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Jornal do PT

05/07/99

 


Enquanto o general Pinochet forçava o presidente Allende a se suicidar, não muito longe dali, a algumas quadras, uma turma de exilados brasileiros sofria o golpe e fazia planos para a volta ao Brasil.

Fernando, sociólogo de 42 anos, servindo o vinho, falava:

- Você, José, vai ser senador e depois Ministro da Saúde. Vamos acabar com todas as doenças do povo brasileiro. Vamos construir hospitais, a população vai ter planos médicos de graça.

- Você, Paulo, vai ser Ministro da Educação. Vamos, finalmente acabar com analfabetismo no paíis. E digo mais: escola de graça pra todo mundo. E o fim do vestibular.

- Você, Serjão, vai ser Ministro das Comunicações. Quero que cada lar tenha o seu telefone, de graça, como em todo país socialista que se preze. E as tarifas, Serjão, lá embaixo.

- Você, Felipe, vai ser o presidente da Petrobrás. Afinal, o petróleo é nosso. E vamos abaixar o preço da gasolina, abrir novos poços, expulsar os americanos imperialistas do pedaço.

- Você, Leonel, só para disfarçar, vai me fazer oposição.

- Você, Miguel, vai mudar o nordeste. Vamos acabar com a seca e a indústria da seca.

- Tenho certeza que nós todos, aqui reunidos, vamos transformar o Brasil. Vamos dar um ponta-pé no FMI e um calote na dívida externa. Vamos estatizar tudo. Vamos acabar com a inicitiava privada. Vamos dar um basta ao capital estrangeiro. Vamos dar um chega pra lá nas importações de supérfluos. Vamos baixar os juros e os impostos. Vamos financiar o teatro e o cinema nacional. Vamos colocar o Chico Buarque no Ministério da Cultura.

Aí alguém perguntou:

- Bela camisa, Fernandinho, mas em quanto tempo vamos fazer tudo isso?

- Vinte anos é a minha meta. A cada quatro ou cinco anos, a gente muda a constituição.

- Deixa comigo, disse o Serjão. E passa o vinho! Vamos beber em homenagem ao Salvador Allende!!!

Bons vinhos, bons tempos...