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O lTAMAR É QUASE

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o estado de s. paulo

17.11.93

 


O BRASIL já teve presidentes eleitos, presidentes fruto de golpes, presidentes ditadores, presidentes vices e agora temos um Presidente Quase. O nosso quase simpático Itamar é quase presidente. Senão, vejamos.

O nome dele, Itamar. Sob certo aspecto é um nome quase bonito. Não chega a ser bonito. Mas quase chega. Mas, se olharmos por outro prisma, Itamar é um nome quase feio. Não chega a ser feio. É quase feio.

O nosso presidente é quase bonito. Mas, para alguns, é quase feio. O topete, por exemplo. Em algumas fotos ele está quase bonito. Em outras, o topete está quase feio. O cabelo não chega a ser branco total. É quase branco total.

Nas pesquisas de opinião, quem ganha, mais uma vez, é o quase. As pessoas o acham quase ótimo, quase bom, quase regular, quase péssimo. São pesquisas quase favoráveis.

O carro que ele relançou, por exemplo. O fusquinha. É um carro quase popular. Como o seu ministério, que é quase bom. Para alguns, é quase ruim. Mas sempre o quase, nunca nada muito definitivo. O Ministro da Cultura, por exemplo, a gente quase lembra o nome dele. É um nome quase estranho.

Alguns partidos políticos quase o apóiam integralmente. Outros, quase fazem oposição. Mas apenas quase.

Já repararam que ele é quase alto? E quase magro? Mas tem horas que ele parece ser quase baixo e quase gordo. Depende da roupa. E, por falar em roupa, já observaram os ternos dele? Ou são quase azuis ou quase cinzas Às vezes ele é quase elegante. Noutras, ele é quase cafona. É quase moderno, quase retrógrado.

Às vezes, ele se mostra na televisão quase simpático. Noutras, vira quase uma fera, investindo contra o cameraman.

Ele é quase amante daquela moça quase jovem. E por falar em jovens. ele tem duas filhas quase lindas.

Dizem que ele acorda quase cedo e dorme quase tarde.

Ele é quase um político mineiro. Quase que ele tem aquelas tiradas maravilhosas de um Valadares, Alkmin ou Pedro Aleixo. Sem falar no Juscelino, quase seu ídolo. O Itamar quase que é reconhecido internacionalmente.

Ele é quase poupado pela grande imprensa. Ele é quase malhado pela grande imprensa.

Por pouco, muito pouco, que ele não é mais um machão brasileiro. Mas é quase.

Ele quase canta as jornalistas que o entrevistam. Quase, apenas quase. Quase faz charme para todas as funcionárias do Palácio. Quase.

Antes de eleito, ele era quase famoso. Era quase rico, quase pobre. Sempre foi quase engraçado, sempre foi quase sisudo.

Ele é quase míope e quase sempre tem problemas nos dentes.

Mas nada disto é muito importante. O que importa é que o Brasil já tem um quase presidente, coisa que não ocorria há muito tempo. Provavelmente ele vai continuar a fazer um programa quase legal. Ele está passando o Brasil quase a limpo. O que já é ótimo. Ou, pelo menos, quase ótimo. O que não é nenhum pecado.