Acho uma sacanagem aquele tipo que implica em não dar os dez por cento da conta, alegando que é ilegal. É facultativo, então o cara cisma, bate o pé e não dá. Mas também não come ou bebe mais naquele lugar. São umas leisinhas chamadas praxe.
Como eu praticamente só como fora, costumo dar
um pouquinho além dos dez por cento. Primeiro porque sei que ele foi
contratado na expectativa que todo mundo dê a gorjeta. E em segundo lugar,
porque eu vou voltar ali. Com certeza. E, além de tudo, posso. Quer dizer,
cada vez posso menos, como é o caso de todos nós.
Sim, porque empregador é sempre empregador.
Quando ele percebe que o seu funcionário recebe honestas e merecidas
gorjetas, vai diminuindo a carteira assinada do elemento. E nós – sempre nós
– é quem passamos a arcar com o salário do empregado, através das gorjetas.
O cara que te leva a pizza conta com a sua gorjeta, não é mesmo? O que
coloca a gasolina...
Foi pensando nisso que resolvi instituir os
dez por cento para mim também. Por exemplo: daqui a três crônicas, se for do
seu interesse e da VogueRG eu vou renovar o meu contrato. Claro que vou
pedir um aumento (viu, Andréa?). Mas, além do aumento, vai ter que ter uma
gorjeta. Todo dia de pagamento vou querer gorjeta. De quanto? Olha, a praxe
é 10%... já na Europa...
No início de cada mês – atenção meus editores,
Globo e Objetiva – além dos meus direitos autorais, agora eu quero gorjeta.
Tudo bem, se não quiserem vou me oferecer para quem – além do salário e dos
meus direitos – me dê gorjeta.
E acho, senhoras e senhores, que, se todo
brasileiro começar a receber gorjeta como os garçons e os carregadores de
piano, o PIB brasileiro vai aumentar em 10%. O dólar vai cair – no mínimo –
dez por cento.
E tem mais, pessoal: gorjeta não precisa
declarar no imposto de renda. É caixa 2 honesto, limpo.
Quando eu for fazer uma palestra, terminarei
assim: queria avisar que o serviço não está incluso.
Esta crônica, por exemplo, deveria vir com um
carimbo bem nítido: serviço não incluso; inclusive.