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NÃO ESTOU ENXERGAND0 NADA

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o estado de S. Paulo

05/11/2003

 


longe eu enxergo bem. Posso até dirigir. De perto a coisa complica. Tinha uns óculos multifocal era resolvi a minha vida até que tive que começar a trabalhar na tela do computador. Nunca conseguia focar direito a tela. Ou tinha que escrever de cabeça baixa ou de pescoço esticado para cima.

Até que fui num oftalmologista em Florianópolis e perguntei se não tinha uma lente específica para a distância do monitor. E, para minha alegria e visão me disse que os alemães (sempre eles!) haviam criado uma lente que eles chamavam de “lente de dentistaque era exatamente para se enxergar da mesma maneira entre 10 e 40 centímetros. Era tudo o que eu queria. Caríssima, mas resolveu a minha vida de dois anos para .

Pois ontem, sábado, fui a uma festa, fui me meter a dançar, a lente da direita caiu no salão e nunca mais foi achava. Principalmente por mim que rastejei pelo chão a menos de quarenta centímetros.

Pois estou sem a lente até agora, digitando isto aqui em São Paulo com uns óculos que achei numa gaveta. Dos anos 80. Para que ele funciona, tem que ficar um pouco mais alto para eu ver o monitor e um pouco mais baixo para ver o teclado. Tudo isto porque a receita dos meus óculos está em Florianópolis e dizem que tudo escuro.

Passei agora o corretor de texto até o parágrafo acima e devo confessar que quase todas as palavras estavam digitadas erradas. Mas eu tenho que ir até o final, cego ou não. O jornal não poderia escrever aqui que o cronista não escreveu hoje porque perdeu uma lente dos seus óculos.

Bem, pelo menos tenho este assunto. Completamente idiota, mas tenho. Agora eu vou dar uma pausa porque o meu pescoço está realmente doendo. Volto .

Neste pequeno intervalo vi os óculos do meu filho em cima da mesa e poderia ser uma alternativa. Meu Deus, nunca poderia imaginar que ele fosse tão míope. Mal vejo o computador com ele. Vou ter que voltar ao meu velho dos anos 80.

Na verdade eu queria mesmo hoje era comentar o novo livro da Adriana Falcão, “Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento”, que acabou de sair pela Editora Planeta. Mas, para isto teria que ler alguns trechos e copiar aqui. Mas não está dando. Mas recomendo porque eu li, antes da lente dançar. Vale a pena. Sem falar na outra obra prima que é o Budapeste. Mas fica para outra semana quando eu espero estar vendo melhor e escrevendo melhor ainda.

Um beijo e desculpe o auê. Mas consegui chegar até aqui. Espero que você também tenha chegado.