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o estado de S. Paulo

16/07/2003

 


Se eu tivesse que definir - em uma só pessoa - quem é que lê esta coluna, eu não teria dúvida em afirmar que é uma mulher entre 20 e 24 anos, com curso universitário. Não sei o porquê, mas não posso reclamar. É a faixa de idade da minha filha Maria. Coincidência, minha Maria?

Já dizia Hemingway que a gente escreve para duas pessoas: para a gente mesmo e para a pessoa que a gente ama. Pode ser.

Você que me lê fique sabendo da minha satisfação em ler você, seja através de e-mail ou de cartas para a redação. E é por esta amostragem que vou definindo o perfil do meu leitor e leitora. Sim, você pode objetar, as meninas entre 20 e 24 anos têm mais acesso ao computador, então não vale.

Mas têm as cartas. Recebo muita carta de velhinhas, doces velhinhas. Só implicam comigo quando falo do papa.

Tem de tudo aqui nas minhas caixas e no meu sítio. Outro dia falei em São Joaquim da Barra. Pois recebi um e-mail de uma amiga de infância (vizinha).

E quando eu falo infância estou falando de 4 anos de idade. E eu me lembrava dela e do irmão dela, meu primeiro amigo.

Surgem também parentes que não via (nem ouvia falar) há muitos anos. Colegas de ginásio, científico, faculdade. Enfim, ter este espaço aqui é me abrir para uma convivência gostosa com o passado, o presente e até o futuro, pois muitas amizades surgem pelos e-mails.

Tem todo tipo de leitor. Tem aqueles (e aquelas) que acham que eu sou crítico de literatura ou uma pequena editora e me mandam calhamaços até com vírus, como se eu fosse o dono da verdade e pudesse ajudar de alguma maneira.

Tem o que corrige os erros de digitação e concordância. Tem uns chatos (mas que eu agradeço) que adoram consertar as datas citadas.

Mas os meus melhores leitores são os mais jovens, ali entre 10 e 15 anos que leram alguma coisa minha e gostaram. Gostaram do prazer da leitura. Este é o grande leitor, o que está descobrindo a viagem que pode ser um livro, por mais despretensioso que seja.

Tudo isto é para agradecer a todos que me lêem, porque nesta semana estou completando dez anos de Estadão. Quinhentas e tantas crônicas, toda quarta-feira aqui neste pedaço de jornal. Nada-nada é um quinto da minha vida, aqui com você. Você, que percebe quando eu estou com preguiça ou cansado, você que saca quando eu estou feliz e animado. Sim, o humor varia.

Há dez anos você me acompanha. E eu acompanho você. Sem você eu não sou ninguém, diria o velho poeta. Obrigado por me aturar mesmo quando eu não tenho assunto nenhum, como hoje. Mas faz parte do show, como disse o jovem poeta.