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ROBERTO CARLOS (EN)CANTA, COMO LATINO-AMERICANO

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o estado de s. paulo

12/01/95

 


MONTEVIDÉU - Termina hoje a primeira fase da Copa América aqui no Uruguai. E os colegas da imprensa internacional já elegeram a seleção desta etapa. É ficar lá embaixo no bar do hotel e começa-se a montar o que eles chamam de "El Equipo Ideal", que depois seria publicada no jornal El Observador.

Como assisti a todos os jogos (alguns ao vivo, alguns pela televisão) concordo com quase todos os nomes. Quase. Vejam como ficou a seleção desta fase:

Cristante (Argentina), Mendez (Urugaui), Balboa (Estados Unidos), Moas (Uruguai) e Roberto Carlos (Brasil). Meio de campo: Gutierrez (Uruguai), Acuña (Paraguai), Valderrama (Colombia) e Francescoli (Uruguai). Na frente: Balbo (Argentina) e Batistuta (Argentina).

Portanto, quatro uruguaios, três argentinos, um americano, um paraguaio, um colombiano e apenas um brasileiro, o Roberto Carlos, de Araras para o mundo. Eu colocaria o goleiro chileno Marcelo Ramirez que evitou que os argentinos marcassem mais oito ou nove no Chile.

Mas colocaria outros brasileiros nesta seleção preliminar.

Por exemplo: no gol. Tem pelo menos três goleiros aí no Brasil melhor do que esse argentino Cristante. Zetti, Ronaldo e Paulo Cesar, da Portuguesa. Mas ficaram no Brasil disputando um campeonato que nào dá lucro e destaque nem para os jogadores, nem para os cartolas. Qual é a importância de ser campeão paulista a essa altura do campeonato (das Américas)? Mas o Brasil é assim mesmo. É mais importante um campeonato regional do que uma Copa Intercontintal, televisada para todo o mundo. Parece que se esqueceram da responsabilidade de sermos tetra campeões mundiais. Como diriam aí no Brasil, essa seleção foi feita nas coxas (algumas contundidas).

Na lateral direita o Cafu é muito melhor do que esse Mendez, que não avança e é lento. Não se pode comparar o Balboa, dos Estados Unidos (!!!) com um Antonio Carlos do Palmeiras, por exemplo. E onde está o Celio Silva (na melhor forma de sua vida)? O Moas parece um beque de faenda, perto dele.

Vamos ao meio de campo: ninguém pode duvidar que o Zé Elias dá de 10 no Gutierrez. Seria a consagração deste garoto. Mas ele não está aqui. E o que dizer desse paraguaio Acuña diante de um endiabrado e jovem Giovanni? E o veterano Valderrama, bons em outros tempos, bem que poderia ceder o seu lugar para o Leonardo, caindo ali pela esquerda.

Lá na frente, na "seleçào ideal" estão Balbo e Batistuta, argentinos bons de bola, sin duda. Mas não chegam aos pés sagrados e milagrosos de um Bebeto e de um Romário bem dormido e fornido. Ou ate mesmo, e por que não?, de um Marcelinho Carioca e um esperto Ronaldo.

Com esses jogadores todos e com o devido respeito que deveríamos ter pela Copa América, o Brasil seria o campeão fácil.

Mas é tudo uma questão de calendário, como sempre. Quando é que vamos levar a sério a Copa América, senhores dirigentes?

Definitivamente eu não entendo os cartolas brasileiros. Para falar a verdade, acho que eles também não se entendem.

E, até aqui, o melhor técnico está sendo considerado o ainda jovem e bom Pssarela. Pois eu acho que o Brasil estaria melhor servido com o Ricardo Teixeira como técnico, o Eurico Miranda de auxiliar, o Kleber Leite de roupeiro e um bom massagista seria a dona Marlene Matheus.E o Farah como chefe da delegacia, perdão, da delegação.

Em tempo: já havia terminado este texto quando leio o jornal El Pais, que traz um ranking dos 23 melhores jogadores da Copa até agora. São nove uruguaios, quatro argentinos, três peruanos, três americanos, dois bolivianos, um paraguaio e um, apenas um, brasileiro, Roberto Carlos. Em compensação, em primeiro lugar ao lado do uruguaio Francescoli.

PS - Escrevi este texto antes do jogo Brasil e Colômbia.

PS2 - Domingo, uma entrevista exclusiva com Ghiggia, aquele que marcou o gol do título para o Uruguai, em 50, em pleno Maracanã. E o resto, como diria Shakespeare, foi o silêncio.