Que semana, gente! Não sei nem por onde começar. Tivemos de esperar 500
anos e, de repente, tudo aconteceu. A única coisa boa mesmo é que a
festa dos 1.000 anos vai demorar muito e ninguém vai ficar me ligando
para dar um depoimento sobre a efeméride (desculpe o palavrão, vovó
Maria). A coisa mais chata desses nossos 500 anos foi a festa dos 500
anos. E ninguém morreu, pra entrar na História da pátria mãe gentil. Foi
mesmo um pentacentenário!
Com tanta coisa acontecendo por esta terra onde se
roubando tudo dá, o mais hilário (embora trágico) aconteceu lá em
Camerata Nuova, cidadezinha perto de Roma: na representação de Paixão de
Cristo (quem foi? Madalena?) um "ator", chamado Renato Di Paolo fazia o
papel de Judas. Colocou a corda no pescoço e ficou pendurado enquanto a
cena rolava. Acabou o espetáculo e o Renato continuava lá, rígido.
Morto, informou a agência Reuters.
E eu continuo sem entender quando alguém me diz: boa
Páscoa! O quê que é uma boa Páscoa? Chocolates? Bom Natal, eu entendo.
Bom carnaval, também. Até bom feriadão. Mas Páscoa.
E os 500 anos, hein? Em São Paulo estão fazendo uma
exposição realmente sensacional. Para entrar custa dez por cento do
comentadíssimo salário mínimo. Dizem que tem até dinossauro. E não são
os vereadores, não, que esses são vivos.
Teve a malhação de Judas por aqui. Bonecas com a cara (e o
colete) da Pitéia. Bateram nela pra valer. Vai ver, ela gosta.
O que eu sei é que com essa farra toda dos 500 anos, a
mídia se esqueceu totalmente que dia 21 de abril foi (ou era?) o dia de
Tiradentes. Lembraram até do enforcado italiano, mas o mineirinho dançou
com a corda no pescoço.
Nenhuma
linha, notou?
Mas
cá
entre
nós: o
dia 21 de
abril
anda
muito sobrecarregado. O Tancredo
também, morreu nesse
dia. Brasília foi inaugurada no
mesmo
dia. E Lins, foi fundada.
Como se
não bastasse o Anthony Quinn e o Anselmo
Duarte
também fizeram
aniversário. E o Tiradentes foi esquecido.
Mark Twain
também partiu
dia 21 de
abril.
E aquele garoto-coitadinho cubano dentro do armário? E o
Fidel elogiando o Clinton? Periga até acabar o embargo. Fidel e Clinton
vão acabar feito o FHC e o ACM. Só não pintou beijo na boca. Por
enquanto. Na hora que o parlamentarismo voltar à tona, eles beijam. E
ainda dançam um Bésame Mucho coladinho nas areias de Itapuã. E o Élian
tem 6 anos, viu a mãe morrer afogada, viu a metralhadora no seu nariz
depois de ficar quietinho dentro do guarda-roupa com um amante furtivo,
como quem tivesse feito alguma coisa muito errada. Espero que um dia
alguém conte para ele porque ele ficou embargado lá dentro.
E o Araçatuba, o time de futebol? Vejam onde chegamos: o
time terminou o campeonato paulista com menos 15 pontos ganhos. E no
último jogo, só para contrariar, colocou uma porção de jogadores
irregulares. Durante o jogo foram sendo expulsos. O jogo era contra os
campeões de mundo, o timão.
E por falar em expulsão, os índios não tinham levado a
sério, quando foram expulsos de Porto Seguro há mais de 500 anos.
Tentaram voltar agora para buscar uns pertences, mas não deixaram. Cinco
mil PMs (dez vezes 500) para barrar os alienígenas nativos! Lugar de
índio é no meio do mato. Ora, onde já se viu? No meio do mato ou na
lateral direita do timão. Aliás, parabéns ao Ricardo Kotscho que me fez
acreditar que o grande (e honesto) repórter ainda existe, na última
Época. Me fez lembrar de outras épocas.
Épocas em que o Brasil era um país bonito por natureza e
abençoado por Deus.
E os nossos enforcados valiam bem mais que um ator amador
italiano.
Mas tudo bem, foi ainda no dia 21 de abril que morreu John
Maynard Keynes, aquele jornalista e economista inglês, autor da teoria
do desemprego prolongado.