MODA—USO,
hábito
ou
estilo
geralmente aceito,
variável no
tempo, e
resultante de
determinado
gosto,
idéia,
capricho e das interinfluências do
meio (Aurélio).
Ninguém melhor que os brasileiros para inventar moda. Só
não inventam um modelo novo de guarda-chuva. "Inventar moda", em si, já
é uma expressão bem nossa. E vocês já notaram que as palavras e
expressões aqui no Brasil também são uma moda? Variam, como diria o
mestre Aurélio, com o tempo. Palavras mudam de significado e sentido "da
noite para o dia", "num piscar de olhos", sem que ninguém "saque" quem
foi que "curtiu" isso ou aquilo. Acho que em nenhuma língua uma palavra
muda tanto de significado com o passar dos anos.
Não é preciso ser tão "gagá" assim para se lembrar que,
quando uma pessoa levava um susto ou se admirava com algo, dizia "cáspite!".
que veio, mais tarde, a dar no ''orra, meu!". Se a coisa era chata, tudo
não passava de uma "maçada", ou porque não dizer "pau".
Mas essas são palavras que depois viraram "bregas", ou, em
outros tempos, ''cafonas". Hoje diriam que não são nada ''radicais". Ou,
se voltarmos para o começo dos 70, eu diria que esse papo está "bocomoco".
Mas, alguns anos antes, se você quisesse "aparecer", diriam que você
estava ''carteando marra". ''Morou?" Ou, se você for mais jovem,
"sacou?" ''Ficou por dentro?" Ou está mais "por fora que dedão de
franciscano?"
Lembram do tempo em que tudo que era bom virava ''hiper"?
Até supermercado. ''Bacana", né? Bacana mesmo são as atuais ''gatinhas",
que já foram ''pequenas" no começo do século. Naquele tempo, "tempo do
onça", o país ainda não tinha tanta ''bossa'', nem mesmo a nova. E foi
nessa época que tudo era o "fino", incluindo aí um programa de
televisão, O fino da bossa. Para os desajeitados. sobrava o "grosso".
''Programa" também era um namorico rápido com as garotas. Mais ou menos
como "ficar" hoje em dia, quando ''o buraco é mais embaixo". Mas todo
mundo era muito mais ''criativo''.
Foi naquele tempo que todo mundo ''administrava" tudo.
Tinha gente que administrava até a ''paquera". Foi logo depois que
qualquer coisa era ''micro" isso ou ''macro" aqulio. Era um tempo onde a
gente demorava para ''cair a moeda". Não era o ''máximo"? Mas a gente
sempre ''caía na real".
''Podes crer", ''amizadinha" !
Bons tempos, quando se podia ''dar um tapa" com cuidado
para ''não dar bandeira". Depois, "doidão'' ou ''numa nice", podia-se
''tirar um sarro" com uma menina ou, ao menos, ''uma casquinha". Era ''duca",
mas não chegava a ser "nenhuma brastemp"!
Agora. "roubada" mesmo era "cair do cavalo" quando a gente
punha as ''manguinhas de fora". Aí sim, a gente "sifu". Mas nada estava
mais "inserido no contexto" do que "traçar uma loira" ou "uma brizola".
Aí então, não dava para ''formatar" nenhum projeto. Senão, "dançava".
E no momento a palavra mais chata que tem no mercado é
muito ''interativa". Notaram que agora tudo é interativo? Acabo de
''manjar" que o meu livro James Lins é interativo. E eu, que nunca tinha
''bolado" uma coisa dessas? Mas o que mais me assustou foi outro dia um
sujeito dizer para outro numa mesa de bar:
—Me "celulariza" amanhã.
''Tem base"? A coisa ''tá maus"!
Estou ''matando" essa crônica e espero que os leitores, em
coro, gritem comigo: ''Por que parou? Parou por quê?". Não escrevo nem
mais uma linha, ''nem morta".
''Falou e disse"! "O macaco tá certo''...
Você acaba de levar um ''chapéu".