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PARIS, MAIO DE 98

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1998

 


No dia seguinte à conquista do tetra, lá de Los Angeles, escrevi uma crônica para o Estadão, imaginando a convocação, quatro anos depois (ou seja, agora), da nossa seleção. Hoje, vejo que acertei a maioria (doze) dos jogadores. Era mais ou menos assim:

 GOLEIRO - Dida (ex-Vitória, ex-Cruzeiro e bi-campeão brasileiro pelo Grêmio) é quase uma unanimidade nacional. Mas sobre ele pesa o "pesadelo Barbosa", aquele crioulão que tomou o gol do Gighia na Copa de 50 em pleno Maracanã. Desde então nenhum negro defendeu o gol da seleção brasileira. Nem na reserva e lá se vão 48 anos de muitos loiros e alguns louros. Os cariocas exigem Carlos Germano. E tem gente que reclama a dispensa, na última hora, de Gilmar, agora no Londrina, como uma terceira via.

 LATERAL DIREITO - Ninguém tem dúvida que Pipoca, filho do Djalma Santos, do Palmeiras, foi a maior revelacão do futebol brasileiro dos últimos quatro anos. Mas Parreira ainda o considera muito inexperiente internacionalmente, preferindo a agora semi-velocidade de Cafu (ex-São Paulo, ex-Valência, ex-Portuguesa de Desportos, atualmente no Boca Junior do técnico Diego Armando Maradona).

 LATERAL ESQUERDO - O técnico insiste com Branco, que mal consegue chegar ao meio de campo há duas temporadas, atualmente com cinco centímetros a menos numa das pernas. "Mas pode ser decisivo numa cobrança de falta", como foi contra a Holanda nos Estados Unidos. Branco já havia ameacado abandonar o futebol, jogando hoje no Uberaba Sport, mas o técnico acha que pode recuperá-lo. Roberto Carlos, atuando hoje nos Estados Unidos, no Búffalo de Los Angeles, deve se contentar, mais uma vez, com a reserva.

 ZAGUEIRO CENTRAL - Embora Ronaldão (ex-São Paulo), hoje com dupla nacionalidade (japonesa e brasileira) e atleta de Buda seja o preferido da torcida, nosso técnico deve insistir com Ricardo Rocha, hoje no Marítimo de Funchal, em Portugal.

 QUARTO ZAGUEIRO - Valber, do Corinthians, agora atleta de Cristo, deve ser o titular. Mas a sombra de Ricardo Gomes, do Bragantino, o incomoda. Realmente foi uma pena Junior Baiano ter se desligado do futebol e se dedicado ao box.

 PRIMEIRO VOLANTE - Mauro Silva (do Santos e vereador em Bragança Paulista) e Dunga (aposentado e deputado pela Democracia Cristã em Leipzig) disputam a mesma vaga, embora tenham jogado lado a lado nos Estados Unidos.

 SEGUNDO VOLANTE - Elber (ex-Londrina, ex-Milan e atualmente de volta ao Londrina, jogando na defesa) e Raí (ex-São Paulo, ex-Paris Saint Germain e no momento jogando na China), disputam pauzinho a pauzinho a posição. O técnico acha que Raí pode recuperar o futebol que jogava em 92 e a barriga.

 TERCEIRO VOLANTE - O técnico insiste em fazer com que Muller (ex-Jussara) e Bebeto (cujo oitavo filho nasceu na semana passada) joguem de volante. "Não existe mais atacante no futebol moderno", costuma dizer.

 QUARTO VOLANTE - Marcelinho Paulista (ex-Carioca) é o preferido. Mas o teimoso técnico insiste em lançar Romário (atualmente doleiro e jogando só futvôlei) nesta posição. Mas a torcida pedia o Zaguinho, filho do velho Zague, que hoje joga pelo Botafogo do Rio. Convém lembrar que Zaguinho defendeu o México na última Copa.

 QUINTO VOLANTE - Anderson, aquele que foi trocado pelo Raí em 94, deve ser o titular, embora no Brasil nunca ninguém o tenha visto jogar. Mas disputa a posição com Viola, ídolo do Flamengo, da Mangueira e compositor nas horas vagas.

 SEXTO VOLANTE - Ronaldinho (ex-Jairzinho, ex-Cruzeiro, artilheiro do último campeonato espanhol, ex-namorado da Xuxa) é a única unanimidade nacional. Mas seu reserva imediato, Zinho, agora jogando no Náutico Capibaribe, do Recife, tem chance. Mas tem muita gente que ainda prefere aquele que ficou no Brasil, o Oliverrá, de tetra nacionalidade (brasileira, belga, italiana e turca).

 PS - Em entrevista coletiva ontem no Hotel George V, João Havelange, apoiado por vários assessores e duas muletas, assegurou que seu genro Ricardo Teixeira está praticamente eleito presidente da FIFA.