É simplesmente impossível esta crônica não ser sobre o que ela é.
Sobre isso aqui, sobre essa experiência. Experiência minha e sua. Ou
você já tinha visto alguém escrevendo aí na sua tela, assim, sem mais
nem menos?
Eu não sei nem por onde começar. Você notou a demora entre o parágrafo
de cima e este? E não é falta do que dizer, não. É que a experiência é
tão pirante que a gente... pira.
Aqui do meu lado, tem um outro monitor ligado, onde eu estou vendo como
você está me vendo. A diferença é que eu não posso ver a sua cara. Fique
tranqüila, pode continuar com essa roupa mesmo. E você, garoto, pode
continuar com esse dedo no nariz, aí.
Eu estava batendo um papo com você agora mesmo e disse da surpresa de
saber que tem quase cem sujeitos (ou sujeitas) lá no Japão nos vendo.
Quer dizer, o cara sai daqui pra ir procurar trabalho lá do outro lado
do mundo e fica aqui, bisbilhotando o ofício alheio. Te agradeço,
companheiro. Aliás, esta é pra você: o Fernando Morais esteve ontem aqui
em casa e o livro dele sobre aquela máfia japonesa (aqui, no interior de
São Paulo) está praticamente pronto. Veio me mostrar a capa, o danadinho:
uma porção de japoneses prontos para matar.
E na Arábia Saudita, quem deve ser o colega? Será que é no palácio? E os
quatrocentos americanos?
(Você deve ter visto eu atendendo o (ou ao) celular. Era o Cafú, no
telefone. Aquele Jorge Caldeira, companheiro de muitas outras
experiências, aquele cobra que escreveu o Mauá, sabe?)
Continuando: e os quatrocentos americanos? Me garante o americano Mateus
Shirts que são faculdades onde se estuda o português. Pelo menos a
metade. Mas tem também a Cristiane e alguns parentes, claro.
E uma coisa incrível é que, mesmo sabendo que tem tanta gente aí, o
trabalho, o ofício continua dentro da mesma solidão de sempre. Não uma
solidão triste, pois a solidão da criação tem que ser alegre, lúdica. Se
não (porra, esse telefone não vai parar de tocar!!! agora é do Rio, o
21) o texto fica chato. Tudo que é feito com prazer, gera prazer (Prata,
você está quase melodramático! Reaja!). Não é mais ou menos assim?
Quero deixar registrado aqui (olha aí: lugar comum!) o obrigado a todo
mundo que tem escrito. Não vou dizer aqui o que eles ficam falando,
porque eu sou a modéstia em pessoa - hahaha. Não sei porque eu coloquei
esse hahaha ali. Eu detesto quando as pessoas colocam isso em e-mail. É
uma praxe, né? hahaha.
E para todos aqueles que querem saber quem era o goleiro da última
crônica, era o Picasso. Lembram dele, um cara que veio da Prudentina?
Isso foi nos anos 60 e o nome dele gerou milhares de piadas, que você
pode imaginar. Não era Pablo, mas era craque.
Ficamos assim. Você aí e eu aqui.
Viaje sempre. Principalmente por aqui.
Tchau. Já leu todos os capítulos?
PS. acabo de ligar a webcam e vi que a imagem estava toda escura. Foi
escurecendo (lá fora) e eu nem percebi.
Esse negócio de escrever com essa webcam é engraçado. É a primeira vez
que um escritor, antes de começar o trabalho, prepara a iluminação, o
cenário e - porque não dizer - dá um trato no cabelo.
Sabe o que eu acho mesmo? Que tanto eu como você somos completamente
loucos.
Ou, pelo menos, estamos. E isso é bom.