Não costumo comprar nem xampu, nem condicionador pela marca e muito menos
se é para cabelos secos, oleosos ou mesmo um cabelo etecétera. Sempre
comprei pelo jeitão da embalagem e pela cor dos produtos. Quanto mais
esquisita a cor, é comigo mesmo.
Well, estou saindo agora
do banho. A minha voz continua a mesma, mas os meus cabelos... O xampu tem
uma cor que eu sou incapaz de definir para você. Entre o verde e o cinza.
Meti o bicho lá e gostei do cheiro novo. Ainda ensaboado, olhei no
magnífico rótulo. Era feito à base de jaborandi. Fiquei um pouco
preocupado por não saber o que estava se passando na minha cabeça.
Enxaguei e mandei ver no condicionador. Cor de mamão
quando foge. Vou ver do que é: calêndula. Pois é, em cinco minutos tinha
metido um jaborandi e uma calêndula nas minhas melenas, já cãs.
Sento-me aqui no micro e recorro ao Houaiss que era
careca e não deveria saber o que eu estava usando. Mas sabia, o danadinho.
Tanto a calêndula como o
jaborandi são angiospermas. Eu disse agiosperma, favor não confundir a
minha cabeça. A calêndula, quem diria, é originária lá da Macaronésia
(juro!) e também dá muito no Irã.
Imagine você que a calêndula
também é usada contra febres e verrugas.
Já o jaborandi é coisa
brasileira mesmo. É da família dos Pilocarpus (Quaresma?). Olha o que o
Houaiss diz, literalmente: “As plantas
dessa e de outras espécies do gênero encerram pilocarpina, alcalóide que
causa a contração da pupila, o aumento da produção de saliva e de suor e
estimula o peristaltismo dos intestinos.
Já peristaltismo, como o
próprio nome indica, é “conjunto das contrações musculares dos órgãos
ocos, provocando o avanço de seu conteúdo; movimento peristáltico,
peristalse”. Eu, hein!!!
Cá entre nós, a coisa deu
certo. Recomendo. Mas ao cuidar da sua cabeça não se esqueça do intestino
e nem das frieiras. É tudo uma coisa só.