Você já percebeu que dá
para você sacar uma pessoa só pelo jeito que ela conta uma piada? Pelo jeito e pelo
nível da piada? Às vezes, a gente acabou de conhecer uma pessoa e ela conta uma piada.
Aquilo pode ser definitivo nas nossas relações futuras. Eu estava começando a gostar
dela, mas a piada... Impossível qualquer intimidade.
Sim, minha amiga, contar piada
exige profundas técnicas. Poucos têm o dom. Poucos percebem o tom certo. O momento
exato, o local adequado para a piada. O bom contador de piadas é um artista. Fico fã,
fascinado.
Existem vários tipos de
contadores de piadas, além dos políticos em geral e dos governantes em particular.
Tem aquele que esquece a
piada. Está já no meio, a gente, ali, interessado, dá um branco no cara, fica todo
mundo olhando para ele: esqueci o fim... Pode?
E o desastrado que, ao te
perguntar se conhece tal piada, conta o fim? E tem uns que, além disso, não percebem e
contam a piada assim mesmo, até o já narrado final.
Chato mesmo é aquele que vai
contar a piada e ri antes. Mas ri para valer. Em volta dele a rodinha olhando, esperando.
Esse mesmo sujeito, que ri dele mesmo, é bem provável que, depois de conter o riso,
venha a rir novamente algumas vezes durante a narrativa.
É mesmo desagradável quando
o sujeito começa a contar uma que você conhece e você tem certeza que contada por você
seria muito melhor. Nesses casos, quase sempre, quem conta a piada conhecida estica,
estica...
E aquele contador compulsivo
que, quando um acaba a piada ele não deixa ninguém rir gostoso porque logo manda a sua?
É como se ele nem tivesse ouvido a anterior. Ficou ali, naquela agonia, esperando o outro
acabar. E você pode ter certeza que a piada do primeiro era muito melhor e a gente teve
que engolir o riso.
Eu não sei o porquê, mas tem
pessoas que só contam piada velha. Já percebeu? Mas velha mesmo. Coisa do meu tempo de
ginásio.
Ah, os especialistas. Tem
especialistas só em piadas de judeus. Em sua maioria são judeus mesmo. A turma das
piadas de português. Se levam a sério e os personagens, até hoje, se chamam Joaquim,
Manuel e Maria. Mau gosto daquela turma que só conta piadas racistas. O pior é que,
geralmente, são muito boas.
Me diz: existe coisa pior do
que um prolixo contando piada? Meu Deus, aquilo não acaba nunca. Tem gente que faz até
rodapé nas piadas. Rodapé é o fim!
E os pudicos que tiram os
palavrões quando há senhoras presentes? Até que uma das presentes conte uma piada das
mais cabeludas. Um parêntese: por que será que a piada forte se chama cabeluda? Será
que tem algo a ver com os pubianos?
Tem aquelas mulheres que pedem
para o marido contar aquela que o Freitas contou outro dia lá no jantar da casa da
Dolores, lembra benhê? Aliás, nunca descobri por que pedem para o maridão contar, pois,
quase sempre, o maridão conta muito mal.
Nada mais pretensioso do que
aquele que conta e, ao acabar, pergunta: entendeu? Não dá vontade de dar uma porrada no
cidadão? E a piada era simplérrima.
Não resisto e vou contar uma:
O sujeito foi ao médico amigo
dele, com o saco inchado. O médico disse que era uma inflamação no testículo esquerdo,
que não era nada grave etc., mas que ele procurasse um especialista. E deu o cartão de
um colega urologista. Mas, na hora, errou o cartão e deu um de um advogado.
O cara marcou hora e estava lá diante do
advogado, achando que era médico:
Em que posso ajudar?
O nosso amigo abaixou as calças e mostrou.
Como o senhor está vendo, doutor,
estou com uma inflamação no testículo esquerdo.
O advogado ficou olhando a cena sem
entender absolutamente nada. Pensou, pensou e disse:
Meu amigo, a minha especialidade é
o Direito.
E o sujeito:
Vai ser especialista assim lá na
puta que o pariu!!!
Mas a piada da semana fica com os 18
deputados federais que votaram a favor do Naya. São contra a cassação e a caçação. O
voto, é uma piada, foi secreto.