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o estado de s. paulo

25/09/96

 


Hoje, dia 25 de setembro de 1996, é o dia mais importante deste século. Fui autorizado para informar a todos vocês, meus amigos e leitores que eu, Mario Alberto Campos de Morais Prata, ´nascido' em Uberaba no dia 11 de fevereiro de 1946 (exatamente nove meses depois do fim da segunda guerra), sou um ET. Estou falando sério. Sou um ET e posso provar.

Sei que você vai achar que é brincadeira minha, maconha pura, ou coisa que o valha. Mas estou FALANDO SÉRIO. Fui autorizado a fazer essa revelação que, tenho certeza, mudará os rumos do Brasil e do Mundo. Até mesmo do Estadão, que passará agora a vender as minhas crônicas para todo o universo.

Mas ET como? Vamos desde o começo. Claro que você que já está se convencendo das minhas palavras, a primeira pergunta que quer fazer é: de que planeta você é? Daqui mesmo da Terra. Vou explicar.

O que você chama de OVNIs surgiu aqui mesmo no Brasil no ano de 2.098. Nada mais era do que o que sempre se chamou de máquina do tempo. Foi criado pela (não riam) NASABRÁS, em um laboratório lunar. Sim, as experiências que duraram algumas décadas, só poderiam ser desenvolvidas numa região sem atmosfera. Não vou lhe explicar por que, porque é muito complicado.

A verdade é que a partir que nós homens, conseguimos a máquina que viajaria para o passado (a viagem para o futuro veio só 95 anos depois, em 2.195), o mundo mudou ou poderia ter mudado.

Naquela época (eu só nasceria no ano de 2.146) logo se formou um conselho, uma espécie de ONU, entre todos os países que obtiveram o direito de fabricação da máquina e criou-se o Estatuto Internacional de Volta ao Passado (o famoso EIVP). Estatuto este com várias cláusulas, mas a mais importante era essa:

O VIAJANTE NÃO PODE INTERFERIR EM NADA DO PASSADO. O motivo, você já deve ter percebido é simples. Imagine você se um de nós, do futuro, deixasse, por exemplo, um isqueiro Bic na primeira missa do Brasil. Aquilo adiantaria o progresso mundial, mudaria tudo e, é muito provável, que o mundo seria outro e talvez nem eu viesse a nascer em 2.146. Pode-se viajar, geralmente com fins científicos, mas não podemos entrar em contato com nada. Já pensaram, se um de nós, na hora da crucificação de Cristo, tirasse uma pistola laser e matasse aqueles assassinos?

É por isso que nunca entramos em contato com você aqui do século 20. Todo mundo ia querer saber quem ganhou a Copa de 98, se o Fernando Henrique iria se reeleger e tudo mais. Eu sei de tudo isso, mas não posso falar. Sei que a partir de hoje vão chegar pedidos de entrevistas de todos os jornais e televisões do mundo. Mas, infelizmente, não vou poder mudar o rumo dos acontecimentos.

Então, qual é a vantagem de eu vir a público revelar essa minha condição, se eu não vou falar nada? E por que é que me autorizaram a revelar essa verdade de mais de dois séculos?

Eu, ou melhor nós, do futuro, somos muito mais inteligentes que você, simples cidadão do século 20. E mais fortes. Claro que eu nunca fui numa Olimpíada, porque seria uma covardia. Os 100 metros rasos a gente faz, brincando, em 5,82363 segundos.

Sei tudo de você. Tudo. Mas juro, não vou contar. Tenho comigo o que nós você chama atualmente de CD-ROM (coisa que vai estar completamente ultrapassada dentro dos próximo cinco anos), dizia uma espécie de CD-ROM onde tenho todas as informações de hoje, do meu presente lá e muitas coisas do futuro.

Tenho que ser modesto e dizer que eu não sou o único brasileiro do futuro que anda por aqui. No Brasil temos 30 dos nossos. Cada um com uma função, sem alterar os hábitos, costumes e não interferir na natureza.

Vou continuar na próxima crônica. Revelar a minha função.

Sei que você não está acreditando em nada disso. Mas o dia de hoje é um marco para a humanidade. Peço aos outros 29 E.T. que vivem aqui no Brasil que me escrevam para a redação. Afinal, a nossa missão, companheiros, está apenas a começar.

Vocês sabem onde me encontrar.