MONTEVIDÉU - Termina hoje a primeira fase da Copa América aqui no
Uruguai. E os colegas da imprensa internacional já elegeram a seleção
desta etapa. É ficar lá embaixo no bar do hotel e começa-se a montar o
que eles chamam de "El Equipo Ideal", que depois seria publicada no
jornal El Observador.
Como assisti a todos os jogos (alguns ao vivo, alguns pela
televisão) concordo com quase todos os nomes. Quase. Vejam como ficou a
seleção desta fase:
Cristante (Argentina), Mendez (Urugaui), Balboa (Estados
Unidos), Moas (Uruguai) e Roberto Carlos (Brasil). Meio de campo:
Gutierrez (Uruguai), Acuña (Paraguai), Valderrama (Colombia) e
Francescoli (Uruguai). Na frente: Balbo (Argentina) e Batistuta
(Argentina).
Portanto, quatro uruguaios, três argentinos, um americano,
um paraguaio, um colombiano e apenas um brasileiro, o Roberto Carlos, de
Araras para o mundo. Eu colocaria o goleiro chileno Marcelo Ramirez que
evitou que os argentinos marcassem mais oito ou nove no Chile.
Mas colocaria outros brasileiros nesta seleção preliminar.
Por exemplo: no gol. Tem pelo menos três goleiros aí no
Brasil melhor do que esse argentino Cristante. Zetti, Ronaldo e Paulo
Cesar, da Portuguesa. Mas ficaram no Brasil disputando um campeonato que
nào dá lucro e destaque nem para os jogadores, nem para os cartolas.
Qual é a importância de ser campeão paulista a essa altura do campeonato
(das Américas)? Mas o Brasil é assim mesmo. É mais importante um
campeonato regional do que uma Copa Intercontintal, televisada para todo
o mundo. Parece que se esqueceram da responsabilidade de sermos tetra
campeões mundiais. Como diriam aí no Brasil, essa seleção foi feita nas
coxas (algumas contundidas).
Na lateral direita o Cafu é muito melhor do que esse
Mendez, que não avança e é lento. Não se pode comparar o Balboa, dos
Estados Unidos (!!!) com um Antonio Carlos do Palmeiras, por exemplo. E
onde está o Celio Silva (na melhor forma de sua vida)? O Moas parece um
beque de faenda, perto dele.
Vamos ao meio de campo: ninguém pode duvidar que o Zé
Elias dá de 10 no Gutierrez. Seria a consagração deste garoto. Mas ele
não está aqui. E o que dizer desse paraguaio Acuña diante de um
endiabrado e jovem Giovanni? E o veterano Valderrama, bons em outros
tempos, bem que poderia ceder o seu lugar para o Leonardo, caindo ali
pela esquerda.
Lá na frente, na "seleçào ideal" estão Balbo e Batistuta,
argentinos bons de bola, sin duda. Mas não chegam aos pés sagrados e
milagrosos de um Bebeto e de um Romário bem dormido e fornido. Ou ate
mesmo, e por que não?, de um Marcelinho Carioca e um esperto Ronaldo.
Com esses jogadores todos e com o devido respeito que
deveríamos ter pela Copa América, o Brasil seria o campeão fácil.
Mas é tudo uma questão de calendário, como sempre. Quando
é que vamos levar a sério a Copa América, senhores dirigentes?
Definitivamente eu não entendo os cartolas brasileiros.
Para falar a verdade, acho que eles também não se entendem.
E, até aqui, o melhor técnico está sendo considerado o
ainda jovem e bom Pssarela. Pois eu acho que o Brasil estaria melhor
servido com o Ricardo Teixeira como técnico, o Eurico Miranda de
auxiliar, o Kleber Leite de roupeiro e um bom massagista seria a dona
Marlene Matheus.E o Farah como chefe da delegacia, perdão, da delegação.
Em tempo: já havia terminado este texto quando leio o
jornal El Pais, que traz um ranking dos 23 melhores jogadores da Copa
até agora. São nove uruguaios, quatro argentinos, três peruanos, três
americanos, dois bolivianos, um paraguaio e um, apenas um, brasileiro,
Roberto Carlos. Em compensação, em primeiro lugar ao lado do uruguaio
Francescoli.
PS - Escrevi este texto antes do jogo Brasil e Colômbia.
PS2 - Domingo, uma entrevista exclusiva com Ghiggia,
aquele que marcou o gol do título para o Uruguai, em 50, em pleno
Maracanã. E o resto, como diria Shakespeare, foi o silêncio.