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LISBOA CONTINUA LINDA E BRASUCA

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ISTOÉ

05/11/97

 


Semana passada disse aqui que estava voltando de Lisboa. Depois de quatro anos, entrei lá de novo. Deixaram.

Duas coisas me surpreenderam em Lisboa: em primeiro lugar a quantidade de obras e a limpeza geral que estão dando na cidade. Explica-se: a Expo98. A última exposição internacional do século. A penúltima foi em 92 em Sevilha. Apesar de tantas obras, tantas ruas impedidas, a cidade está mais linda do que nunca. E parece que nem os dentistas brasileiros estão mais sendo alvo mais de muita xenofobia, que atingiu seu auge em 92 quando eu morava lá.

A segunda surpresa foi a quantidade de brasileiros que estavam por lá, passeando, ou a serviço, e que eu ia encontrando, quase que sem querer.

Logo no avião, lá na primeira classe me encontro com o Chico Buarque, o Sebastião Salgado e o José Saramago. Estavam indo lançar o belíssimo livro Terra em Lisboa e, depois, em Paris. Estou voltando para o meu modesto assento lá na Vila Socó, quando topo com a Hebe Camargo, filho e sobrinho.

Penso:

- Se este avião cair, nas notícias de jornais, eu vou sair em ”e outros”.

No hotel me encontro com o João da Rastro, que seria surpreendido no dia seguinte pela brutal morte de sua filha, a Gaby. Na minha segunda noite, vou para o meu quarto e a porta da Hebe estava aberta, escancarada. Fiquei preocupado gritei ó de casa e entrei. Entro para ver se alguma coisa teria acontecido. Hebe estava com seu staff batalhando, às três da madrugada um vôo para o João. Não posso deixar de dizer aqui que a Hebe foi maravilhosa. Aliás, como sempre. Acho que ela deve ter ligado, naquela noite, até para o Fernando Henrique para ajudar o amigo.

Vou numa feira de estética (sou o Rei do Spa) e me encontro com o Borghausen, o nosso embaixador em Lisboa. Dei para ele o meu último livro “Diário de um Magro”. Conversamos sobre spas. Seria interessante abrir um spa em Portugal? Com aquelas comidas todas, maravilhosas, inesquecíveis?

No dia seguinte os jornalistas e escritores Erik Nepumoceno e  Fernando Morais com as belezas e simpaticíssimas  Marta e Marina me convidam para um drinque na Cervejaria Trindade, com seus 166 anos, localizada num velho templo Maçon.

Estamos saindo do bar para um jantar no restaurante Tavares. Foi lá, em 67, que o Juscelino, o Lacerda e Jango (pode esse trio?), numa mesa ao fundo, começaram a articular a Frente Ampla. O garçom que os atendeu naquela época, continua lá. E deu detalhes. Claro que a Frente Ampla não deu certo. Acabou em sardinha.

Estamos saindo do Tavares e encontramos, bem na frente do restaurante, o ex-embaixador brasileiro em Portugal José Aparecido de Oliveira, tendo de um lado o Chico Caruso e do outro o gênio do Millôr Fernandes. Iam para uma casa de fados. Millôr me apresenta para uma amiga portuguesa e diz:

- Conheci o Mario Prata antes dele ganhar o primeiro milhão de dólares.

Respondo:

- Millôr, tenho, no máximo, 100 mil.

E ele, sempre rápido no gatilho:

- Pois fez muito bem em torrar os novecentos.

Mas os brasucas não parariam por aí. Estou no Alcantara Café jantando com a turma o Spa São Pedro de Sorocaba, quando sai da casa de banhos (banheiro) o meu amigo e diretor (de O Rei do Gado), Luis Fernando Carvalho, que eu não via há uns dois anos. A primeira novela que ele dirigiu foi Helena, de minha lavra, Reinaldo Morais e Dagomir Marquesi. Ficamos mútuos fãs.

Sem contar com uma ex-namorada do Mario Moreira Leite, o fotógrafo, dos Marios, o melhor, que eu encontrei no Café Paris, em Sintra.

Na volta, no avião, em vôo diurno, encontro o cientista Marcio Campos e o sempre maravilhoso e inteligente mestre de literatura David Arriguchi, com quem vim conversando sobre Cortazar, seu grande amigo, enquanto vivo. David esteve lá para falar sobre Guimarães Rosa.

Para encerrar a viagem, na mudança de avião no Rio, bato um papo o ministro da cultura Weffort, que também, vinha no mesmo vôo, só que lá na frente,  que me diz ser fã deste espaço aqui. Aproveita então, ministro, e dê mais dinheiro para o teatro brasileiro. Estamos com mais talento do que grana.

Desço em São Paulo e a primeira pessoa que vejo, por ironia, era um português. O simpático compositor e cantor Roberto Leal a esperar pelo puto. Atenção censura: puto em Portugal é filho, garoto.