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O prazer é solitário. Até certo ponto.

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Mario Prata Online

 

 


É simplesmente impossível esta crônica não ser sobre o que ela é.

Sobre isso aqui, sobre essa experiência. Experiência minha e sua. Ou você já tinha visto alguém escrevendo aí na sua tela, assim, sem mais nem menos?
Eu não sei nem por onde começar. Você notou a demora entre o parágrafo de cima e este? E não é falta do que dizer, não. É que a experiência é tão pirante que a gente... pira.

Aqui do meu lado, tem um outro monitor ligado, onde eu estou vendo como você está me vendo. A diferença é que eu não posso ver a sua cara. Fique tranqüila, pode continuar com essa roupa mesmo. E você, garoto, pode continuar com esse dedo no nariz, aí.

Eu estava batendo um papo com você agora mesmo e disse da surpresa de saber que tem quase cem sujeitos (ou sujeitas) lá no Japão nos vendo. Quer dizer, o cara sai daqui pra ir procurar trabalho lá do outro lado do mundo e fica aqui, bisbilhotando o ofício alheio. Te agradeço, companheiro. Aliás, esta é pra você: o Fernando Morais esteve ontem aqui em casa e o livro dele sobre aquela máfia japonesa (aqui, no interior de São Paulo) está praticamente pronto. Veio me mostrar a capa, o danadinho: uma porção de japoneses prontos para matar.

E na Arábia Saudita, quem deve ser o colega? Será que é no palácio? E os quatrocentos americanos?

(Você deve ter visto eu atendendo o (ou ao) celular. Era o Cafú, no telefone. Aquele Jorge Caldeira, companheiro de muitas outras experiências, aquele cobra que escreveu o Mauá, sabe?)

Continuando: e os quatrocentos americanos? Me garante o americano Mateus Shirts que são faculdades onde se estuda o português. Pelo menos a metade. Mas tem também a Cristiane e alguns parentes, claro.

E uma coisa incrível é que, mesmo sabendo que tem tanta gente aí, o trabalho, o ofício continua dentro da mesma solidão de sempre. Não uma solidão triste, pois a solidão da criação tem que ser alegre, lúdica. Se não (porra, esse telefone não vai parar de tocar!!! agora é do Rio, o 21) o texto fica chato. Tudo que é feito com prazer, gera prazer (Prata, você está quase melodramático! Reaja!). Não é mais ou menos assim?

Quero deixar registrado aqui (olha aí: lugar comum!) o obrigado a todo mundo que tem escrito. Não vou dizer aqui o que eles ficam falando, porque eu sou a modéstia em pessoa - hahaha. Não sei porque eu coloquei esse hahaha ali. Eu detesto quando as pessoas colocam isso em e-mail. É uma praxe, né? hahaha.

E para todos aqueles que querem saber quem era o goleiro da última crônica, era o Picasso. Lembram dele, um cara que veio da Prudentina? Isso foi nos anos 60 e o nome dele gerou milhares de piadas, que você pode imaginar. Não era Pablo, mas era craque.

Ficamos assim. Você aí e eu aqui.

Viaje sempre. Principalmente por aqui.

Tchau. Já leu todos os capítulos?


PS. acabo de ligar a webcam e vi que a imagem estava toda escura. Foi escurecendo (lá fora) e eu nem percebi.

Esse negócio de escrever com essa webcam é engraçado. É a primeira vez que um escritor, antes de começar o trabalho, prepara a iluminação, o cenário e - porque não dizer - dá um trato no cabelo.

Sabe o que eu acho mesmo? Que tanto eu como você somos completamente loucos.
Ou, pelo menos, estamos. E isso é bom.