Meu querido amigo Juca Kfouri que me perdoe, mas eu
também chorei no domingo. De manhã (Guga) e de tarde (Zagalo).
Meu querido presidente Fernando Henrique, eu, como
todo o Brasil, também acordei cedo no domingo. Concordo, o Brasil estava mesmo precisando
de um herói. Precatório, compra de votos, PT etecétera e tal, dormiram até tarde no
domingo.
Numa mesma cidade, num mesmo domingo, a ascensão de
um menino e a queda de um senhor irritado e vermelho.
Impossível não se apaixonar pelo Guga, que tem a
idade do meu filho. Muita coisa me impressionou nele. Em primeiro lugar a humildade, a
determinação, a simplicidade. Em segundo lugar, o mundo todo pode observar, uma pessoa
fazendo o que gosta. Joga rindo, pedindo desculpas para o adversário. Treme diante do
ídolo (Borg), chora, samba.
Mas o que mais me impressinou mesmo foi a
modernidade da coisa. Foi a primeira vez que eu vi surgir um novo ídolo (era o Brasil ou
a Globo que estava precisando de um novo Senna?) e, na mesma hora, imagens dele com sete,
onze, doze anos. Fiquei deslumbrado. Ele que é muito jovem ou eu é que estou velho? Da
minha infância guardo apenas pequenas fotos preto e branco.
Só faltou a televisão mostrar o parto da mão
dele. E por falar em parto, a simpática mãe dele não parece "mãe de miss"?.
Quem é que não viu aquela senhora, chorando, gritar diante da televisão:
- Eu não acredito que ele saiu de dentro de mim!!!
Saiu, minha senhora, saiu. Fica tranqüila. Surgiu
até a "vó de miss", uma velhinha que foi empolgar o velho mundo com seus
conhecimentos tenísticos.
Outra coisa: você reparou como ele é a versão
loira do meu querido Luis Fernando Carvalho, diretor do Rei do Gado? Até na altura eles
batem.
Obrigado, Guga, obrigado aqui deste modesto cronista
e ex-campeão noroestino infantil na década de sessenta. Você fez tudo que todos nós,
que jogamos tênis um dia, queríamos.
E de tarde o outro extremo, o Zagalo. Agora sim,
Zagalo, você é realmente um tetra.
Zagalo é o oposto do Guga. Pretencioso, ganancioso,
de uma imodéstia a toda prova. Nunca me esqueço, na última Copa América, no Uruguai,
quando ele dizia para os correspondentes esportivos do mundo todo:
- Sou o único tetra-campeão do mundo. Não tenho
que provar nada a ninguém.
Não sei como uma pessoa que não tem que provar
nada a ninguém pode ser técnico da nossa seleção. Tem mais é que provar.
E ele enumera o seu tetra: como jogador em 58 (o
titutar seria o Canhoteiro, do São Paulo que se contundiu) e 62. Como técnico em 70 e
como auxiliar do Parreira em 94 quando o Brasil não ganhou a Copa. As outras equipes é
que a perderam. Eu estava lá, vi de perto a agonia.
Mas eu acho que o tetra do Zagalo é outro. Ele
perdeu a Copa de 74 na Alemanha. E só saiu da primeira fase depois de vencer do Zaire
(Zaire!) que vinha tomando de sete de todo mundo, por um modestro três a zero, no maior
sufoco da história do Brasil em Copas do mundo.
Bem, perdeu a de 74. Depois perdeu a Copa América
de 95. Depois perdeu a Olimpíada de 96. Agora perdeu o Torneio da França. Portanto,
agora ele é mesmo tetra. O único tetra do Brasil.
E o mais doido da história é que ele sempre tem
desculpas. Estamos treinando, foi bom para a seleção, etc.
Foi o Zagalo, há três anos, quem inventou o tal do
número 1. Já queimou uns dez jogadores de alto nível na função. Amoroso, Juninho,
Rivaldo, Zé Elias, Giovani, Djalminha, Leonardo, e mais outro tanto. Seriam esses
jogadores todos ruins ou é o número 1 que não funciona? Com a palavra os especialistas
liderados pelo meu querido Benevides. Por que é que ninguém nunca refutou o tal do
número 1? Pressão da Brahma? Sei lá.
E está partindo impávido e colosso para a Bolívia,
tentar o penta. Zagalo vai ser penta, tenham certeza.
Todo mundo fala (e eu concordo) que hoje temos uma
geração para formar-se umas quatro seleções imbatíveis. Temos também uns quatro
técnicos imbatíveis. Mas eles querem o Zagalo (afinal com quantos Ls) tetra-perdedor.
Não entendo.
Não sei que é mais fácil. O Guga ser tetra no
Grand Slam ou o Zagalo ser penta na Bolívia.
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