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PLÍNIO BRAGATO, MEU HERÓI

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o estado de s. paulo

01/01/98

 


A Portuguesa de Desportos foi vice-campeã do Brasil. Adorei.

Surgiu o tal do coquetel contra a Aids. Genial.

FH quer ser rei, ad nauseam. ACM primeiro ministro. SM (Sua Majestade), também conhecido como Sergio Motta (e mostra o pau), o bobo da corte.

Meu cunhado morreu naquele acidente da tal TAM.

Madre Teresa de Calcutá conseguiu não morrer de novo.

Edmundo continuou o mesmo.

O Papa continua rezando. Agora pela saúde dele mesmo.

As balas perdidas estão cada vez mais perto.

Surgiu um novo herói no Brasil: Pareja.

O Fluminense caiu para a segunda divisão.

E por falar em Chico, ele e a minha querida Marieta se separaram. Descasou e mudou. Uma pena.

Minha namorada me largou. Com razão.

Tudo isso me marcou em 96. Mas a notícia que eu mais gostei de ler não inclui ninguém famoso.

O que mais me impressionou neste ano tão igual aos outros foi um caso ocorrido nas Minas Gerais onde sempre acontece de tudo. Até o meu nascimento.

O nome do meu herói do ano é Plínio Bragato. Marceneiro de Governador Valadares. Não, ele não entrou clandestinamente nos Estados Unidos como os seus conterrâneos.

O Plínio viajou para muito mais longe. Para Marte, segundo ele. Isso mesmo: Marte!

Quer coisa mais espetacular do que isso? Os foguetes da Nasa levam meses para chegar lá. Pois o Plínio, com seus bem vividos 75 anos, foi até lá e voltou. Tudo isso em 8 horas apenas. Foi de disco voador. Deu nos jornais.

Só que, na volta, o disco voador errou o alvo e deixou ele a 800 quilômetros da sua casa, mais precisamente em Montes Claros.

Não sei bem porque, mas os marcianos não falavam português. Tiveram que trocar idéias em castelhano mesmo. Duela a quien duela, diria o outro.

Plínio, é considerado uma pessoa normal e idônea na sua cidade. O próprio delegado disse que "tive ótimas referências e certifiquei-me de que se trata de uma pessoa idônea, sem qualquer traço de loucura".

O delegado foi ao local do "desembarque" e disse que no chão havia duas fileiras paralelas com dez furos de cada lado e, no centro, um buraco oval. Alguma coisa aterrisou ali. Ou seria marterizou?

O Plínio contou pouco da sua viagem a Marte. Mas fez suas observações. Ficou chateado porque as mulheres de lá não tinham seios. Nem um. Além de serem altas demais para ele (mais de dois metros) e a pele tinha duas cores: roxo e marrom. Já  pensou, uma namorada nesse estado? Que horror, meu Deus.

Mas o que mais impressionou o meu herói foi o jogo de futebol. Imaginem que ele garantiu que além de existir futebol por lá, os times jogavam com 15 de cada lado. Não informou o esquema: seria um cinco-cinco-cinco? Ou teriam o UM do Zagallllllo?

E mais não disse ou a imprensa não perguntou.

Como sempre a nossa imprensa neste ano só cuidou de besteiras. Inclusive eu.