Croácia - (do nosso correspondente de guerra)
Zagreb nunca mais será a mesma. Cheguei aqui na quarta-feira na hora do almoço. Do
Aeroporto Sibenik até a cidade, por uma espécie de marginal que eles chamam de Split,
dava para ver que eles estavam entusiasmados. Todas as casas com a bandeira vermelha,
branca e azul. As cores da França, que os venceria hora depois.
É uma cidade simpática. Prédio baixos e
amarelados, fica entre as encostas do Monte Medvednica e o rio Sava, com índice de
polioção entre o Sena e o Tietê. Antes de chegar no centro, passa-se pela universidade.
No prédio a data da fundação: 1669. Dentro das muralhas que cercam a cidade muitas
igrejas. Uma delas, gótica (Santo Estevão) é belíssima.
Na praça Gradac-Kaptol. a principal, um enorme
telão com 48 televisores aclopados. Eles acreditavam quem passariam pela frança, me
garantia o garção espanhol Tito. Mas qualquer resultado seria lucro. Ele explica:
- Ninguém acreditava muito no time da Croácia.
Quase não se classificou para a França. Ficamos num segundo lugar e decidimos na
repescagem com a Ucránia.
A esposa dele, Mariac explica:
- O que a gente queria era ganhar da Alemanha. A
gente nunca se deu muito bem. Desde a segunda guerra.
A filha do casal estuda na Sorbonne. Língua Latina.
Me explica que peculiaridades geográficas e históricas, a Croácia manteve-se na cultura
latina, apesar das ligações com os eslavos.
A praça vai se enchendo. Além das bandeiras do
país, bandeiras quadriculadas em vermelho e branco e uma outra que fico sabendo é do
Croácia-Zagreb (ou CZ), o Corinthians local. Quase todos os jogadores que atuam nesse
time estão na seleção.
Franjo Tudjman, general, político e escritor, tem
77 anos e é o presidente da república desde a independência definitiva em 92 (da
Iugosdlávia) era presidente do Croácia-Zagreb. Já imaginaram se o Vicente Matheus dosse
eleito presidente da república? E a dona Marlene de primeira-dama?
É um povo forte, que me parece bem alimentado. Os
homens são barrigudos e as mulheres de seios grandes, muito grandes. Na guerra da
indepenência morreram seis mil croatas. 23.000 ficaram feridos e 400 mil desabrigados.