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Extravagência

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Revista BCP

02/08/2002

 


Eu sonhei que estava numa pizzaria pedindo uma pizza meio calabresa, meio extravagância. E o garçom ainda me perguntava se a metade extravagância era com cebola ou não.

Acordei e pensei: extravagância tem mesmo nome de um tipo de pizza, não tem? Escritor adora trabalhar e brincar com as palavras. É que tem algumas que parecem significar outra coisa.

Por exemplo: paralelepípedo. Nada a ver com a pedra que o consagrou. Pra mim, paralelepípedo é uma micose que dá entre os dedos dos pés. “O senhor tem pomada para paralelepípedo”?

Alpendre não tem cara de varanda. Para mim alpendre é um sujeito que está estudando alguma coisa nova, um aprendiz naquilo. “Não liga não, que ele ainda é um alpendre no assunto”.

Urticária, tá na cara que é uma vingança terrível. “Podia esperar tudo de você, meu amor, menos essa inesperada urticária”.

E península? Sabe o que é península? Remédio para urticária. “O senhor tome uma península depois do almoço e outra depois do jantar. Península-C”.

Carcará pode ser passarinho lá no nordeste, mas na minha cabeça sempre foi e sempre será inflamação no ouvido. “Fale mais alto, que estou com um carcará desgraçado no ouvido esquerdo”.

Agora pense na palavra travesseiro. Travesseiro é aquele homem que conduz a balsa nos rios.

Canivete, é óbvio: é o sujeito que só tem uma perna. “É canivete desde pequeno”.

Documento não tem nada a ver com papel algum. Documento é a cara que a pessoa fica quando surpreendida em delito. “Encontramos o elemento completamente documento”.

E o leitor, depois ler este texto anexo (anexo significa completamente sem apetite) pense um pouco no significado das palavras coitado e enfezado. E não vá se enfezar quando descobrir o que realmente significam.

Palavras, palavras, palavras, já dizia Shakespeare (que significa marca de geladeira). “Aliás, comprei uma Shakespeare de mil litros”...