quando entrou o Pelé.

O avião não podia cair de jeito nenhum.