Glenn Miller Story, filme de 1954, traduzido aqui no
Brasil por Música e Lágrimas. Uma tradução bem literal. Música=Glenn Miller,
Lágrimas=Story.
A verdade é que o filme foi feito para a gente
chorar. Mas chorar mesmo! Como era comum época nos anos 50, no escurinho do cinema.
James Stewart, soberbo como o maestro e ingênua e
com cara de garotinha June Allyson a esposazinha que o acompanhava e o ajudava.
A história é triste e bonita. Os dois passaram
muitas dificuldades, mas contra tudo e contra todos lutavam e a gente torcia junto
chupando bala Pipper. E venciam. Quando eles ficavam duros, ele empenhava o ganha pão
dele, o instrumento musical. Pode ser mais trágico e triste, coitados?
Vi o filme, pela última vez, há uns dez anos no
Rio de Janeiro e sai chorando, todo molhado. Hollywood era fogo naquele tempo, diria Jesus
a seus discípulos.
A história do Glenn Miller (1904-1944), você deve
conhecer. Foi convocado, ele e toda a sua estupenda orquestra, para a segunda guerra
mundial. Sua função, levantar o moral das tropas norte-americanas onde, inclusive,
estava o pai do meu compadre Mateus Camisas.
A esposa, resignada e ao mesmo tempo orgulhosa do
marido, fica em casa, no interior dos Estados Unidos, com dois meigos e lindos
millerzinhos. A cena final do filme é ela ouvindo, no rádio, que o marido, numa viagem
de avião entre Londres e Paris havia morrido. Esta cena é para matar qualquer um. Duvido
que você não chorasse. Ele recebe a notícia assim, pelo rádio. Corta para os filhos do
casal. Ela chora. Glenn tinha 40 aninhos. A música sobe e as lágrimas descem. Abraça os
órfãos. Chuá!!!
O tal do avião nunca foi encontrado. A esposa June
não teve nem corpo para velar e enterrar.
Uma vida exemplar a do Glenn. Bom profisional (um
gênio), excelente marido e pai dedicado. Além de americano convicto, que morreu
levantando o moral dos seus compatriotas.
Pois muito bem, meu senhor e minha senhora. E não
é que agora saiu uma biografia do Glenn Miler dizendo que, na verdade, ele não estava
levantando o moral de ninguém quando morreu. Estava levantando o próprio, digamos,
moral, num bordel em Paris. Ficou com o moral tão elevado que morreu do coração. Pode?
E tudo aquilo que eu chorei nas várias vezes que eu
vi o filme, como fica? James Stewart, recentemente falecido, jamais poderia imaginar ele
fazendo a cena do bordel. O James (na época) era o símbolo do bom moço americano. June
Allyson, falecida há vários anos, jamais perdoaria a traição. Pensando bem, nem
acreditaria.
Se a notícia tivesse sido divulgada na época, acho
que até mudaria o rumo da guerra. Talvez os Estados Unidos até a perdessem.
Não sei de quem estou com mais raiva: do filme que
tanto me emocionou em várias fases da minha vida ou deste desgraçado que vem ao mundo
contar a grande fofoca. Glenn Miller num bordel. Não dá para imaginar. Tente imaginar o
James Stewart num bordel. Ele que beijava Kim Novak (e já ouvi dizer que ela é sapata) e
a princesa Grace Kelly que, aliás, foi apresentada ao princepe Rainier por ele, James,
quando filmavam em Mônaco.
Cá entre nós. Eu não vou acreditar nessa
história de ataque do coração num bordel, por melhor que fosse a gatinha, provavelmente
do bairro de Pigalle. Não acredito. Não posso acreditar que perdi aquelas lágrimas
todas.
Sabem o que eu vou fazer agora, assim que terminar
esta crônica? Vou sair e alugar - alugar, não, comprar - o filme Música e Lágrimas,
ouvir aquelas músicas inesquecíveis e chorar. Chorar muito. Como há muito tempo não
faço.