Há exatamente um ano, eu escrevi, na minha crônica
de quarta-feira, no Estadão, um comentário onde dizia, soletradamente: du-vi-de-o-dó,
que o Fluminense vá disputar a segunda divisão do campeonato brasileiro.
Pois bem. Para quem caiu (caiu?), o campeonato
brasileiro já acabou. Continuo dizendo: duvido que os times que cairam, caiam.
Apesar de meio corintiano, confesso que torci para o
Timão cair. A confusão seria bem maior. E muito mais engraçada.
Eu pergunto: num país onde até os foguetes caem,
por que não um time de futebol? Você sabe a resposta. O que mais me intriga é que nessa
zona que é o futebol, no Brasil, ainda sejamos o único tetra do mundo. Não sei o que
seria se fosse uma coisa organizada como os campeonatos europeus.
Já pensou, se o curingão tivesse caído? O que
iriam inventar? Até mesmo que o América de Natal (que subiu este ano) teria usado
jogadores irregulares na segunda divisão. Até provar...
E, este ano, tanto o União de Araras, como o
Criciuma, como o Bahia, podem alegar que não caio, não caio, não caio, porque o
Fluminense não caiu no ano passado.
Vou escrever de novo aqui: nenhum dos quatro vão
cair. Todo mundo vai ter as suas alegações e o genro da FIFA vai acatar.
O União, por xemplo. Me parece que é financiado
pelo Açucar União, o mesmo usado nas reuniões da CBF. Além do mais, vão descobrir uma
lei onde diz que time que subiu, não pode cair no ano seguinte. Além do mais, se o
Fluminense e o Bragantino não cairam, por que ele?
O Criciuma pode alegar, muito bem, que é o único
time de Santa Catarina. O Amin deve dar uma força na justiça. Sem falar no Guga Kuerten,
que é de lá, apesar de uma certa caída pelo Jacaré de um time adversário. Além do
mais, eles podem dizer que não pode ficar fora do nacional o time que tem o nome mais
feio entre os vinte e seis. Convenhamos, Criciuma está mais para mortadela do que para
cidade. Me vê aí duzentos gramas de Criciúma. Sem gordura, por favor. Além do mais, se
o Fluminense e o Bragantino não cairam, por que ele?
Onde o Brasil foi descoberto? Na Bahia, nas Casas
Bahia. Como é que o time vai ficar de fora? E o ACM, não vai fazer nada lá no
Congresso? Duvido. E macumba é que não vai faltar em cima dos euricos mirandas da vida.
Quanto ao Fluminense, já existe a jurisprudência:
quando o Fluminense cair, não cai. E não se fala mais nisso. E os dirigentes prometem,
para o ano que vem, uma defesa onde vão meter Castilho, Píndaro e Pinheiro. Telê na
ponta direita, correndo ao lado de Didi. E a volta de Renato Gaúcho.
Ou seja, enquanto lá na Europa (primeiro mundo,
como a gente quer ser) punem um campeão do mundo de fazer pontos na fórmula 1, aqui
continua esta maracutaia.
Acho, realmenre, que o Brasil devia se importar
menos com foguetes que não sobem, e sim com times que não caem. Enquanto o Fluminense -
com todo o respeiro ao Chico Buarque e ao Nelson Rodriugues e ao Jô Soares -enquanto o
Fluminense não for para a segunda divisão, nenhum foguete brasileiro vai subir. Ou a
gente assume o terceiro mundo, ou vamos continuar a passar vergonha no primeiro mundo.
Primeiro mundo onde o Belenense e o Milan já cairam
para a segunda divisão e depois subiram.
E tem mais, o Fluminense e os demais, vão ter muito
mais renda na segundona.
Du-vi-de-o-dó, que esses times caiam. Podem cobrar
de mim.
E digo mais: o campeonato brasileiro do ano que vem
vai ter - no mínimo - 28 times. Ou mais!
Quando o foguete caiu, morri de vergonha. Com esses
times não caindo, vou morrer um pouco mais.
Diante de tudo isso, não estou nem um pouco
preocupado com o real brasileiro, mas sim com a nossa real-idade. Entre a inflação e a
dignidade, fico mais com a dignidade.
Chega de chabu, caramuru!!!
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