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PAN!!!

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o estado de S. Paulo

13/08/2003

 


Duas coisas me chamaram a atenção nestes jogos pan-americanos que estão rolando lá em Santo Domingo. A palavra é esta mesma: rolando. Dois descasos.

O primeiro descaso, o americano. Eles não mandam seus principais atletas para os jogos. Total menosprezo pelos demais atletas latinos do continente.

O segundo descaso, dominicano. Ninguém nos estádios, nas piscinas, nas quadras. A não ser, é claro, quando atletas da casa competem.

Poderia citar ainda mais uma surpresa, que é a pífia participação da Argentina. Basta lembrar que nos primeiros jogos, em 1951, a Argentina ficou em primeiro lugar, na frente dos Estados Unidos.

Mas, pensando bem, o nosso Brasil também não mandou suas melhores jogadoras nem de vôlei nem de basquete.

Para que servem então estes jogos? Talvez para mostrar que o nosso Meligeni estará se aposentando no auge, você poderá dizer. Sei não, os bons jogadores argentinos e americanos não estavam lá. Estavam competindo onde tem grana.

Pronto, acho que cheguei onde queria. Os atletas profissionais estão pouco se lixando para serem os melhores das Américas.

Ou seja, mais uma vez provamos para nós mesmos que não gostamos do nosso continente. Pelo menos pela parte aqui abaixo do Equador. Os famosos países (desde que me conheço) em desenvolvimento. Antigamente a gente era chamado de subdesenvolvido mesmo, o que eu achava mais honesto. A única preocupação do Brasil é ficar na frente da Argentina. Ficamos, e daí? Significa alguma coisa para o esporte ou para o país?

Mas não fiquemos tão amuados assim. Fique sabendo que tem 15 países da América Central que não conquistaram nenhuma medalhinha. Aliás, você sabia que existem 28 países na América Central? Duvido que saiba a capital de no máximo cinco deles. Mesmo porque, me parece que por lá não se pratica nenhum esporte.

E quanto a nós, pioramos muito. Em Winnipeg, 99, ganhamos 101 medalhas. Não está me parecendo que chegaremos lá de novo (65 até segunda-feira).

Mas agora eu queria sair de Santo Domingo e cair na Santa Paraty. Lá ocorreu há uns dias um encontro internacional de escritores. Não eram jogos, eram papos e cervejas. Casas lotadas, recordes de autógrafos, pouca divulgação da mídia. No ano quem vem tem mais. Posso garantir que é muito mais emocionante ouvir o Millôr Fernandes fazendo uma palestra do que ver nossas meninas reservas do basquete jogando contra universitárias americanas. Dá muito mais emoção ouvir o Chico Buarque lendo Vinícius do que ouvir o bater da bolinha de tênis de mesa.

Infelizmente, no encontro de escritores não tem aquela simpatia da Juliana em seus saltos ornamentais conquistando a prata e o Prata. Talvez fosse o caso de convidá-la para Paraty no próximo encontro. Os escritores iam pular de felicidade. E talvez o evento ganhasse mais espaço na mídia. Umas três ou quatro páginas por dia nos jornais e chamadas ao vivo no Jornal Nacional.

Pensando bem, devia ter uns jogos pan-americanos de escritores, em suas várias modalidades. Romance, poesia, conto, crônica, ensaio, biografia, teatro, etc. Feminino e masculino. Tenho certeza de que a gente ia ganhar dos Estados Unidos. Podemos até perder aqui nas listas dos mais vendidos.

Mas pau a pau, sou mais Brasil.

O problema do escritor brasileiro é escrever em português, já disseram vários europeus. Uma pena. Ou um dígito.