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O SUBCOMANDANTE E SEUS SUBTÍTULOS

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o estado de s. paulo

23/12/95

 


Meu velho amigo e Comandante Fernando Moraes me liga a uma da manhã, sem ao menos perguntar se eu dormia ou namorava, dando uma sonora gargalhada para, em seguida, fazer uma sublime constatação:

- Você notou que, no nosso tempo, os bons guerrilheiros eram todos Comandantes? Comandante Guevara, Comandante Fidel... E você viu o nome do lider zapatista no México? Subcomandante Marcos.

E eu fui dormir com o Subcomandante na cabeça e a pensar no seu processo de subversão em Chiapas, sem nenhuma subvenção oficial. Não consegui mais subtrair isso da minha cabeça.

Por que Subcomandante e não Comandante, já que foi ele  que se sub-autonominou?

Deve estar lá no meio do mato com seus Subcabos, Subrrecos e outros novos substantivos, subitamente.

Mas, se ele é Subcomandante, ele é subalterno de quem? Quem é o Comandante? Deus? Estava com isso no meu subconsciente, sem conseguir dormir, ainda com a gargalhada do Fernando na minha orelha: seria ele um subchefe?

Mesmo em países mais subdesenvolvidos, o homem era sempre o Comandante. Soube que já tentaram subornar o homem que, aliás, chama-se Rafael Sebastián Guillén Vicente, que mais me parece nome de personagem de subliteratura. Mas ninguém vai conseguir substituí-lo.

Ele quer submeter os mexicanos a um separatismo. Quer subdividir o México. Terá sustância e substância para tal? Como Chiapas é uma das regiões mais pobre do país, talvez ele esteja com planos bem suburbanos. Mulheres e crianças correm o risco de contrair malária ou serem picados por cobras e insetos que saem do subsolo, complicando a subsistência por lá.

Será que o Subcomandante tem submarino, para submergir com a sua revolução popular? Seria melhor que o presidente Zedelli não o subestimasse na subida da serra de Chiapas, e fosse cuidar dos subterrâneos do poder.

O Subcomandante já deixou subentendido que conta com 10 mil homens e qualquer outra informação seria subjetiva. Ou isso seria apenas uma jogada subliminar, para subtrair algum dividendo bélico?

Informou ainda que não vai se submeter aos três mil homens do governo federal. O Subcomandante não é um homem submisso e nunca participou de nenhuma negociata política e nem de nenhuma sublegenda, como afirmou sub-repticiamente.

E na ausência do Subcomandante, quem o substitui? Quem vai ter esta subida honra?

PS - Que fique claro que, para escrever este subtexto, usei do subterfúgio  do Comandante Aurélio.