Por mais apaixonado que eu seja pelos meus
computadores, sempre os achei meio burros.
São muito sistemáticos. Não deduzem, eis a
questão. Se você, ao digitar o seu código pessoal de oito letras e errar apenas uma,
ele se nega a trabalhar. Um ser humano com o mínimo de escolaridade perceberia o erro e
entraria na sua. Ou na minha. Além de não deduzir, é teimoso. E agressivo. De repente
lá vem ele com a pergunta na sua cara: "você tem mesmo certeza"? Ora bolas!
Claro que tenho.
E agora, neste fim de semana, descobrir que eles
são mesmo burros.
Veja a situação. Quando eles foram inventados, as
datas que eles nos fornecem são em dois dígitos. Portanto ele não sabe e nem deduz que
estamos em 1997. Para ele, estamos em 97. Apenas. Podia ser 1897, 1597, não é mesmo?
Qual é o problema?, me pergunta você. O problema,
meu amigo e minha amiga, é que quando nós chegarmos ao ano 2.000, ele vai achar que
estamos começando, de novo 1900. Deu para entender? Você entendeu. Mas ele não.
O pior é que virá o calendário de janeiro de
1900. Vai ter ano bissexto caindo em época errada, domingo vai virar terça-feira,
ninguém mais vai saber quando é feriado e o natal vai ser em novembro, provavelmente.
Leio nos jornais que para mudar a configuração de
cada computador, um técnico vai levar 12 horas. Já imaginou quantos computadores existem
no mundo? Quanto vai custar isso? Fala-se em milhões de dólares. Centenas de milhões!
Rárárá, como diria o meu amigo Macaco. Peguei um
bobo, na casca do ovo.
E agora, senhores computadores? Não vão deduzir
nada? Vão entrar no próximo milênio em 1900?
Ou, por outro lado, não seria uma vingança da
cibernética contra nós? Não teriam deduzido os computadores, lá numa reunião secreta
entre eles, que o mundo avançou muito e que seria melhor voltar cem anos no tempo? É uma
hipótese. Não existia a AIDS, mas em compensação a tuberculose estaria matando
adoidado.
Já pensaram? Você liga o seu computador e ele vai
logo escrevendo na tela: "estamos em primeiro de janeiro de 1900". Seria o caso
da gente responder: "você tem certeza que quer mesmo fazer tal operação?"
E ele, metalicamente, vai rir na nossa cara.
"Daqui pra frente tudo vai ser diferente", nos responderá. Não é apenas uma
partida de xadrez que ele ganhou. Está ganhando o tempo, nos jogando para trás. Para a
gente pensar direitinho tudo o que foi feito neste século que está acabando. Eles vão
ditar a moda, eles vão nos dominar.
Ou então voltaremos todos às velhas Remingtons? E
aqueles jipinhos lá de marte? Ficarão lá, abandonados para sempre?
Meu Deus, acho que estou indo longe demais.
Mas toda essa elucubração é para perguntar -
agora falando sério - até onde irá a evolução dos computadores.
Assim que comprei o meu primeiro lap-top Toshiba
1000, saiu em seguida o 3000, deixando o meu com a cara no chão. Depois comprei um 286,
ficou ultrapassado rapidinho. Pulei logo para o 486.
- Você ainda não tem um Pentium?, todo mundo me
dizia.
Comprei o Pentium.
- Quanto?
- Pentium 100.
E o meu eterno algoz cibernético Fernando Morais me
esnoba com um 133. Compro o 133.
- 133? Aquela carroça? Estou com um 200. Em avião,
me diz o jornalista e escritor.
Querem me deixar louco. O que? O seu modem é 9600?
Não acredito.
Onde vamos parar, senhores computadores? Depois de
ganharem uma partida de xadrez, mudarem o calendário gregoriano, o que mais vocês vão
fazer conosco, mortais digitadores?
Me deixe salvar logo esta crônica pois estou
chegando nos três mil toques, antes que ele, de vingança, deleite tudo.
E pensar que, antigamente, lá por 1900, deleitar
significava causar prazer.