Está
com uma bruta ressaca, não está? Confesse. Não tenha vergonha. É geral, é
Natal.
Aposto
que você acordou agora mesmo, a cabeça inchada em todos os sentidos, coração
batendo mais forte. Se não regorgitou ontem, o fez (!) quando acordou. A cabeça
apita mais que o despertador do peru.
Mão
na cabeça, um certo Engov, uma pica de glicose na veia, não teve saco para ler
sobre o Peru de Natal e nem se perguntar porque o nosso embaixador fez as malas
e se mandou para o Brasil. Ele não tinha sido escolhido pelos colegas para
negociar? O da Coreia continua lá. Mas isso não vem ao caso.
A
gente estava falando no Natal e eu me lembrei do peru e do Peru. Que já me
lembra Fujimori que me lembra alguém. Mas isso também não vem ao caso.
Eu
estava falando de vocë que me lê toda quarta-feira e nesta é Natal.
E
Natal todo ano é exatamente igual aos outros. Aposto que na firma você deu um
amigo secreto de 100 paus e recebeu um de 15. É normal, é Natal.
Na
sua família o seu amigo secreto foi justamente aquele primo que ninguém atura.
E você ganhou mais um sapato apertado e aquele monte de lenço que você nunca
vai usar. Teve um ano que eu ganhei um chapéu de rei do gado, imagine. Mas esse
eu me vinguei. Ele era o meu amigo e eu dei um par de esporas para ele.
Bebeu
demais, comeu demais, beijou demais, riu demais e também chorou demais. Situações
normais, são Natais.
Rezou,
sugeriu bom Natal para todo mundo e um próspero ano novo. Você já notou que
essa palavra (próspero) só surge nessa época do ano? Onde andará o próspero
no resto do ano. A não ser no meu Linense que tinha um 10 chamado Próspero,
que jogava bem o ano todo.
Que
a paz seja uma luz na sua cabeça. Ou seja, paz ilumina, guerra escurece a cabeça
da gente.
Que
o ano que vem aí seja pleno (outra palavrinha...) de saúde, paz e
prosperidade. Percebeu como vira e mexe, vem a tal da prosperidade? Quem deveria
desejar saúde para você, meu leitor, não deveria ser eu e sim o nosso
presidente numa espécie de Reenatal.
Mas
isso também não tem nada a ver com a crônica que está sendo escrita antes do
porre de ontem, evidentemente.
Mas
eu sei (há muitos e muitos anos) o que é o day after natalino. Fora esse montão
de papel de presente esparramados aí na sua sala e que até agora ninguém
tirou. Latinhas de cervejas por toda parte. Casca de nozes no chão, esfareladas
nem se fala.
Enquanto
está me lendo você tomou um Sonrisal ou um Gatorate estupidamente gelado? Em
certos casos uma cervejinha para limpar a serpentina (e já ir pensando no
Carnaval) bate bem, garantem os médicos (os médico que bebem, como o meu).
Mas
a outra festa está logo aí, na semana que vem. E você só vai beber até a
meia-noite. E fumar idem. Você não disse para todo mundo que a partir do ano
que vem. com convém, você não vai mais fazer essas coisas feias e depois
cometer todos aqueles desatinos. Cantar a cunhada, foi demais, meu filho. Você
acha que ninguém percebeu, mas você estava alto e falando mais alto ainda.
Aquele negócio de ir para a varanda ver a lua pegou mal. E o que você fez lá
(sozinho)? Vomitou. Não lembra?
Foi
legal, foi Natal.