MONTEVIDÉU - Deu tudo
certo. Exatamente como previa a tabela. Os uruguaios vão fazer a final contra
o Brasil. Nós e os argentinos teríamos que nos enfrentar antes. Tudo que os
uruguaios queriam é esta final no Estádio Centenário. Eles contra os campeões
do mundo. Festa maior, impossível.
Na já quase madrugada
do dia em que o Brasil derrotou a Argentina lá em Rivera, depois do penalti
do Edmundo, os carros tocaram buzinas aqui em Montevidéu. Eles fizeram uma
festa. E por dois motivos. A Argentina estava fora e a possibilidade da final
com os brasileiros bem mais próxima.
Os uruguaios não gostam
dos primos ricos do lado de lá do Rio da Prata. E adoram os brasileiros. Aqui
na frente do hotel, o imenso Cine Plaza anuncia há vários dias a vinda do
corinthiano Toquinho no dia 8 de agosto. O diretor de teatro Aderbal
Freire-Filho está sendo esperado segunda-feira para dirigir o grupo da Comédia
Nacional. Uma peça grega.
As rádios tocam música
brasileira o dia todo. Os motoristas de taxi sabem até o time reserva do
Brasil. A Globo e a Bandeirantes entram nas casas com parabólicas.
E o mais importante. Por
pura coincidência, depois de amanhã vai ao ar o último capítulo de Mujeres
de Arena, da querida Ivani Ribeiro, cuja morte aqui repercutiu mais do que no
Brasil. Gloria Pires e Raul Cortez dublados, conquistaram os corações
cisplatinos. A novela está no ar há mais de um ano, toda terça e quinta e o
Raul falando espanhol é de matar de rir.
Os uruguaios amam o
Brasil e os brasileiros. Afinal, isso aqui já foi um estado nosso. Vide Mauá,
do grande Jorge Caldeira, o Cafu.
Existe a centenária
rivalidade, é claro, e quem vai estar dentro do campo não são mulheres de
areia, mas homens de aço, na grama perfeita do estádio.
Mas eu tenho a impressão
que, se o Brasil ganhar, o Centenário não fará o mesmo silêncio do Maracanã
de 50, quando Ghiggia e Obdúlio nos tiraram a Copa.
É provável que até
aplaudam o nosso time. E, se perdermos, espero que o Edmundo não dê porrada
em ninguém e estrage a festa dos nossos hermanos, que nos receberam de braços
abertos, como naquele gol do Túlio.