Várias
coisas me deixam perplexo no Zagallo. Até mesmo, não sei o por que, os dois
eles do nome. São de lobo. Mas o que me deixa mais perplexo mesmo,
boquiaberto, pasmo, lívido, é a total falta de tato com os jovens. Zagallo
nunca deve ter lido nem uma crônica na Claudia sobre psicologia.
De
uns tempos para cá ele deu para chamar os jogadores com idade em torno de 30
anos de “velhinhos”. Claro que ele diz isso de uma maneira simpática,
bonachona, de paizão mesmo. Modelito que gosta de fazer, depois que ficou
mais velhinho.
Sei
não. Ninguém, fora os adolescentes, gosta de ser chamado de velho ou velha.
Mesmo afetivamente. Qualquer que seja a idade que tenhamos. Mas um sujeito com
trinta anos, virando a curva, driblando a própria esquina da vida, tem lá
seus problemas, sofre muito mais com a coisa. É a chamada hora da verdade.
Chega de ser moleque, deixa eu cair na real. É quando os homens resolvem ser
pais. Sentem que viraram gente.
O
jogador de futebol com 30 anos está vivendo, na sua carreira profissional, os
seus últimos anos, o canto do cisne. É uma carreira atípica. Quando ele,
finalmente, tá sabendo tudo, vai para a reserva e, dali, para casa. O jogador
de futebol sabe que está em fim de carreira e, pior, que isso é irreversível.
Até hoje a Fifa, que tem filiados em duzentos países, jamais registrou um
caso de jogador que tenha, com o passar dos tempo, ficado mais jovem.
Neste idade o cara não tem a menor idéia do que vai ser a vida dele dali a
dois, três anos. Você já pensou nisso, Zagallo? Quando você foi campeão
do mundo em 58, tinha 28 anos. Já devia estar preocupado com o assunto.
Jogador
de futebol e modelo. Para estes profissionais, fazer 30 anos assusta. 31 então,
nem pensar. Meu Deus, e com 35?
Aldair,
Dunga e Romário, os três velhinhos do Zagallo, devem estar sofrendo e muito
com esse negócio. Para mim, três jovens homens. Para o futebol e para
Zagallo, três simpáticos velhinhos. Velhinhos craques.
Já
que o papo é esse, eu poria mais uns velhinhos no time: Raí, Mauro Silva e
até o outro, o Galvão. O técnico diz que só quer três velhinhos, porque o
time dele precisa correr. Meu querido Zagallo, você com quase setenta 70 anos
sabe que, hoje em dia é melhor dar uma tirando (com a experiência de
velhinho) do que dar cinco (penta?) sem tirar (com aquela nossa velha inexperiência).
Acho
que a nossa seleção devia usar a sabedoia dos mais velhos. Dos jogadores
mais velhos. E não do técnico. Correria no futebol é coisa de europeu, de
alemão. Veja aquela seleção de 70 onde o Zagallo era o técnico. Jogava
quase que parada, a bola rolando de geniais pés para geniais cabeças. Um
baile, uma valsa, só comparável com aquele meio de campo com o Cerezzo, Falcão,
Zico e Sócrates.
Trinta
anos, começo da maturidade. Velhinhos? Jogue a bola na cabeça deles,
Zagallo, como você fazia para o Pelé em 58 e Vavá e Amarildo em 62. Mas
procure entender a cabeças desses rapazes. São bem mais novos que seus
filhos. Eles querem ser tratados como meninos, meninos bom de bola, boleiros.
Vamos
deixar esse negócio de velhinho de lado. Dá gemada para eles.
***
E
por falar em técnico e psicologia, eu fico olhando para o Wanderley
Luxemburgo e não entendo aquela roupa dele. Aquele terno impecável, aquela
gravata do Mappin Movietone.
Na
Europa, tudo bem, faz frio, é comum o uso do terno. Mas aqui do Brasil,
Luxemburgo? Com esse sol, sem esse gol? Para sentar naquele banquinho de
cimento sujo do banco de reserva? Com aquela grama molhada sujando a barra da
calça? E o xixi que jogam da arquibancada, cai onde?
O
Luxemburgo vestido daquele jeito, não lembra segurança do Maluf?
Eu
acho que o Luxemburgo é doido. Pensa bem. Me dê um motivo para aquela
fantasia. Um só. Basta um que eu calo a boca. Acho que deve ser algum
problema psicológico também. Logo um cara tão talentoso como ele?
Fico
imaginando a mulher dele, lidando com os ternos sujos:
-
Olha aí, Wander, a bunda tá toda puida! E os carrapatos, então? E o pior é
o Junior que quer porque quer ir lutar judô, de terno.
Quem
deve gostar disso é a lavanderia da esquina. São uns três ternos por semana
para lavar.
Pensando
bem, todo técnico de futebol brasileiro é doido. Tem um até que bate em
jornalista. Mas aí já é caso para psiquiatra.