Paris
- A turma de franceses de 1789, não gostaria de saber disso. Afinal, a tal da
liberdade, da igualdade e da fraternidade parece mesmo ter ido para o brejô.
E
quem afirma que eles são racistas, não sou eu, não, humilde escriba
sulamericano e ligeiramente pardo. São eles mesmo, os franceses de hoje,
pesquisados pela Comissão Nacional Consultiva dos Direitos do Homem, alguma
coisa parecida com o trabalho aí no Brasil do meu querido José Gregori.
Sim,
são o país mais racista da Europa desse fim de século. Mas fazem uma
ressalva: a Bélgica é mais. Detalhe: a Bélgica está para a França, assim
como Portugal está para o Brasil em termos de humor, pelo menos.
Mas
vamos aos dados. Segundo eles mesmos, são considerados racistas os que assumem
frases como “hoje em dia já não me sinto em casa como antes”.
58%
dos franceses são racistas, disseram. Ou “tentados ao racismo”.
E
vão logo se explicando:
-
Tem árabe demais na França.
Outros,
vão mais longe:
-
Os emigrantes vem para aproveitar a nossa Segurança Social.
Parece
se esquecerem que em cada dez batedores de carteira no metrô, cinco são
daqui mesmo. Mas afirmam, racistas:
-
Tem preto demais por aqui.
Ou,
pior ainda:
-
Não temos que lutar contra o racismo.
E,
a óbvia pérola francesa:
-
A maioria dos estrangeiros tem uma cultura muito diferente para se integrar.
E
racismo aqui não é coisa de macho, não. Homens e mulheres são racistas por
igual.
Nas
camadas sociais, os mais racistas são os agricultores, os comerciantes (?),
os artesãos e os velhinhos aposentados. Quanto mais baixo o nível de
escolaridade, mais ódio aos estrangeiros.
Quem
são os mais odiados: os árabes (56%), os negros (27%) e os judeus (27%). Os
sulamericanos estão em baixo na pesquisa deles. Nenhuma bronca contra os
brasileiros. Atenção: a pesquisa foi feita antes da copa.
Os
ecologistas (tem pra dar com pau por aqui) tem 53% de pessoas que se dizem
“ter sentido a tentação racista”. Sabia, Gabeira? O mesmo acontece com
45% dos socialistas (sempre achei o Brizuela meio racista) e os comunistas não
deixam por menos: 41% deles são racistas. Quem diria, meu caro Lula!
O
mais engraçado é que, desse universo todo, 67% considera que “se julga a
democracia pela capacidade para integrar aos estrangeiros”.
Em
tempo: o país menos racista da Europa é a Espanha. Apenas 13%.
Já
os dinamarqueses, com quem vamos ter um corpo a corpo daqui a pouco, não
tenho nenhum informação. Só sei que eles adoram as nossas mulatas, o nosso
samba e o nosso futebol.
E
espero que, em Nantes, se curvem diante de nós, como se curvarão, um dia
(dia 12?), os racistas franceses.