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FOGUETE CAI. E TIME DE FUTEBOL?

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ISTOÉ

1998

 


Há exatamente um ano, eu escrevi, na minha crônica de quarta-feira, no Estadão, um comentário onde dizia, soletradamente: du-vi-de-o-dó, que o Fluminense vá disputar a segunda divisão do campeonato brasileiro.

Pois bem. Para quem caiu (caiu?), o campeonato brasileiro já acabou. Continuo dizendo: duvido que os times que cairam, caiam.

Apesar de meio corintiano, confesso que torci para o Timão cair. A confusão seria bem maior. E muito mais engraçada.

Eu pergunto: num país onde até os foguetes caem, por que não um time de futebol? Você sabe a resposta. O que mais me intriga é que nessa zona que é o futebol, no Brasil, ainda sejamos o único tetra do mundo. Não sei o que seria se fosse uma coisa organizada como os campeonatos europeus.

Já pensou, se o curingão tivesse caído? O que iriam inventar? Até mesmo que o América de Natal (que subiu este ano) teria usado jogadores irregulares na segunda divisão. Até provar...

E, este ano, tanto o União de Araras, como o Criciuma, como o Bahia, podem alegar que não caio, não caio, não caio, porque o Fluminense não caiu no ano passado.

Vou escrever de novo aqui: nenhum dos quatro vão cair. Todo mundo vai ter as suas alegações e o genro da FIFA vai acatar.

O União, por xemplo. Me parece que é financiado pelo Açucar União, o mesmo usado nas reuniões da CBF. Além do mais, vão descobrir uma lei onde diz que time que subiu, não pode cair no ano seguinte. Além do mais, se o Fluminense e o Bragantino não cairam, por que ele?

O Criciuma pode alegar, muito bem, que é o único time de Santa Catarina. O Amin deve dar uma força na justiça. Sem falar no Guga Kuerten, que é de lá, apesar de uma certa caída pelo Jacaré de um time adversário. Além do mais, eles podem dizer que não pode ficar fora do nacional o time que tem o nome mais feio entre os vinte e seis. Convenhamos, Criciuma está mais para mortadela do que para cidade. Me vê aí duzentos gramas de Criciúma. Sem gordura, por favor. Além do mais, se o Fluminense e o Bragantino não cairam, por que ele?

Onde o Brasil foi descoberto? Na Bahia, nas Casas Bahia. Como é que o time vai ficar de fora? E o ACM, não vai fazer nada lá no Congresso? Duvido. E macumba é que não vai faltar em cima dos euricos mirandas da vida.

Quanto ao Fluminense, já existe a jurisprudência: quando o Fluminense cair, não cai. E não se fala mais nisso. E os dirigentes prometem, para o ano que vem, uma defesa onde vão meter Castilho, Píndaro e Pinheiro. Telê na ponta direita, correndo ao lado de Didi. E a volta de Renato Gaúcho.

Ou seja, enquanto lá na Europa (primeiro mundo, como a gente quer ser) punem um campeão do mundo de fazer pontos na fórmula 1, aqui continua esta maracutaia.

Acho, realmenre, que o Brasil devia se importar menos com foguetes que não sobem, e sim com times que não caem. Enquanto o Fluminense - com todo o respeiro ao Chico Buarque e ao Nelson Rodriugues e ao Jô Soares -enquanto o Fluminense não for para a segunda divisão, nenhum foguete brasileiro vai subir. Ou a gente assume o terceiro mundo, ou vamos continuar a passar vergonha no primeiro mundo.

Primeiro mundo onde o Belenense e o Milan já cairam para a segunda divisão e depois subiram.

E tem mais, o Fluminense e os demais, vão ter muito mais renda na segundona.

Du-vi-de-o-dó, que esses times caiam. Podem cobrar de mim.

E digo mais: o campeonato brasileiro do ano que vem vai ter - no mínimo - 28 times. Ou mais!

Quando o foguete caiu, morri de vergonha. Com esses times não caindo, vou morrer um pouco mais.

Diante de tudo isso, não estou nem um pouco preocupado com o real brasileiro, mas sim com a nossa real-idade. Entre a inflação e a dignidade, fico mais com a dignidade.

Chega de chabu, caramuru!!!