Enquanto o general Pinochet forçava o presidente
Allende a se suicidar, não muito longe dali, a algumas quadras, uma turma de exilados
brasileiros sofria o golpe e fazia planos para a volta ao Brasil.
Fernando, sociólogo de 42 anos, servindo o vinho,
falava:
- Você, José, vai ser senador e depois Ministro da
Saúde. Vamos acabar com todas as doenças do povo brasileiro. Vamos construir hospitais,
a população vai ter planos médicos de graça.
- Você, Paulo, vai ser Ministro da Educação.
Vamos, finalmente acabar com analfabetismo no paíis. E digo mais: escola de graça pra
todo mundo. E o fim do vestibular.
- Você, Serjão, vai ser Ministro das
Comunicações. Quero que cada lar tenha o seu telefone, de graça, como em todo país
socialista que se preze. E as tarifas, Serjão, lá embaixo.
- Você, Felipe, vai ser o presidente da Petrobrás.
Afinal, o petróleo é nosso. E vamos abaixar o preço da gasolina, abrir novos poços,
expulsar os americanos imperialistas do pedaço.
- Você, Leonel, só para disfarçar, vai me fazer
oposição.
- Você, Miguel, vai mudar o nordeste. Vamos acabar
com a seca e a indústria da seca.
- Tenho certeza que nós todos, aqui reunidos, vamos
transformar o Brasil. Vamos dar um ponta-pé no FMI e um calote na dívida externa. Vamos
estatizar tudo. Vamos acabar com a inicitiava privada. Vamos dar um basta ao capital
estrangeiro. Vamos dar um chega pra lá nas importações de supérfluos. Vamos baixar os
juros e os impostos. Vamos financiar o teatro e o cinema nacional. Vamos colocar o Chico
Buarque no Ministério da Cultura.
Aí alguém perguntou:
- Bela camisa, Fernandinho, mas em quanto tempo
vamos fazer tudo isso?
- Vinte anos é a minha meta. A cada quatro ou cinco
anos, a gente muda a constituição.
- Deixa comigo, disse o Serjão. E passa o vinho!
Vamos beber em homenagem ao Salvador Allende!!!
Bons vinhos, bons tempos...