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QUEM GANHOU? BRASIL OU URUGUAI?

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o estado de s. paulo

22.9.93

 


ANTIGAMENTE, futebol era bola na rede. Quem marcava mais gols ganhava o jogo. Ou, se não marcavam, ou marcavam o mesmo número de gols, dava empate. Agora, não. Inventaram as estatísticas! Os índices! As televisões e os jornais se preocupam com quantas vezes isso ou aquilo aconteceu. Na televisão é pior ainda. De repente, no meio do jogo, entram as estatísticas: quantas roubadas de bola, quantos passes errados, quantas linhas de fundo, quantas bolas (imagine!) levantadas. Você não sabe se acompanha o jogo ou as estatísticas. Pior: se pensa no jogo ou nos números atirados momentaneamente na sua cara tela.

No dia seguinte, os jornais ocupam páginas e mais páginas com impedimentos, chutes a gol, escanteio a favor (e contra), defesas, faltas cometidas, quanto cada time chutou a gol, quantas defesas cada goleiro fez, quantas vezes cada jogador finalizou, quem foi o jogador mais perseguido, quem foi o mais violento, passes certos, passes errados, desarmes completos, desarmes incompletos(!), bolas perdidas, recuos, lançamentos certos, impedimentos e mais, e mais, e mais.

Venho aqui, modestamente, dar uma colaboração aos companheiros da chamada ''crônica esportiva". São observações feitas durante Brasil dois Uruguai zero.

Quantas vezes o time entrou em campo: duas. Uma no primeiro tempo e outra no segundo.

Quantas vezes o time saiu de campo: duas. Uma no primeiro tempo e outra no segundo.

Caídas de bunda: brasileiros, doze vezes. Uruguaios, nove.

Cuspida: os jogadores brasileiros cuspiram 67% mais que os uruguaios. Quem mais cuspiu foi o Ricardo Rocha. Quem conseguiu cuspir mais longe foi o Francescoli, depois de meter o dedo no nariz do juiz: dois metros e dezoito centímetros a uma velocidade de 97 quilômetros por hora.

Arroto: os brasileiros arrotaram 12 vezes, contra 13 dos uraguaios. Quem mais arrotou foi o Dunga: quatro vezes, sendo uma seguida de tosse quase alemã.

Encoxadas: os brasileiros encoxaram seis vezes os uruguaios e foram encoxados 21 vezes. Quem mais encoxou foi o Rubem Sosa, e o mais encoxado foi o Branco. Na retrospectiva das eliminatórias, o mais encoxado foi o Muller.

Chicletes: os brasileiros mastigaram, nos 90 minutos 7.453 vezes. Já os uruguaios, 5.876. Só o Parreira, sozinho, mexeu as mandíbulas 2.241 vezes.

Dedo no nariz: os brasileiros enfiaram o dedo no nariz 14 vezes, contra 28 vezes dos uruguaios. Quem mais enfiou o dedo no nariz foi o Taffarel, que não tinha mesmo o que fazer. Depois fazia uma bolinha, batia três vezes no chão e chutava para a frente, sendo que uma vez acertou a nuca do Mauro Silva, que até agora não entendeu nada.

Assoadas de nariz: 15 dos brasileiros contra 23 dos uruguaios. O campeão foi o Bebeto que, cada vez que assoava, eu achava que ele ia sentir a distensão na coxa.

Cigarros: nenhum jogador de nenhum time fumou.

Chá de coca: zero a zero.

Pensamentos na mãe do juiz: Brasil, 78 vezes (notadamente no pênalti não marcado). Uruguai: 79 vezes. Quem mais pensou na mãe do juiz foi o Kanapkis, em búlgaro.

Bandeirinhas: o bandeirinha do lado de cá coçou a nádega três vezes, contra sete do bandeirinha do lado de lá.

Juiz: o juiz pensou, durante o jogo, seis vezes no horário do seu vôo de volta para Lima. Pensou na amante duas vezes.

Pum: os brasileiros soltaram 30% menos puns que os uruguaios. Os puns foram soltados (95%) quandos eles caíam no chão. Pode notar: eles sempre se levantam balançando o dedo negativamente, em direção ao juiz, dizendo: "Eu não fui! Eu não fui!'' E o juiz sempre vem de dedo em risque, dizendo: ''Foi o senhor, sim, senhor! Ouvi e senti."

Mas nada disso tem importância. O que importa é que o Romário fez dois gols na cara do Parreira e do Zagalo. Contra nenhum deles. Quem tem medo do Romário?