Estou quase em Atlanta, como disse na última
crônica, estou quase em Miami, mas estou mesmo é na praia da Baleia, aqui no litoral
norte de São Paulo.
Não fui para a Olimpíada e os motivos não devem
ser discutidos aqui. Mas que a barra de escrever uma novela para a Band, muito contribuiu.
O mais grave é que a novela O Campeão, vai ficar fora do ar, até que a Olimpíada
termine. Eu, por mim, cai em estafa profunda, stress amarelado e olheiras que vão até o
queixo.
Mas, mesmo assim, continuo participando das
Olimpíadas, aqui na Baleia, olhando a chuva, o mar batendo quase dentro da casa, um frio
sunindo na barriga.
Ontem à noite (domingo), por exemplo. Estava vendo
o Brasil perder no volei para a Argentina, coisa que não acontecia há oito anos, quando
toca o celular. Era o Mathew Shirts, companheiro de vários levantamentos de copos e
ginásticas nada olímpicas. Me ligava de Atlanta. Uma da manhã.
- Meu, é verdade que o Brasil perdeu para o Japão?
- Fora o baile. Mas você não viu o jogo aí de
Atlanta?
- O jogo foi em Miami, meu.
- E não passou pela televisão?
- Imagina. Eles ficam o dia inteiro passando aquelas
meninas atrofiadas que ficam se contorcendo. Americano gosta é disso. Você acha que eles
iam se preocupar com um joguinho de futebol entre o Brasil e o Japão? Fiquei sabendo num
Sport Bar que o Brasil perdeu. É verdade?
Tive que contar para o meu companheiro que cobre a
Olimpíada, lá de Atlanta o que eu tinha visto aqui. Ele ficou chocado e ainda reclamou:
Sabe por que? Porque o Marcelinho Carioca não estava lá.
E mais, ele não sabia ainda da medalha de bronze do
Aurélio Miguel.
- Só vi, ao vivo, natação até agora.
Durante uma hora fiquei com o Mateus ao telefone,
contando tudo que estava acontecendo aqui. Ou melhor, lá.
Não consegui convencer o brasilianista que eu
sempre achei o Zagallo um pretencioso de marca maior. Como é que ele pode entrar contra o
Japão só com dois atacantes? As pessoas acham que o Zagallo (só esse detalhe dos dois
eles - de repente - já chama a atenção) só porque náo fala menas, é um gênio. Acho
o Zagalo (com um ele só) muito melhor ator de comercial, do que técnico.
Em 74, por exemplo, ele deixou o divino Ademir na
Guia no banco de reservas para insistir no Paulo César Caju. Deu no que deu. Um minguado
quarto lugar, perdendo no bronze para a Polonia, de Lato.
Agora insiste em Dida, Amaral e Sávio (esse nunca
me enganou). Mas o homem (que na Copa da França deverá usar quatro eles no Zagalo) é
teimoso. E burro. Devia dar menas entrevistas. E, tenha certeza, um dia ele vai usar 7
eles no nome para formar o número treze. Um exagero. O japonês que marcou o gol contra o
Brasil tinha apenas 3 letras no nome: Ito. Que, somados aos quatro de Dida e aos seis de
Aldair, dão treze. Eu, hein?
Mas não era nada disso que eu queria falar. Eu
estava falando no Mateus lá na solidão do hotel dele, sem poder acompanhar os atletas
brasileiros como nós podemos fazer daqui. Tenho a impressáo que os telefonemas (de
celular para celular) vão se alongar por todas as madrugadas, porque, é claro que a
televisão norte-americana está se lixando para nós, caras-pálidas.
Acho que fiz bem em quedarme por aqui. Vou ficar
vendo pela televisão mesmo. Na praia, e dando um boletim diário para o meu querido
Mateus. Quem sabe, na Olimpíada de 2004, a imprensa que está cobrindo o evento, terá
mais notícias sobre o Brasil. Nossos canais estarão, da sede da Olimpíada, mostrando os
nossos atletas. E náo sumô. E, espero também, que em 2004 não esteja mais o
Zagalllllllo comendo sashimi ou tempurá.
Mas o que mais vai me encher o saco é ouvir todo
dia, pela televisáo, o slogan Olimpíada 2004, Rio Candidado. Vai encher o saco.
Mas, se for no Rio, desta vez, eu vou. Só para o
Mateus não ficar me ligando de madrugada.