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TÁ TODO MUNDO LOUCO

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ISTOÉ

1999

 


Gente, o Brasil endoidou de vez. Deu um crash na cabeça de muita gente por aqui. Apenas numa semana aconteceram seis barbaridades dignas das mentes do Planeta Casseta que é como deveria se chamar o nosso imenso país.

Primeiro, foi a aula de marketing que a Polícia Federal deu ao Brasil em relação ao modesto Planet Hemp que, da noite para o dia saiu do palco para a cela das celebridades. O que tem de criancinha por aí perguntando o que é maconha para os pais não está baseado em nenhuma lei. Como bem disse a Rita Lee:

- Acho muito pior a divulgação, pela televisão, dos anúncios de cigarro e uísque.

Logo depois, o secretário das Administrações Regionais do prefeito Pitta diz que “o brasileiro é porco”. Depois, brinca:

- Não foi uma ofensa, até porque, sendo palmeirense, sou porco também.

Não satisfeito, explica-se:

- Estava me referindo aos camelôs.

Ah, bom.

Em Santa Catarina as coisas também estão ótimas. Finalmente descobriram que o Bandido da Luz Vermelha é doido varrido, coisa que o brasileiro vem atestando cada vez que ele aparece na televisão. E um médico enche a cara de cerveja com ele, tentando levá-lo para um hospício. Pior, o médico fingiu estar passando mal e pediu para o Luz levá-lo para o hospital. Esqueceu que nem todo louco é burro. Principalmente quem se acha santo e pássaro solto, como se autodefine o louco.

Vamos agora ao Paraná. O prefeito de Bocaiuva do Sul proibiu a venda de camisinha e qualquer outro tipo de anticoncepcionais nas farmácias da cidade. E mais fez: isenção de impostos durante cinco anos para quem abrir motéis na cidade. Ele quer aumentar a população da cidade para receber o um aumento no repasse do Fundo de Participação dos Municípios.

A população da cidade estava diminuindo e o repasse, consequentemente, idem. Será que não passou pela cabeça dele que, sem as camisinhas e com o problema da Aids, a população possa diminuir ainda mais? Ele refletiu o seguinte:

- Proibindo a venda dos preservativos, fico de bem com o papa e ainda incremento o comércio de uísque e de flores para os amantes. Passou dos catorze anos já pode entrar nos motéis.

Ah, bom!

E por falar em amantes, vamos para Araraquara. Sempre Araraquara do Celso Martinez Correa e do meu querido Ignácio de Loyola Brandão. A Câmara Municipal aprovou uma lei (projeto do prefeito) que proíbe a venda de revistas, livros e etecétera considerados “subversivos ou obscenos”. Só que a lei não explica o que é subversivo nem obsceno. Mas um vereador do PPB local foi dando a sua explicação lógica:

- A  lei é apenas para preparar a cidade no caso da volta da censura por parte do governo federal.

Ah, bom!

Mais interior de São Paulo: Sorocaba. Uma funerária local, ao comemorar um ano de existência (ou de morte), resolveu oferecer um funeral completo de graça para quem morresse exatamente no dia do aniversário da Funerária Ossel (não seria Ósseo?).

Os donos acreditavam que entre 12 a 15 felizardos seriam contemplados na última terça-feira. O pensamento vivo dos proprietários:

- A família e os amigos ficam em um ambiente com cascata, aquários com peixes coloridos, plantas e música ambiente (Planet Hemp?).

Ah, bom!

E tem mais: caixão importado, coroa de flores, transporte em carros de luxo, além do atestado de óbito. Tudo de graça. Mais ainda: toda a família e amigos tiveram direito a café sucos variados e chá com biscoitinhos.

Você aí de Sorocaba que está me lendo e, por conseguinte, não morreu na terça-feira, vai ter que esperar até o ano que vem. Boa sorte. Ou melhor, boa morte.