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PERNAS AO ALTO!

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Revista de Urologia

1997

 


Em 1966, tinha eu vinte anos e chegava do interior, em São Paulo. Inocente, puro e besta. Tomei posse o Banco do Brasil (na Penha!) e fui morar num quarto com banheiro lá no Tatuapé, atrás do campo do Timão.

Vestibulando e duro. Mulher, nem pensar. Naquele tempo, já dizia Jesus a seus discípulos, mulher só pagando. Só profissional, meu filho. Namorada era, no máximo, beijinho. E isso depois de muitos meses de bom papo (com Halitol), bala Pipper e filme do Mazzaropi.

Como eu resolvia aquele quase priapismo, típico da idade? Fazia justiça com as próprias mãos. Para isso comprava a Manchete onde, toda semana, saia uma propaganda de meias para serem usadas com minissaia, o coqueluche do momento. Era um par de pernas que eu nunca tinha visto nada igual na minha vida. Perfeitas, longas, inacabáveis. Antes de acabar, passava por uma liga vermelha (como o corpete) onde estava enfiada uma desafiante rosa da mesma cor e um revólver já disparado soltando fumacinha. Aquilo resolvia a minha vida. Era tudo o que eu queria enquanto estudava para ser economista.

Anos, muitos anos depois, já jornalista e escritor, depois de muito tentar, consigo começar a namorar uma dramaturga (que nome!) brasileira famosíssima e linda. E, na primeira ida à sua casa, nervoso, sem saber - literalmente - onde pôr as mãos, deparo com o que? O que? Aquelas pernas, emolduradas na sala. Aquelas, as minhas pernas. E pergunto:

- O que essas pernas estão fazendo aqui?

Ela, enrolando:

- São minhas, do tempo que eu era manequim do Denner.

Está entendendo o que estava acontecendo com aquele masturbador anônimo de 66? Estava ali, diante das pernas. Fiquei tão nervoso, tão nervoso que não sabia mais o que dizer, o que fazer. Só tinha uma coisa na cabeça: eu não vou conseguir, eu não vou conseguir. Era demais pra mim

- Desculpa, mas eu sou impotente!

E sai correndo, morrendo de vergonha. Eu jamais conseguiria colocar um dedo siquer naquele material.

Dias depois, ela me convida para ir até o apê dela. Entro. Ela estava de minissaia, liga vermelha, rosa vermelha e um revólver na mão.

- Entra que eu resolvo o seu problema de impotência!

Grande dramaturga, grandes pernas!