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Ronaldinho, em dois toques

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o estado de s. paulo

1997

 


Outro dia uma simpática leitora me deu um toque: estou escrevendo muito sobre futebol. Talvez por não ser um jornalista esportivo, eu vejo as coisas com um certo distanciamento.

Mas a de hoje é mais sobre amor, sexo e tesão.

Vou dividir a crônica de hoje em duas partes. Esta primeira estou escrevendo antes de assistir pela Band La Coruña e Barcelona. Depois do jogo eu vou continuar.

E vou logo explicando. O nosso craque maior já arrumou uma loira. Como todos os outros ricos e mulatos. Carro importado e menina loira. Deve fazer parte do contrato.

E como todas as loiras, esta "atriz e modelo" (nunca são uma coisa só) começou a colocar as manguinhas de fora. Primeiro disse para a imprensa de todo o mundo que o Ronaldinho preferia estar jogando no Real Madrid. Pode ser mais esperta do que isso? Imaginem o presidente do Barça, o técnico e, pior de tudo, os colegas de grupo.

Mas ela não parou aí: disse para a mesma imprensa que há um mês que eles passam quase todas as madrugadas ao telefone. E nesse mês o Ronaldinho não marcou nenhum gol. A não ser com a mão. Coincidência?

E só neste mesmo mês passado veio duas vezes ao Brasil, sendo raptado pela moça já no aeroporto. E queria vir mais uma vez para passar o reveillon em Angra dos Reis. Mas ficou lá, de castigo.

Não tenho nada contra o Ronaldinho. Pelo contrário. Lá na Califórnia, cobrindo a Copa, eu já batalhava pela sua escalação num ataque com três. Também não tenho nada contra a moça (muito bonita, por sinal) que não me parece mal intencionada.

Ela só está, dentro do seu amor pelo craque, abusando. Deixe o menino um pouco em paz, menina. Pega leve. Conversa de dia com ele.

Sabe por que, meu bem? Porque se ele continuar assim, vai acabar rescindindo seu milionário contrato com o time. E depois de casados, quando vocês se divorciarem (isso é fatal, veja os exemplos) vai sobrar muito pouco dinheiro para ele e você dividirem.

Entendeu, meu bem?

 

(Agora eu vou assistir ao jogo e ver se o Ronaldinho dormiu bem nessa noite. Espero que sim, para alegria de todos nós brasileiros, inclusive a dele e a sua, meu bem).

Segunda-feira, de manhã.

Passei o domingo todo pensando em como cotinuar a crônica. Talvez tudo que eu tenha escrito lá em cima seja uma tremenda bobagem. Depois de escrever tudo aquilo fiquei com medo de torcer para o nosso Ronaldinho jogar mal. Impossível deixar de amar esse craque e não torcer por ele.

Juro que torci pelo Barcelona e pelo craque Ronaldo. Queria que ele marcasse pelo menos um gol. Acertou duas vezes a trave. Valeu. Mas correu pouco. O locutor da Band (aquele que passa o jogo todo "vendo um corpo estendido no chão") disse que o número 10 do Barça foi o melhor em campo. Exagerou, como sempre.

Impossível torcer contra o talento e o carisma do Ronaldo. O que eu quis dizer com o texto de abertura é que eu quero ver o garoto jogar por mais dez anos. Mesmo que seja acertando a trave. Mas sei que ele vai acertar muitas bolas lá dentro, no "véu da noiva", como diz um locutor das Minas Gerais.

Ele joga futebol pelo prazer, joga sorrindo. Às vezes até ri de si mesmo quando faz alguma bobagem. A bola para ele é um brinquedo de adolescente.

Assim como o seu amor pela atriz e modelo (e jogadora de futebol). Quero que os dois sejam felizes juntos ou separados, talvez até jogando juntos na Espanha.

Mas pega leve, Ronaldinho. Para também no amor não acertar apenas na trave.