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o estado de s. paulo

22/08/2001

 


Vamos e venhamos, e sejamos honestos. O Brasil não deu certo. Estamos devendo uma grana que não tem jeito de pagar. Os bancos internacionais se instalaram na paulista Paulista. Nem o futebol se entende mais. Vamos deixar o patriotismo brasileiro de lado. Erramos. Falimos. Acontece, né?

Vamos então seguir o exemplo da velha URSS que, quando percebeu que estava indo para a cucuia, se dividiu em várias. Vamos fazer o mesmo aqui. Baixa-se uma Medida Provisória e o Brasil acaba. Não existe mais Brasil. Cada Estado vai ser um país. Independente, nada mais devendo para a antiga união, a República Federativa do Brasil. Não existindo mais Brasil, os municípios também não vão dever mais nada. Ou seja, ninguém paga ao FMI a nossa dívida externa e a interna some.

De cara, temos várias coisas boas. Acaba a agonia dos jogadores de futebol na hora (logo antes do jogo) do Hino Nacional, com aquela letra de exatamente dois séculos atrás, o duque de Caxias deixa de ser o patrono do extinto Exército brasileiro. E a seleção nacional não passa mais vergonha. E nunca mais vamos discutir se o avião foi mesmo descoberto por um brasileiro.

O sabiá não cantará mais nesta terra.

Cada Estado, virando um país, terá a autonomia para decidir que tipo de governo vai querer: monarquia, presidencialismo, parlamentarismo, principado, etc.

A Bahia, por exemplo, pode virar um país chamado Yleayê, e ser um belo reino. O rei, claro, será o Rei Antônio Carlos I.

Bastará um rápido plebiscito para o país de São Paulo passar a se chamar Corinthians.

O Lula, finalmente, será presidente da República. Lá do Estado dele no Nordeste. Claro que alguns novos países poderão se unir. Sergipe e Alagoas, por exemplo. Outro, como o Rio de Janeiro, pode ser, à moda de Mônaco, um principado. E o príncipe, sugiro o Jorginho Guinle, que sabe dessas coisas de balneário.

A coisa pode ficar preta lá no Rio Grande do Sul, que se chamará Pampa, após o caudilho Leonel Brizola descer com sua coluna para lá, todo nervoso e falando em Prestes.

O Pará virará o Reino Unido do Pará e Barbalho.

Minas será inteiro um país só para o Itamar (que se chamará subcomandante Franco), um país superarmado que vai querer criar litígios com seus vizinhos. O subcomandante Franco, tenho certeza, vai querer invadir Goiás para, como no jogo de War, chegar ao pequeno país chamado Gama (ex-Brasília).

Vocês acham que eu estou brincando, mas a coisa é séria. Isso vai resolver o problema de 170 milhões de ex-brasileiros.

Vejam o caso do futebol, por exemplo. Imaginem a Copa América com mais 26 países a disputar as vagas para as eliminatórias da Copa de 2006. Imaginem as novas rivalidades. A Taça Libertadores terá pelo menos 60 equipes. O Comitê Olímpico Internacional, terá que receber todos estes novos países.

Os nordestinos que estão em São Paulo vão todos voltar para o Nordeste. Os gaúchos que foram para a Rondônia vão voltar para lá. O Acre vai logo fazer negócios com a Colômbia e a Bolívia. Problema lá deles, não temos nada a ver com isso.

Vai ter cadeira vaga de presidente a dar com pau. O Ciro volta para o Ceará.

O Fernando Henrique retorna a São Paulo para tentar continuar no poder por aqui.

Quem diria que vocês aí de Teresina poderiam morar na capital do país mais quente da América do Sul? O Mato Grosso do Sul, finalmente, se chamaria Pantanal.

E as moedas de cada país, então? Na Bahia, o dinheiro vai se chamar Olodum.

No Rio de Janeiro, Praia. Quanto custa? Três Praias. Em São Paulo, Paulistão. No Pampa, Tchê. Em Minas, Quindim. Quantos Oluduns valerá um Quindim?

Vocês estão rindo, mas é sério. Pode dar certo. Pensa nisso, Fernando Henrique. Você ficará eternamente conhecido como o cara que acabou com o Brasil. Numa boa, com apoio de todos os ex-governadores, hoje brigando pelos seus principados e protetorados.

A ONU e o FMI vão ter que apoiar. Os Estados Unidos vão reconhecer a existência de tantos novos países. Afinal, os novos países da América do Sul, serão novos pratos cheios para eles.

Pensa nisso, presidente. Quanto a mim, me contento com o pequeno Reino Unido de Lins e Região.