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MULHERES DE AREIA, HOMENS DE AÇO

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o estado de s. paulo

06/95

 


MONTEVIDÉU - Deu tudo certo. Exatamente como previa a tabela. Os uruguaios vão fazer a final contra o Brasil. Nós e os argentinos teríamos que nos enfrentar antes. Tudo que os uruguaios queriam é esta final no Estádio Centenário. Eles contra os campeões do mundo. Festa maior, impossível.

Na já quase madrugada do dia em que o Brasil derrotou a Argentina lá em Rivera, depois do penalti do Edmundo, os carros tocaram buzinas aqui em Montevidéu. Eles fizeram uma festa. E por dois motivos. A Argentina estava fora e a possibilidade da final com os brasileiros bem mais próxima.

Os uruguaios não gostam dos primos ricos do lado de lá do Rio da Prata. E adoram os brasileiros. Aqui na frente do hotel, o imenso Cine Plaza anuncia há vários dias a vinda do  corinthiano Toquinho no dia 8 de agosto. O diretor de teatro Aderbal Freire-Filho está sendo esperado segunda-feira para dirigir o grupo da Comédia Nacional. Uma peça grega.

As rádios tocam música brasileira o dia todo. Os motoristas de taxi sabem até o time reserva do Brasil. A Globo e a Bandeirantes entram nas casas com parabólicas.

E o mais importante. Por pura coincidência, depois de amanhã vai ao ar o último capítulo de Mujeres de Arena, da querida Ivani Ribeiro, cuja morte aqui repercutiu mais do que no Brasil. Gloria Pires e Raul Cortez dublados, conquistaram os corações cisplatinos. A novela está no ar há mais de um ano, toda terça e quinta e o Raul falando espanhol é de matar de rir.

Os uruguaios amam o Brasil e os brasileiros. Afinal, isso aqui já foi um estado nosso. Vide Mauá, do grande Jorge Caldeira, o Cafu.

Existe a centenária rivalidade, é claro, e quem vai estar dentro do campo não são mulheres de areia, mas homens de aço, na grama perfeita do estádio.

Mas eu tenho a impressão que, se o Brasil ganhar, o Centenário não fará o mesmo silêncio do Maracanã de 50, quando Ghiggia e Obdúlio nos tiraram a Copa.

É provável que até aplaudam o nosso time. E, se perdermos, espero que o Edmundo não dê porrada em ninguém e estrage a festa dos nossos hermanos, que nos receberam de braços abertos, como naquele gol do Túlio.