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Não lembra do Peru? Foi Natal, foi legal.

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o estado de s. paulo

1997

 


Está com uma bruta ressaca, não está? Confesse. Não tenha vergonha. É geral, é Natal.

Aposto que você acordou agora mesmo, a cabeça inchada em todos os sentidos, coração batendo mais forte. Se não regorgitou ontem, o fez (!) quando acordou. A cabeça apita mais que o despertador do peru.

Mão na cabeça, um certo Engov, uma pica de glicose na veia, não teve saco para ler sobre o Peru de Natal e nem se perguntar porque o nosso embaixador fez as malas e se mandou para o Brasil. Ele não tinha sido escolhido pelos colegas para negociar? O da Coreia continua lá. Mas isso não vem ao caso. 

A gente estava falando no Natal e eu me lembrei do peru e do Peru. Que já me lembra Fujimori que me lembra alguém. Mas isso também não vem ao caso.

Eu estava falando de vocë que me lê toda quarta-feira e nesta é Natal.

E Natal todo ano é exatamente igual aos outros. Aposto que na firma você deu um amigo secreto de 100 paus e recebeu um de 15. É normal, é Natal.

Na sua família o seu amigo secreto foi justamente aquele primo que ninguém atura. E você ganhou mais um sapato apertado e aquele monte de lenço que você nunca vai usar. Teve um ano que eu ganhei um chapéu de rei do gado, imagine. Mas esse eu me vinguei. Ele era o meu amigo e eu dei um par de esporas para ele.

Bebeu demais, comeu demais, beijou demais, riu demais e também chorou demais. Situações normais, são Natais.

Rezou, sugeriu bom Natal para todo mundo e um próspero ano novo. Você já notou que essa palavra (próspero) só surge nessa época do ano? Onde andará o próspero no resto do ano. A não ser no meu Linense que tinha um 10 chamado Próspero, que jogava bem o ano todo.

Que a paz seja uma luz na sua cabeça. Ou seja, paz ilumina, guerra escurece a cabeça da gente.

Que o ano que vem aí seja pleno (outra palavrinha...) de saúde, paz e prosperidade. Percebeu como vira e mexe, vem a tal da prosperidade? Quem deveria desejar saúde para você, meu leitor, não deveria ser eu e sim o nosso presidente numa espécie de Reenatal.

Mas isso também não tem nada a ver com a crônica que está sendo escrita antes do porre de ontem, evidentemente.

Mas eu sei (há muitos e muitos anos) o que é o day after natalino. Fora esse montão de papel de presente esparramados aí na sua sala e que até agora ninguém tirou. Latinhas de cervejas por toda parte. Casca de nozes no chão, esfareladas nem se fala.

Enquanto está me lendo você tomou um Sonrisal ou um Gatorate estupidamente gelado? Em certos casos uma cervejinha para limpar a serpentina (e já ir pensando no Carnaval) bate bem, garantem os médicos (os médico que bebem, como o meu).

Mas a outra festa está logo aí, na semana que vem. E você só vai beber até a meia-noite. E fumar idem. Você não disse para todo mundo que a partir do ano que vem. com convém, você não vai mais fazer essas coisas feias e depois cometer todos aqueles desatinos. Cantar a cunhada, foi demais, meu filho. Você acha que ninguém percebeu, mas você estava alto e falando mais alto ainda. Aquele negócio de ir para a varanda ver a lua pegou mal. E o que você fez lá (sozinho)? Vomitou. Não lembra? 

Foi legal, foi Natal.